RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 13. 4

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História da Medicina

Retrospectiva histórica dos 50 anos da faculdade de medicina do triângulo mineiro

A fifty year historical retrospective the triangulo mineiro medical school

Maria Antonieta Borges Lopes1; Edmundo Chapadeiro2

1. Historiadora, formada pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino, de Uberaba, MG. Estagiária do Departamento de História da UFMG, em 1968. Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro
2. Professor Emérito da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro e Membro da Academia Mineira de Medicina

Endereço para correspondência

FMTM Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro
Rua Frei Paulino, 30
38025-180 Uberaba - MG

Resumo

O texto aborda a evolução histórica da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, situando-a no contexto histórico e político que justificou sua fundação como escola privada, sua federalização e sua transformação em autarquia federal. Analisa a criação do regime de tempo integral, desde o início de sua instalação e as soluções aventadas para o problema do ensino das cadeiras clínicas, através de convênios com entidades hospitalares, até a construção do Hospital Escola. Finalmente, destaca a importância da pesquisa e da pós-graduação na qualificação dos docentes da Instituição e para a solução de problemas regionais na área de saúde.

Palavras-chave: Faculdade de medicina do triângulo mineiro/história, história da medicina, escolas médicas/história.

 

Este artigo tem como objetivo fazer uma retrospectiva histórica da trajetória da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro (FMTM), por ocasião das comemorações do seu cinqüentenário, iniciadas em 27 de abril p.p., com uma homenagem aos seus dezoito fundadores e ao primeiro diretor, Dr. Mozart Furtado Nunes.

Ao mesmo tempo, tem a intenção de propor ou provocar reflexão mais aprofundada sobre o papel e a contribuição dada por uma Faculdade de Medicina interiorana, para o progresso do ensino médico e da pesquisa na área de Saúde, em nosso país.

 

ANTECEDENTES

Lançando um olhar retrospectivo sobre as diversas iniciativas tomadas em Uberaba no campo da educação superior, num passado remoto, podemos observar as inúmeras tentativas frustradas de aqui se instalar e manter algumas Faculdades:

entre 1885 e 1899, funcionou o Instituto Zootécnico que formou uma única turma de engenheiros agrônomos, sendo o seu funcionamento suspenso, a seguir, pelo governo estadual.1
entre 1927 e 1934, funcionaram uma Escola de Odontologia e Farmácia e uma de Direito, esta de vida ainda mais efêmera.2

Em meados do século XX, especialmente no campo da Medicina, a cidade já era considerada um centro avançado. Desde 1927, fora criada uma Sociedade Médica que, a partir de 1947, tomou a iniciativa de realizar por quatro anos o Congresso do Triângulo Mineiro (Uberaba, Uberlândia, Araxá e, novamente, Uberaba). Em 1951, com a realização do 5º Congresso em Goiânia, o nome foi mudado para "Congresso Médico do Triângulo Mineiro e Brasil Central", como propósito de incluir Goiás e Mato Grosso. A presença de importantes professores e profissionais dos grandes centros do país nesses congressos e o bom número de trabalhos científicos neles apresentados, especialmente sobre o "mal de Chagas", comprovam o caráter pioneiro da cidade de Uberaba, nesse campo de estudo e pesquisa.3

A região triangulina foi, também, pioneira nas campanhas de profilaxia da doença de Chagas. Em 1949/1950, ocorreu na região um movimento no sentido de se iniciar uma ampla campanha de combate à doença e ao inseto transmissor. Em 7 de maio de 1950, é lançada em Uberaba a "Campanha Nacional contra o mal de Chagas", que teve repercussão internacional, como comprova a vinda do famoso professor argentino, Cecílio Romaña, para conhecer, em detalhes, aquela proposta.4

 

A FUNDAÇÃO E A INSTALAÇÃO DA FMTM

Existem várias versões para explicar o nascimento da FMTM. Apesar de algumas divergências entre elas, há consenso em alguns aspectos: a Faculdade nasceu sob a égide da política: foi um fato político partidário, gestado pelas lideranças do Partido Social Democrata (PSD) e Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Havia, então, descontentamentos latentes na sociedade uberabense, em relação à política tributária do Estado de Minas Gerais, governado, entre 1950 e 1954, por Juscelino Kubitschek de Oliveira, declaradamente candidato à sucessão de Getúlio Vargas, na Presidência da República, pela aliança daqueles dois partidos. Ao mesmo tempo, crescia na cidade o número de adeptos da candidatura do paulista Ademar de Barros, do Partido Social Progressista (PSP).

