RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 19. (4 Suppl.5)

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Artigos de Revisão

Atividade muscular em diferentes métodos de alimentação do recém-nascido e sua influência no desenvolvimento da face

Muscular activity in different methods of newborn feeding and its influence in the face development

Alessandra Parreira Menino1; Paulo Roberto Tatsuo Sakima2; Luciano Borges Santiago3; Joel Alves Lamounier4

1. Especialista em Ortodontia pelo Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic, Campinas, SP, Brasil; Membro do comitê de Aleitamento Materno em Uberaba/MG
2. Mestre em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Araraquara (UNESP), Araraquara, SP. Coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia do Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic, Campinas, SP, Brasil
3. Doutor em Pediatria, Professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Triangulo Mineiro (UFTM) e da Universidade de Uberaba (UNIUBE), Presidente do Comitê de Aleitamento Materno da Sociedade Mineira de Pediatria
4. Doutor em Pediatria, Professor Titular da Faculdade de Medicina da UFMG, Membro do Comitê de Aleitamento Materno da Sociedade Mineira de Pediatria

Endereço para correspondência

Rua São Sebastião Nº 114 sala 303 Bairro Centro
Uberaba, MG CEP: 38010-430
E-mail: aleparreira@netsite.com.br

Resumo

O crescimento facial é mais acentuado nos primeiros anos de vida, mas pode sofrer alterações extrínsecas de forma e/ou tamanho durante seu crescimento e desenvolvimento, que vão até a puberdade. O método alimentar utilizado nos primeiros anos de vida mostra-se um fator influenciador do crescimento e desenvolvimento das estruturas orofaciais, atuando por meio do exercício muscular como um direcionador do crescimento dos ossos anexos e também de funções como a respiração e deglutição. O mecanismo de sucção, realizado por músculos que podem interferir no processo de crescimento e desenvolvimento da face e nas funções de respiração e deglutição, difere em cada método de alimentação. Neste artigo são apresentados os efeitos musculares nas estruturas da face, considerando três métodos diferentes de alimentação infantil: aleitamento materno, copinho e mamadeira. As informações e dados sobre esses três métodos de alimentação dos recém-nascidos foram separados em tópicos para facilitar a comparação e compreensão de seus efeitos: reflexos, vedamento, postura da língua, movimento muscular, respiração e alterações anatômicas.

Palavras-chave: Aleitamento Materno; Recém-Nascido; Métodos de Alimentação; Copo; Mamadeiras; Desenvolvimento Maxilofacial; Ossos Faciais/crescimento & desenvolvimento; Ortodontia.

 

INTRODUÇÃO

O aleitamento materno é um ato complexo que envolve o binômio mãe-filho, cujo resultado final é a extração do leite humano. A estimulação da mama pela sucção do recém-nascido é o principal fator envolvido na produção do leite materno, sendo o mesmo extraído por meio de um complexo exercício muscular.1-3 Estudos mostram que o teor de nutrientes do leite humano varia com o decorrer do tempo da mamada de tal forma que, no final da mesma, tem-se elevação do conteúdo de lipídeos.4 Esse fato, associado aos exercícios musculares realizados pela ordenha, conduzem o recém-nascido à saciedade em nível neural.4,5

Entre as muitas vantagens do leite humano, está a sua composição, que é alterada no decorrer do dia e à medida que a criança cresce, preparando-a por meio de transferência de compostos químicos (que dão sabor e aroma) para a futura alimentação.4 Já a atividade muscular para a extração do leite na amamentação atua como fator determinante para o desenvolvimento crânio-facial adequado, pela intensa ginástica da musculatura orofacial, estimulando também a respiração, deglutição, mastigação e fonação.5-10

Quando o músculo se desenvolve, em massa e função, ele supera o osso no qual está inserido, tanto em tamanho quanto em capacidade mecânica. Desta forma, em busca de equilíbrio, o osso sofre remodelação. Compreendendo esse principio, entende-se que a origem dos sinais que regulam o crescimento de um osso está nos músculos, língua, lábios, bochechas, tegumento, mucosas, tecidos conjuntivos, nervos, vasos sanguíneos, espaço aéreo, faringe, cérebro como massa orgânica, tonsilas, adenoides, e assim por diante. Todos fornecem os sinais de informações que definem o ritmo dos tecidos histogêneos que produzem o desenvolvimento de um osso.11 Nesse sentido, este estudo busca entender os efeitos mecânicos individualizados da amamentação e da alimentação por copo e por mamadeira no desenvolvimento da face.

