RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 22. 1

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Correspondência ao Editor

Geriatria e nutrição: temas recentes e ainda pouco explorados

Geriatrics and nutrition: recent issues and largely unexplored

Guilherme Malafaia

Professor do Departamento de Ciências Biológicas do Instituto Federal Goiano - Urutaí. Pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Ciências Ambientais e Biológicas. Urutaí, GO - Brasil

Endereço para correspondência

Rodovia Geraldo Silva Nascimento, 2,5 km Zona Rural
Urutaí, GO - Brasil CEP: 75790-000
E-mail: guilhermeifgoiano@gmail.com

Recebido em: 23/02/2012
Aprovado em: 09/03/2012

Instituição: Instituto Federal Goiano Urutaí, GO - Brasil

 

Prezados Editores,

Quero parabenizar a Revista Médica de Minas Gerais (RMMG) pela publicação do volume 21, nº 2, de 2011. Mais uma vez a revista se destaca ao divulgar estudos sobre a geriatria e sua interface com os aspectos nutricionais. Conforme destacado no editorial de Cunha e Thomaz1, os desafios na geriatria são vários. Dentre esses, certamente as alterações fisiológicas inerentes à idade, em associação com o estado nutricional do idoso, destacam-se como um importante desafio a ser superado.

A revisão de Nascimento et al2., publicada nesse volume, demonstrou a complexidade das relações envolvidas com a nutrição e o envelhecimento, destacando-se o importante papel da nutrição na identificação de fatores de risco para mortalidade e desenvolvimento de doenças durante o envelhecimento. Além disso, fica clara nessa revisão a escassez de estudos nacionais acerca das associações entre as condições de saúde e nutrição de idosos.

É importante salientar que, embora alguns estudos tenham sido desenvolvidos e evidenciado a importância do estado nutricional na saúde do idoso, há ainda importantes lacunas a serem preenchidas no que diz respeito aos efeitos específicos da ausência ou excesso de determinados nutrientes no funcionamento normal do organismo idoso. Além disso, ainda não há conhecimentos aprofundados sobre o impacto específico das alterações nutricionais na ocorrência de doenças e na incapacidade funcional de idosos.

Outro ponto importante a ser mencionado refere-se à ausência de estudos que considerem o aspecto nutricional e a idade, especificamente em regiões pouco desenvolvidas, onde problemas nutricionais são destacados em associação com problemas típicos dessas localidades, como desigualdade social, falta de saneamento básico e elevado casos de doenças infecto-parasitárias. Conforme discutido por Júnior e Guerra3, há a necessidade de intervenções em comunidades com baixo poder aquisitivo, como, por exemplo, as do Nordeste brasileiro, assim como outras regiões pobres do país, as quais vêm passando por um fenômeno denominado transição nutricional, em que o problema de escassez alimentar tem sido substituído pelo excesso de alimentos ricos em gordura, o que gera aumento de sobrepeso e obesidade.

Nesse sentido, é imprescindível que os estudos sobre o envelhecimento sejam conduzidos e publicados por revistas como a RMMG, que já há algum tempo tem dado espaço à divulgação de pesquisas sobre a geriatria e nutrição. É importante advertir que o aumento da expectativa de vida só é interessante quando se consegue agregar qualidade aos anos adicionais conquistados4. Assim, ao divulgar trabalhos sobre temas relacionados ao envelhecimento, a RMMG não apenas faz jus ao seu compromisso de divulgar dados relevantes para a saúde pública, como também contribui para aumentar o conhecimento acerca de assuntos inéditos no campo da geriatria.

 

REFERÊNCIAS

1. Cunha UGV, Tomaz DP. A medicina geriátrica e seus desafios. Rev Med Minas Gerais. 2011;21(2):129-30.

2. Nascimento CM, Ribeiro AQ, Sant'Ana LFR, Oliveira RMS, Franceschini SCC, Priore SE. Estado nutricional e condições de saúde da população idosa brasileira: revisão da literatura. Rev Med Minas Gerais. 2011;21(2):174-80.

3. Júnior JSV, Guerra RO. Incapacidade funcional em mulheres idosas de baixa renda. Ciênc Saúde Coletiva. 2011;16(5):2541-8.

4. Malafaia G. Implicações da imunossenescência na vacinação de idosos. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2008;11(3):433-41.