O governador decide, então, realizar uma sondagem para conhecer os maiores anseios dos uberabenses, através de consulta às associações de classe da cidade. Isso lhe forneceria as bases para estudar as possibilidades de satisfazê-los. Em início de abril de 1953, o Governador reuniu-se na Associação Comercial e Industrial de Uberaba (ACIU) com essas lideranças, que lhe confirmaram que uma de suas reivindicações era a criação de uma Faculdade de Medicina, pois a cidade, considerada como um centro médico avançado, almejava tornar-se uma "cidade universitária".

As primeiras conquistas nesse sentido já haviam sido obtidas pela ação do deputado Mário Palmério, presidente da Sociedade de Educação do Triângulo Mineiro, que criara, em 1947 e 1951, respectivamente, as Faculdades de Odontologia e de Direito. As Irmãs Dominicanas instalaram, em 1948, a primeira Escola de Enfermagem e, em 1949, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras "Santo Tomás de Aquino", em Uberaba.

A proposta do governador Juscelino Kubitschek de Oliveira, feita inicialmente através do deputado Mário Palmério e de seu correligionário político, Lauro Fontoura, foi clara: daria apoio ao grupo de 18 profissionais, (16 médicos, um político e um advogado) para criar uma Faculdade de Medicina privada, mantida pela Sociedade Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, oficialmente fundada em reunião de 27 de abril de 1953. Em seguida, com a aprovação pela Assembléia Legislativa, doou-lhe, para constituir o seu patrimônio inicial, o prédio da Penitenciária do Estado (Figura 1), que se tornaria a futura sede da FMTM, e 20 milhões de cruzeiros em títulos da dívida do Estado, cujos juros serviriam para sua manutenção.

 


Figura 1 - Prédio Histórico da FMTM em três momentos.

 

Estava dado o passo inicial e fundamental para a criação da FMTM. Na mesma reunião de 27 de abril, foram escolhidos para presidente da Sociedade, Dr. Lauro Savastano Fontoura, e para diretor da Faculdade, Dr Mozart Furtado Nunes.

Participaram da reunião e assinaram a ata os seguintes fundadores: Alfredo Sebastião Sabino de Freitas, Allyrio Furtado Nunes, Antonio Sabino de Freitas Júnior, Carlos Smith, Fausto da Cunha Oliveira, Hélio Angotti, Hélio Luiz da Costa, João Henrique Sampaio Vieira da Silva, Jorge Abrahão Azôr, Jorge Henrique Marquez Furtado, José de Paiva Abreu, José Soares Bilharinho, Lauro Savastano Fontoura (advogado), Mário de Ascenção Palmério (professor e político), Mozart Furtado Nunes, Odon Tormim, Paulo Pontes, Randolfo Borges Júnior.

A autorização para funcionamento, assinada pelo Presidente da República, Getúlio Vargas, e pelo Ministro da Educação, Antonio Balbino, se deu através do Decreto nº 35.249, de 24 de março de 1954.

Ao divulgar esse fato, o jornal local "Lavoura e Comércio", em sua edição de 1º de abril de 1954, lançou pioneiramente, em manchete de primeira página, a idéia de se partir "Rumo a Universidade".

Obtida a autorização para funcionamento em março de 1954, o Conselho Técnico Administrativo (CTA) convocou e realizou o primeiro exame vestibular, no qual se inscreveram 168 candidatos, de diferentes estados do país, sendo aprovados 52.

A aula inaugural, proferida em 28 de abril, pelo governador do estado, Juscelino K. de Oliveira, realizou-se no salão nobre da Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro. Nas instalações desta mesma Faculdade, foram ministradas as aulas durante o ano de 1954, enquanto se processava a reforma do prédio da Penitenciária do estado, para transformá-lo em Escola de Medicina. Daí teria nascido a frase atribuída ao Presidente Juscelino: "ainda farei desta cadeia uma grande faculdade", um local onde, segundo um dos primeiros professores, Monsenhor Juvenal Arduini "as algemas foram substituídas pelo bisturi".