 

MÉTODOS

A revisão foi elaborada com artigos publicados em periódicos indexados nas seguintes bases eletrônicas: National Library of Medicine (Medline, USA), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs, Brasil). Foram também incluídas publicações em livros de aleitamento materno, ortodontia e banco de teses e dissertações da CAPES. O período de revisão foi de 1983 a 2009 e compreendeu publicações em língua portuguesa e inglesa. A revisão foi restrita aos estudos relacionados com alimentação do recém-nascido e suas repercussões no crescimento e desenvolvimento facial, na respiração e dentição do lactente.

Os descritores utilizados foram: aleitamento materno, amamentação, recém-nascido, copo, mamadeira, crescimento facial, desenvolvimento facial e ortodontia (isoladamente ou de forma combinada) e também na língua inglesa.

Os dados e informações sobre alimentação do lactente foram organizados de modo sequencial e divididos em tópicos desde a fisiologia, anatomia, respiração e alterações anatômicas.

 

OS REFLEXOS E A AMAMENTAÇÃO

Os reflexos facilitam a pega correta e o desenvolvimento da amamentação. Estão presentes em crianças de termo, que se apresentam com fome, entretanto, em crianças sonolentas apresentam-se alterados.12 Crianças prematuras ou com algum tipo de doença podem ter reflexos diminuídos ou ausentes, dificultando a amamentação.13,14 Os estímulos tácteis locais nos recém-nascidos se encontram em especial nos lábios e na parte anterior da língua, por isso a língua se posta anteriormente onde pode realizar seu papel de guia sensorial mais facilmente.11,15 Os reflexos de busca e procura, sucção e deglutição são essenciais para o sucesso da amamentação, sendo considerados funções vitais, pois, em conjunto com a respiração, o recém-nascido depende deles para sua sobrevivência.2,6,10,15,16

Na mamadeira, a língua apresenta postura mais retraída8, o que dificulta o exercício do seu papel de guia sensorial. Desta forma, como resposta, muitos de seus reflexos estarão anulados.

A alimentação por copo estimula os reflexos necessários para amamentação, por meio dos receptores sensoriais orais e olfatórios, aumentando a produção de saliva e enzimas digestivas.17 Em pesquisas com prematuros foram observadas longas pausas entre as deglutições no copo, sugerindo que esse fato seja causado pela falta de estimulação sensorial, embora se tenha notado resposta a estímulo olfatório do leite no copo em primeiro momento.13 Crianças de termo e pré-termo alimentadas por copo têm mais facilidade na amamentação ao seio que as de mamadeira.14,18-20

 

VEDAMENTO

Para que se realize corretamente o mecanismo de sucção ao seio materno, é necessário que a criança faça ampla abertura de boca e abocanhe não apenas o mamilo, mas também 2 a 3 cm de aréola. É necessário que a língua se coloque à frente e os lábios se posicionem virados para fora (evertidos).21,22 Nessa fase, mamilo e aréola sofrem alteração de forma, apresentando alongamento em torno de 200%, posicionando-se na região posterior da língua (região do forame cego)23,24 e formando um lacre perfeito entre as estruturas orais e a mama.8,10,14,21 Na parte anterior, o vedamento é realizado pelo lábio superior e língua, não permitindo a entrada de ar. Na parte posterior da boca, a língua se eleva, funcionando como um mecanismo oclusivo contra o palato mole, estabelecendo, assim, a pressão negativa intraoral. 16,21 Desta forma, língua e mamilo permanecem na mesma posição do início ao fim da mamada, fato importante, pois não há fricção da língua no mamilo, diminuindo a incidência de trauma mamilar.22 Essa posição, juntamente com os movimentos de deglutição normal, ajuda a desenvolver a correta musculatura perioral (em torno da boca).