Durante o ano de 1953 e início de 54, o diretor Mozart Furtado perambulara pelo eixo Rio - São Paulo - Belo Horizonte, em busca de professores para a FMTM. Através de contatos com o professor de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Renato Lochi, foi encaminhado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde conheceu os professores Liberato Di Dio, Luigi Bogliolo e Baeta Vianna. Aí surgiu a oportunidade para contratar os primeiros professores: Edmundo Chapadeiro, Olavo Soares Andrade, Sales Jesuíno Oliveira e Allyrio Furtado Nunes, este último transferido de Goiânia. Posteriormente, vindos do Rio, a eles se juntaram: César Pinto, Mauritano Rodrigues Ferreira, Francisco Mauro Guerra Terra e Pedro Falcão. Todos formaram o grupo inicial das cadeiras básicas, contratados em regime de tempo integral. Alguns anos após, o Diretor Mozart Furtado trouxe, para compor o corpo docente da área clínica, Josefino Aleixo de Belo Horizonte e Homero Pinto Valada, de São Paulo.

Sobre este trabalho de procura e contratação dos primeiros professores, assim se expressou o Diretor Mozart Furtado Nunes: "Quando aceitei a incumbência de organizar e dirigir a Faculdade, impus uma condição:"carta branca" para constituir o corpo docente e liberdade de ação. Condição aceita. A responsabilidade era toda minha. Um dos médicos mais antigos de Uberaba, eu me sentia com conhecimentos relativamente a todos os colegas. (...) Comecei meu trabalho de convites. Não considerei amizades, simpatias ou antipatias. (...) Começou a luta pela constituição definitiva do corpo docente. Alguns colegas, por motivos que sempre recebi como justos, deixaram de assumir "suas cadeiras".

(...) Como resultado do estudo de diversos regimentos de faculdades de medicina,(...) do contato com professores de toda parte do país, (...) e de demorada análise da situação do ensino médico, senti que, em uma cidade como Uberaba, ainda sem vivência dos problemas universitários, exigindo pesadas improvisações, tendo que lutar com a falta de recursos, (...) pelo menos algumas cadeiras básicas precisavam ser ocupadas sob o regime de tempo integral. De início, eu mesmo me apavorei diante da idéia, tão longe e aérea, em face de nossas modestíssimas possibilidades. Foi necessário recorrer a uma incomensurável dose de otimismo e a uma coragem quase temerária para persistir na resolução".5

Na época, havia poucos professores qualificados disponíveis. Apesar de não possuir uma formação universitária, o convívio com os professores Velho da Silva e os irmãos Álvaro e Miguel Osório de Almeida, no Rio de Janeiro, dera ao Dr. Mozart Furtado Nunes a antevisão da importância de se batalhar para a instalação do regime de tempo integral, numa faculdade particular e localizada no sertão. Isso seria fundamental para que ela nascesse não como mais uma escola de medicina, mas como uma escola de medicina de qualidade. O regime de tempo integral foi, portanto, um elemento que diferenciou a FMTM de outras instituições privadas.

 

OS PRIMEIROS TEMPOS COMO INSTITUIÇÃO PRIVADA (1954- 1960)

O regime de tempo integral, considerado eixo fundamental do progresso do ensino médico, tornou-se o alicerce da FMTM, fato que provocava admiração e estranheza, devido às dificuldades para mantê-lo. Mas, também lhe abriu caminho para obter futuros recursos, como os da Fundação Rockfeller e da COSUPI, com os quais, a partir de 1957, foram mais bem equipados os laboratórios das cadeiras básicas, permitindo-lhes planejar e construir novas acomodações.

Os recursos disponíveis eram parcos, mas preciosos. Além das anuidades pagas pelos alunos (irrisórias para as despesas de uma escola médica) e da renda das apólices do estado, foi necessário um permanente trabalho para obtenção de mais recursos junto ao MEC e em outras fontes. Através do Ministro da Educação, Clóvis Salgado, garantiu-se uma dotação de 5 milhões de cruzeiros durante cinco anos. Em 1959, conseguiu-se uma verba do Ministério da Saúde, através de emenda no Senado, para o Hospital da Associação de Combate ao Câncer do Brasil Central (ACCBC), uma das unidades que já funcionava como hospital-escola.

 

A "OPERAÇÃO MED"

Às vésperas de 1959, ano da formatura da primeira turma, o Centro Acadêmico Gaspar Vianna (CAGV), órgão representativo dos alunos, fundado em 1954, empreendeu uma grande campanha entre alunos, pais de alunos, professores e a comunidade uberabense para uma ampla remodelação do prédio da FMTM, que se apresentava inadequado para a instalação de novas disciplinas e laboratórios (Fig.1), tendo como idealizador e grande líder o Prof. Mauritano Rodrigues Ferreira. A reforma, que transcorreu durante todo o ano de 1959, ficou conhecida como "OPERAÇÃO MED" e se tornou um motivo de grande orgulho para os alunos de todos os tempos (Figura 2).

 


Figura 2 - Alunos envolvidos na "Operação MED".

 

A Lei Municipal nº 5.346, de 19 de maio de 1994, decretou o tombamento do prédio da antiga Penitenciária do estado, depois transformado em instituição de ensino, devido à sua importância histórica e arquitetônica, pois, apesar das adaptações que sofreu, sua estrutura e estilo primitivos foram mantidos (Figura 1).

 

A CAMPANHA DA FEDERALIZAÇÃO: O PAPEL DO CAGV

Entre 1956 e 1960, o diretor, os professores e alunos empenharam-se duramente na luta pela federalização da Escola, cientes de que esta seria a única condição de sobrevivência da FMTM, dadas as dificuldades financeiras crescentes e a impossibilidade de obter recursos para criar e manter um hospital de clínicas.

Em março de 1956, através de "O Epíplon" - órgão noticioso oficial do Centro Acadêmico - o primeiro presidente, Wander Magalhães Moreira, lançava a campanha da federalização da Escola como "o objetivo máximo do CAGV". Esta campanha estendeu-se, através de avanços e recuos, obstáculos e grandes exemplos de solidariedade, pelos anos de 1956 a 1960, ano da federalização.

Por ocasião das festas do 1º Centenário da cidade de Uberaba, em maio de 1956, e da visita oficial do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira à Exposição Feira Agropecuária, o CAGV entregou-lhe ofício, assinado por todos os alunos, solicitando-lhe que completasse a sua obra, federalizando a FMTM e enfatizando a urgência da medida. O presidente visitou as dependências do Centro Acadêmico e ali fez sua primeira promessa: "prometo federalizá-la".6

Em 1957, criou-se uma comissão permanente para tratar do assunto: um grupo de alunos, juntamente com o Diretor, o Prefeito Municipal e fundador Jorge H. M. Furtado e o deputado Mário Palmério dirigiram-se ao Rio de Janeiro, onde cumpriram um intenso programa de contatos e audiências com diversas autoridades: o Ministro da Educação Clóvis Salgado - um dos mais autênticos defensores da federalização - seu chefe de gabinete, deputado Celso Brant, Ministro Paschoal Carlos Magno e o Professor Jurandir Lodi, Diretor do Ensino Superior do MEC.

A primeira medida concreta para a federalização chegou de surpresa: em 3 de junho de 1956, o senador mineiro, Arthur Bernardes Filho, a pedido da direção da FMTM, apresentara uma emenda ao projeto que tornava federal o Instituto de Química do Paraná, englobando no processo a FMTM. Entretanto, dias após, chega a desalentadora notícia de que a emenda caíra no Congresso.

Em abril de 1960, visitaram a FMTM os candidatos ao governo de Minas, Dr.Tancredo Neves, e à presidência da República, general Henrique Teixeira Lott. Ambos asseguraram que não mediriam esforços em favor da causa da federalização.

Mais uma vez, em maio, por ocasião da visita do presidente a Uberaba, os estudantes de Medicina o arrebataram, ainda no aeroporto, das mãos das lideranças rurais e políticas e o levaram, em ônibus, até à Faculdade. No trajeto, juntamente com o diretor, solicitaram-lhe que se manifestasse sobre o assunto, no seu discurso no Parque Fernando Costa, palco das exposições de gado zebu. O presidente assim o fez, prometendo enviar mensagem ao Congresso no seu retorno. A mensagem, acompanhada de exposição de motivos, foi realmente enviada em 14 de maio de 1960 e publicada no Diário Oficial, em 27 do mesmo mês.