No mecanismo de sucção da mamadeira existe um vedamento anterior realizado pelo lábio inferior, que se dobra sobre o bico de borracha. Para que o vedamento seja mais efetivo, ocorre a participação da musculatura mentoniana.8 Outro fator é que os bicos de borracha são pouco elásticos e o seus comprimentos quase não se alteram, sendo que é a boca da criança que terá que se adaptar ao seu formato e tamanho.23,24

O copo é tido como um mecanismo de alimentação que não invade a cavidade oral, por isso é sugerido como método de alimentação alternativo, pois evita a confusão de bicos, diminuindo o índice de desmame precoce.25 Como a criança não precisa sugar para prover o alimento, consome pouca energia.17,26 O copo deve ser posicionado no lábio inferior, deixando a língua solta para a criança buscar o leite dentro do copo.13,18 Nota-se resposta reflexa do lábio superior, que abaixa em direção à borda do copo, sendo, desta forma, considerado um método de alimentação de boca fechada, pois possui pressão intrabucal. Estudos relatam que não foram encontradas diferenças entre a quantidade de alimento ingerido em nenhum dos três métodos aqui analisados,16 confirmando-se que o sucesso do mecanismo de alimentação no copo está na realização correta da técnica.18

 

POSTURA DA LÍNGUA

Na amamentação, a língua apoia-se na gengiva inferior, curvando-se para cima, participando ativamente do vedamento labial. As laterais levantam-se (canolamento, músculos estiloglosso e hioglosso) envolvendo a mama durante o processo de deglutição e, por meio de movimentos peristálticos em sua porção central (músculo genioglosso), participa do movimento de ordenha.27,28 A porção anterior da língua apresenta mais compressão, enquanto a porção posterior eleva-se e abaixa-se centralmente (língua em forma de concha), para conduzir o leite a ser deglutido por movimentos peristálticos.27-30 Na posição de descanso da língua, entre episódios de sucção, crianças amamentadas, quando não estão sugando ou deglutindo, descansam com o mamilo moderadamente envolvido pela língua (canola).30,31 Os movimentos peristálticos ocorridos durante a amamentação são mais fortes devido à mais profunda penetração do mamilo no interior da cavidade oral, ao contrário dos bicos artificiais.28,31 O conjunto desses exercícios musculares faz com que a língua adquira tônus e postura mais adequada no arco superior em posição de repouso e facilite a fala e a deglutição corretas posteriormente.

Na alimentação por mamadeira, a língua se situa atrás do rebordo gengival, com a ponta baixa e o dorso elevado para receber o leite de forma mais discreta que ao seio, tornando hipotônica a sua musculatura transversal.8 A criança retira o líquido por pressão negativa e a parte posterior da língua se eleva contra o bico de borracha para controlar o fluxo de leite, fechando a luz da borracha (colabamento), ou seja, movimento de pistão.27,30 Para sugar novamente, ela tem que permitir a entrada de ar na boca para soltar a borracha e reiniciar o ciclo. O efeito do bico de borracha contra o palato para controlar o fluxo de leite força o palato para "cima", invade o espaço da cavidade nasal diminuindo-o totalmente e alterando a conformação do arco.10,32 O diâmetro do furo do bico também se mostra significante, isto é, quanto maior, menos aderência nas bordas laterais da língua e na porção média, onde são observados movimentos peristálticos.29 Crianças de mamadeira quando descansam, o bico de látex se expande, apertando a língua.30,31