Paralelamente, um grupo minoritário, mas poderoso, articulava a derrocada daquele projeto de lei que representava anos de luta e o futuro da FMTM, pretendendo transformá-la numa fundação. As controvérsias entre os que lutavam pela federalização e o grupo contrário levaram, em novembro, o Diretor Mozart Furtado, entusiasta e batalhador da causa, à atitude corajosa da renúncia, para não ceder ou compactuar com os opositores.5

Um fato político também viera colaborar para aquela decisão. A vitória, nas eleições de outubro de 1960, do candidato das oposições - Jânio Quadros - sinalizava para a possibilidade tanto de demissão do diretor, como de reversão do processo de federalização, que era defendido pelas forças políticas apoiadoras do candidato oficial derrotado, general Henrique Teixeira Lott. (Mozart Regis Furtado Nunes, comunicação pessoal)

A diretoria do CAGV, empossada em outubro de 1960, procurou movimentar toda a classe discente, buscando alianças nas forças sindicais da cidade, solicitando sua participação e envolvimento na campanha. As entidades responderam positivamente e o movimento ganhou as ruas, com passeatas, comícios e o envio de centenas de telegramas à Câmara e à Comissão de Educação e Finanças.

Em novembro, nova comissão do CAGV viaja para Brasília para acompanhar a votação da mensagem presidencial no Congresso, enquanto a diretoria do CAGV organizava, junto com outros diretórios acadêmicos da cidade, uma grande concentração popular. Como resultado, chegaram à Secretaria Geral da Câmara mais de quatro mil solicitações, entre ofícios, telegramas, cartas e circulares.6

A mensagem, aprovada pela Câmara em 25 de novembro de 1960, subiu ao Senado, sendo ali aprovada em 14 de dezembro de 1960 e recebendo a sanção presidencial em 18 de dezembro de 1960. Estavam presentes nesse ato, em Brasília, representantes da Diretoria e da Congregação da FMTM e uma comissão do CAGV. Logo após, o Presidente Juscelino K. de Oliveira recebeu toda a comissão no Palácio da Alvorada (Figura 3).

 


Figura 3 - Representantes do corpo docente e discente da FMTM recebidos pelo Presidente Jucelino Kubistschek de Oliveira no Palácio da Alvorada, por ocasião da Campanha de Federalização.

 

 

EVOLUÇÃO ADMINISTRATIVA E ACADÊMICA (1961 - 1981)

O período que se seguiu à federalização caracterizou-se pelas sucessivas gestões de professores que fizeram sua formação em diferentes Faculdades de Medicina do país: Randolfo Borges Júnior (dezembro de 1960-1962, Faculdade Nacional de Medicina-FNM, da Universidade do Brasil), Edmundo Chapadeiro (1962-1965, UFMG), Alfredo S. Sabino de Freitas (1965-1968, USP), Eduardo Velloso Vianna (1968-1973, Universidade Federal da Bahia-UFBA), Álvaro Lopes Cançado (1973-1977, FNM), João Francisco Naves Junqueira (1977-1981, FNM).

Caracterizou-se, ainda, pela adaptação às normas do serviço público, pela grande ampliação do espaço físico, através de construções realizadas tanto junto ao prédio central (Campus I), como junto à Santa Casa de Misericórdia (Campus II). E, finalmente, pela luta pela encampação e federalização da Santa Casa (1967/68) e construção do Hospital Escola (1971/1981).

Neste período, através de muitas opiniões divergentes, discutia-se o futuro da FMTM. Uma sugestão que ganhou corpo foi a da filiação à UFMG, idéia defendida pelo Ministro da Educação do governo Castelo Branco, Raimundo Muniz de Aragão. Esta idéia, surgida em 1964, prolongou- se até 1967, obtendo, inclusive, o apoio dos alunos que promoveram dois meses de greve em 1966, em defesa da proposta, maciçamente rejeitada pela Congregação.

Nesta ocasião, em entrevista publicada pelo Jornal Lavoura e Comércio, de 22 de abril de 1967, sob o título de "Universidade Federal de Uberaba é a solução", o Prof. Humberto de Oliveira Ferreira, Titular da cadeira de Pediatria da FMTM, inquirido sobre a posição do corpo docente em face à pretensão dos alunos, assim se expressou: "desejamos a criação da Universidade Federal de Uberaba. Nossa cidade (...) tem legítimo direito a esta aspiração."

Finalmente, depois de muitas articulações políticas, chegou-se a um consenso e a FMTM foi transformada em autarquia federal, pela Lei 70.686, de 7 de junho de 1972.

Remontando aos depoimentos de alguns diretores, é possível obter uma idéia mais concreta das dificuldades e lutas desse período.

O ano de 1961 foi de adaptação à nova realidade como Escola Federal. Na direção, estava provisoriamente o professor Dr. Randolfo Borges Jr, um dos seus fundadores, dedicado e idealista. Era a pessoa indicada para realizar a transição: respeitado e admirado como médico e como professor.