No copinho, o trabalho que a criança faz com os músculos da língua é bem próximo daquele realizado na amamentação.18,26 A postura tende a ser adequada, ou seja, com as laterais levantadas, o que propicia a oclusão do palato e leva a movimentos peristálticos na deglutição. Essas observações corroboram os achados de que os movimentos da língua e mandíbula, na alimentação por copo, são comparáveis aos da alimentação ao seio.26

 

MOVIMENTOS MUSCULARES

Os movimentos que envolvem o mecanismo de ordenha consistem em: abaixar, protruir, elevar e retruir a mandíbula.6,8 Cerca de 20 músculos participam desse mecanismo,2 os mesmos que posteriormente serão usados na mastigação.6,8 No movimento de protrusão, tem-se distensão máxima das fibras retrodiscais, que se inserem tanto no menisco quanto no côndilo.8,33 Esse movimento não é observado na alimentação por mamadeira e algumas pesquisas sugerem que este seja o principal estímulo do crescimento mandibular,8,33,34 explicando relatos da literatura que sugerem mais crescimento mandibular em crianças amamentadas.5,6,8,9,35 Do ponto de vista ortodôntico, a vantagem da amamentação, comparada à mamadeira, é o fato de que, na primeira, a criança deve ativar e protruir a musculatura dos maxilares de forma mais ampla para ordenhar o leite para fora da mama, o que resulta em maior crescimento da mandíbula. Esse movimento é extremamente necessário, pois a mandíbula, ao nascimento, apresenta-se menor em tamanho e, em proporção, comparado com a maxila (retrognatismo fisiológico do recém-nascido, que pode chegar a 12 mm de diferença).6 Até os seis meses essa desproporção deverá ser corrigida para que se tenha desenvolvimento facial harmônico.6,9 Toda essa ginástica facial faz com que crianças amamentadas tenham mastigação 60 vezes mais forte.36

Alguns trabalhos sugerem que os movimentos realizados pelo recém-nascido na alimentação por copo são semelhantes aos do seio materno.26,37 Os resultados de Gomes et al.37 utilizando eletromiografia para a amamentação e alimentação por copo foram semelhantes, sendo os músculos mais trabalhados o masseter e o temporal. Na mamadeira, o músculo bucinador foi o mais evidente e diferiu dos outros dois métodos alimentares. Esses achados foram confirmados principalmente em relação ao músculo masseter, que foi visto como mais ativo com o uso do copo e na amamentação, em outros trabalhos utilizando eletromiografia.38

Os movimentos da alimentação por mamadeira são de abertura e fechamento, como o de uma charneira.8,9,10 Nesse mecanismo, a fase de pressão negativa é significativamente mais longa que a fase de pressão positiva.39 A sucção na mamadeira faz forte pressão nas bochechas, enquanto estas pressionam as gengivas, alterando o formato do palato e, consequentemente, a posição dental, predispondo à mordida cruzada.10,32 Qualquer perturbação no equilíbrio do músculo bucinador (por fora) e da língua (por dentro), tanto em repouso quanto em função ativa, pode acarretar modificação do movimento lateral do maxilar superior.33

 

RESPIRAÇÃO

A respiração também é afetada pelos métodos de alimentação. Na amamentação, o vedamento anterior obriga a criança a respirar pelo nariz8,33,35 e o tempo para paradas respiratórias varia de acordo com a sua deglutição, mas a criança respira e deglute alternadamente, não interferindo na saturação sanguínea de oxigênio.16 A alimentação no peito, apesar de levar mais tempo, quando comparada com a alimentação por mamadeira ou copinho, apresenta mais estabilidade fisiológica.16 O estiramento do lábio superior e a abertura das coanas nasais impedem que a respiração nasal seja obstruída.8 Outro fator é que a língua se mantém anteriorizada, permitindo que a orofaringe fique desobstruída e o fluxo de ar passe livremente. A amamentação torna-se, então, relevante para o estabelecimento do padrão respiratório normal.