A tarefa era árdua, prolongada e penosa. Iniciou-se o processo de preenchimento das cadeiras que, no dizer daquele Diretor, foi "aborrecido e desgastante, principalmente junto ao corpo discente, que vetava professores, promovia greves e ignorava que os indicados tinham direitos adquiridos junto à Diretoria do Ensino Superior. Ultrapassada a crise, pudemos indicar alguns nomes para chefes das cadeiras. A liberação da verba, constante da lei que federalizou a Escola, foi muito difícil, devido à implantação do regime parlamentarista, quando as quedas dos ministros eram quase mensais."7

Sobre as dificuldades enfrentadas nestes primeiros tempos, assim se expressou o Prof. Edmundo Chapadeiro, primeiro diretor eleito após a federalização: "À euforia dos primeiros momentos, seguiu-se um período de depressão. Um ano se passou sem que fosse regularizada a situação dos professores catedráticos; e dois anos sem que fosse normalizada a situação dos funcionários administrativos e do pessoal técnico. Foi admirável, sem dúvida, a resistência quase estóica desses funcionários, passando alguns deles as maiores privações. Quanto aos professores assistentes, inteiramente desamparados pela lei da federalização, três anos de luta contínua foram necessários para que tivessem uma situação definida. E o corpo de assistentes, que era incompleto e sem estrutura, passou a contar com 47 professores auxiliares, distribuídos entre as diversas cadeiras, de acordo com a especialidade de cada um.

Embora muito já tivesse sido conseguido nesses três anos de federalização, a Faculdade continuava sem laboratório de Biofísica, Farmacologia, Microbiologia, por absoluta falta de espaço; a Biblioteca teve que fechar as suas portas. As perspectivas não eram boas nesse sentido: as dotações orçamentárias da Faculdade aumentavam em pequenos saltos de ano para ano e havia a crescente desvalorização do nosso dinheiro, que era insuficiente para se promover a instalação daqueles departamentos.

Estávamos (...) neste impasse, quando a Faculdade foi solicitada a receber 81 alunos excedentes, aprovados no vestibular (...) da Universidade Católica de Minas Gerais. Mostramos ao governo a impossibilidade de os recebermos, em vista da insuficiência de nossas instalações, o que somente seria possível mediante ajuda substancial. Recebemos 40 milhões de cruzeiros por três anos consecutivos (...) E, de fato, com apenas parte dos recursos liberados, (...) foi construído um novo pavilhão para instalação definitiva e com capacidade para 80 alunos, dos Departamentos de Anatomia Humana e Patologia. (...) No prédio primitivo puderam ser instalados os laboratórios de Biofísica, Farmacologia e Microbiologia. A Histologia tornou-se independente da Patologia e a Biblioteca foi reaberta e reorganizada.

Todavia, o ensino das cadeiras de clínicas continua difícil. A insuficiência de recursos (...) não tem permitido aos hospitais locais um padrão de assistência condizente com as necessidades do ensino clínico. " 8

 

AMPLIAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO E MELHORIAS NA QUALIDADE DO ENSINO

O atendimento às reivindicações do MEC em relação à aceitação da matrícula dos alunos excedentes gerou, durante alguns anos, recursos adicionais que se estenderam pelas administrações de 1962 a 1973 e que foram empregados na construção de três prédios anexos ao prédio central, e outras benfeitorias junto à Santa Casa de Misericórdia. No terreno do prédio central (Campus I), foram construídos mais dois prédios onde se instalaram a nova Biblioteca, salas de aula, laboratórios, a administração e a sede do Centro Acadêmico. No Campus II, junto à Santa Casa os dois anfiteatros, a sede própria da nova Biblioteca "Frei Eugênio" (1981); também foi providenciada a reforma e ampliação do Ambulatório "Maria da Glória".

Um convênio com o governo do estado de Minas Gerais, em 1962/63, permitiu a criação do Posto Médico Legal de Uberaba, junto ao necrotério da Santa Casa, fato importante, especialmente para as disciplinas de Anatomia e Patologia, para garantir a realização das sessões anátomo-clínicas, fundamentais para o desenvolvimento das cadeiras clínicas.

Como fruto dessas novas condições materiais, o ensino clínico passou a ser mais qualificado, facilitando a instalação da Residência Médica oficiosa em Pediatria e Anatomia Patológica.

Na vida acadêmica, merece registro a crescente qualificação do corpo docente, sendo realizada a primeira defesa de tese de Doutoramento (1965), de Docência Livre (1968) e o primeiro concurso para Professor Titular da Instituição (1977). A partir de 1974, é estabelecido um plano de expansão do pessoal docente. Para o provimento das vagas abertas, realizaram-se diversos concursos públicos para contratação de professores assistentes, professores adjuntos e auxiliares de ensino.

A partir do decreto Lei 96/66, toda a movimentação de verbas que, até então, era feita por delegação aos órgãos fazendários do estado, passa a ser realizada diretamente pelo Banco do Brasil, cabendo a cada instituição efetuar seus pagamentos, assumindo toda a responsabilidade pela ordenação de despesas. Ao Conselho Departamental, que substituiu o CTA, caberia fazer a proposta orçamentária e eleger a comissão de fiscalização e aplicação dos recursos recebidos.

No final da década de 70, encerra-se o período em que a FMTM foi dirigida por professores oriundos de outras faculdades. Daí em diante, ela terá sempre, como diretores, seus próprios ex-alunos.

 

A QUESTÃO DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS: OS CONVÊNIOS

Desde os primeiros tempos de funcionamento das Cadeiras Clínicas, a Santa Casa de Misericórdia (Figura 4) funcionou como o principal hospital disponível para a prática dos alunos.

 


Figura 4 - Santa Casa de Misericórdia construída em 1934 e que funcionou como Hospital das Clínicas da FMTM entre 1956 e 1982.

 

A construção da primeira Santa Casa de Uberaba teve início por volta de 1858, sob a direção do missionário capuchinho, Frei Eugênio Maria de Gênova. Com a morte de Frei Eugênio em 1871, as obras foram interrompidas e só retomadas mais tarde, sendo o hospital reinaugurado em 14 de junho de 1898. Funcionou sem interrupções até 1921, quando foi destruído por um incêndio.9

A reconstrução deveu-se ao trabalho do médico, então provedor da Santa Casa de Misericórdia, Dr. José de Oliveira Ferreira. As obras, iniciadas em 1926, foram concluídas em 1935. 10

Dada sua importância arquitetônica e histórica, o prédio da antiga Santa Casa de Misericórdia foi tombado, em 19 de maio de 1994, pela Lei Municipal no 5.348, do Poder Executivo Municipal.

Seu funcionamento sempre enfrentou grandes dificuldades. Em 1965, a Congregação das Irmãs Servas de Maria assumiu a administração, depois que as dominicanas se retiraram, encontrando o hospital em precária situação. Funcionavam apenas 70 leitos, não havia atendimento de emergência (que era feito no Ambulatório Maria da Glória situado no extremo oposto do terreno). O porão era utilizado para manutenção de um banco de sangue e dormitório de médicos residentes.

Em 8 de junho de 1967, o Decreto Federal nº 60.837 autorizou a incorporação da Santa Casa de Misericórdia ao patrimônio da FMTM, transformando-a, em agosto do mesmo ano, em hospital-escola. Em abril de 1968, após toda a tramitação burocrática, o patrimônio da Santa Casa incorporou-se definitivamente ao da União, passando a fazer parte da FMTM. Esta incorporação tornou-se possível graças à decisão da Diretoria e Provedoria da Santa Casa de Misericórdia que, naquela data, já contava com um expressivo número de professores da FMTM e era dirigida pelo Dr. Fausto da Cunha Oliveira, professor Catedrático de Ginecologia e Obstetrícia . A partir daí, abria-se para os futuros diretores o desafio de construir o Hospital- Escola.

Entre 1956 e 1982, data em que se completou a construção do Hospital-Escola, outros hospitais, além da Santa Casa, mantinham convênios com a FMTM, para funcionamento mais adequado do ensino das disciplinas clínicas:

Asilo São Vicente de Paula - primeiro Pronto Socorro, ambulatório inicial e local das primeiras necrópsias para fins de ensino.
Hospital da Criança - em 1955, já com 20 anos de funcionamento; recebeu a 1ª turma de doutorandos em 1959.
Instituto dos Cegos do Brasil Central - antiga entidade filantrópica onde se instalou o Hospital Oftalmológico.
Associação de Combate ao Câncer do Brasil Central (ACCBC), hoje Hospital Hélio Angotti, - um dos primeiros a oferecer suas instalações para o ensino prático.
Sanatório Espírita - Hospital Psiquiátrico que ofereceu a prática de psiquiatria.
Hospital do Pênfigo - também filantrópico, deu suporte à prática de dermatologia.