Na xícara ou copinho, a criança controla o fluxo, então, a quantidade de leite que ela deglute durante cada episódio é pouca, não sendo necessária deglutição frequente e não alterando a saturação sanguínea de oxigênio.13,16

Por outro lado, na mamadeira há interrupção da respiração para permitir a deglutição, resultando em diminuição na ventilação: quanto maior o fluxo, mais prolongado será o fechamento das vias aéreas, diminuindo, assim, o tempo para respirar.16 Esse fato é comprovado por pesquisas que encontraram mais incidência de padrão de respiração predominantemente nasal em crianças amamentadas e respiração predominantemente bucal em crianças alimentadas por mamadeira.7,20,32,35,40 O período de amamentação exclusiva ao seio materno mostrou-se importante para o estabelecimento da respiração predominantemente nasal.7,40 O estímulo da respiração é um importante fator para o desenvolvimento tridimensional da face.9,36

 

ALTERAÇÕES ANATÔMICAS

Em crianças alimentadas por mamadeira, podem ser observadas, com o tempo, mais alteração no comprimento maxilar anterior e na profundidade palatal.41 Em estudos relacionados com atividade de sucção não-nutritiva e mamadeira, o desenvolvimento dos músculos orofaciais e o impacto no palato foram responsáveis pelo pobre alinhamento dos dentes e o crescimento transversal anômalo do palato.10,32 A flexibilidade e a maciez do mamilo humano atuam moldando o palato duro em resposta aos movimentos peristálticos para "retirar" leite, obtendo o formato de "U". Desta maneira, ocorre o correto alinhamento dos dentes e redução da incidência de má-oclusão. O alinhamento deficiente dos dentes e o palato "moldado em V" são encontrados em muitas pessoas com má-oclusão.10 Em crianças alimentadas por mamadeira ou que foram amamentadas ao seio materno por curto período, foi observada alta incidência de hábitos orais deletérios, respiração bucal, mordida cruzada posterior, falta de selamento labial e alteração no formato da arcada.7,9,10,20,35,42 O desenho não-fisiológico do bico de mamadeira parece forçar a língua e as bochechas a realizarem funções compensatórias atípicas para extrair o leite. A resposta adaptativa subsequente dos tecidos dentoalveolares associados leva à má-oclusão.8,10,32,35,43

O estudo de Carrascoza20 compara crianças de quatro anos inicialmente alimentadas apenas ao seio materno e, posteriormente, no copo com as alimentadas por mamadeira. O selamento labial foi observado em 82% das que utilizaram o copo e em 65% das que usaram mamadeira. O repouso da língua no arco superior (normalidade) foi encontrado em 73% das crianças que usaram o copo e em 47% das que utilizaram mamadeira. Observou-se mais ocorrência de respiração nasal em 69% nas crianças que utilizaram o copo e em 37% nas que usaram mamadeira. A maxila mostrou-se normal em 90% das crianças que utilizaram o copo e em 78% das que usaram mamadeira.

Amamentar é fator de proteção contra a má-oclusão, como descrito por vários autores (Quadro 1).6,7,10,32,33,35,41,42

 

 

CONCLUSÕES

O aleitamento materno constitui a melhor e mais adequada forma de alimentação da criança, pois estimula o crescimento crânio-facial adequado, a respiração, deglutição, mastigação e a fonação. Métodos alternativos ao aleitamento materno, como o uso do copinho e da mamadeira, também são eficientes na alimentação da criança. Entretanto, a mamadeira não estimula adequadamente o crescimento e desenvolvimento dos músculos da face, a respiração e a deglutição, podendo contribuir para a instalação de má-oclusão, hábitos orais deletérios e alterações na fala. O copinho mostrou-se efetivo como uma metodologia alimentar que pode complementar o aleitamento materno.

Este trabalho evidencia a necessidade da realização de mais estudos que validem o uso do copo de forma exclusiva como substituto da mamadeira quando a mãe não puder amamentar e que mostrem sua implicação de longo prazo no crescimento e desenvolvimento crânio-facial.

 

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