 

A CONSTRUÇÃO DO HOSPITAL-ESCOLA

O projeto de construção denominado "Projeto de Ampliação do Hospital-Escola", elaborado na gestão do Prof. Eduardo Velloso Vianna, teve de ser reformulado e modificado na gestão seguinte, do Prof. Álvaro Lopes Cançado, pois apresentava algumas dificuldades e super dimensionamento de alguns itens. Apesar das restrições feitas pelo MEC, que exigia o reinício de todo o processo, o Diretor contratou diretamente uma firma especializada, justificando aos órgãos competentes a urgência da obra e alegando os prejuízos que o retardamento das mesmas traria à Instituição.

Em 1977, o diretor, João Francisco Naves Junqueira, constatou que, apesar de todos os esforços do período anterior, o hospital ainda estava para ser construído: havia apenas um esqueleto que era urgente completar. Durante um ano e meio, ele buscou apoio político para obter as verbas necessárias para o prosseguimento das obras e para superar um obstáculo inesperado: a aprovação da planta do hospital que, naquele momento, dependia de adequação às novas exigências do Ministério da Saúde. Novos problemas surgiram também em Uberaba, para obter a aprovação do prefeito e do Serviço de Águas para a realização do dispendioso trabalho de implantação da rede de água e esgoto.

No final dos anos 70, reformado o antigo hospital da Santa Casa e somando-se à parte construída as portarias e os blocos A, B e C, o HE atingira uma área de 11.598m2, onde se agrupavam importantes departamentos. Passara também por um processo de modernização e avanço tecnológico significativo: os equipamentos foram substituídos por modelos mais recentes e as enfermarias já contavam com 122 leitos.

 

EVOLUÇÃO ADMINISTRATIVA E ACADÊMICA (1981-2003)

Nestes decênios, a FMTM teve como diretores os seguintes ex-alunos: José Fernando Borges Bento (outubro 1981 - outubro 1985), Nilson Camargos Roso (outubro 1985 - outubro 1989; outubro 1993 - outubro 1997), Valdemar Hial (outubro 1989 - outubro 1993; outubro 1997 - outubro 2001), Edson Luiz Fernandes (outubro 2001 - outubro 2005).

O período se caracterizou pela grande expansão do espaço físico, decorrente das construções junto ao Campus II, transformado em um verdadeiro complexo hospitalar pelo crescente incentivo à capacitação do corpo docente e pela instalação de novos cursos na área de saúde.

A década de 80 se inicia com uma verdadeira batalha para nomeação dos funcionários do Hospital-Escola (HE), recém-inaugurado e fechado por falta de recursos humanos. O Governo Federal proibira a contratação de funcionários. O diretor da época, José Fernando B. Bento, precisou usar um perigoso e ousado estratagema para conseguir as nomeações dos 300 concursados para o trabalho no HE.

Através da criação da Fundação de Ensino e Pesquisa de Uberaba (FUNEPU), obteve-se um convênio com o INAMPS, que trouxe novos recursos para a manutenção do HE e para equipá-lo melhor.

Ainda nos anos 80, teve início o trabalho para a criação da pós-graduação stricto sensu. A instalação da pós-graduação, através do Curso de Patologia, veio completar o estágio de maturidade científica em que a FMTM se encontrava. Em 1996, a CAPES concedeu nível A ao mestrado daquele curso, o que, segundo o Diretor Nilson C. Roso, "colocou a Faculdade como instituição possuidora de massa crítica e desenvolvimento científico, tornando-se a "sala de visitas" da FMTM junto ao MEC e, principalmente, junto aos órgãos financiadores como CAPES, CNPq, FINEP e FAPEMIG". Buscou-se, também, enriquecer o corpo docente da Instituição, trazendo da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade do Estado de São Paulo (UNESP) e da UFMG novos professores já titulados. (Nilson C. Roso, comunicação pessoal).

A estrutura organizacional foi bastante modificada e modernizada com a criação de novos cargos de chefia, que resultaram nas diversas Pró-diretorias e Coordenadorias.

Na área de informática, deu-se um grande passo com a aquisição de um moderno computador que permitiu a implantação da informática hospitalar. Os profissionais desta área constituíram o Departamento de Sistemas e Métodos (DSIM).

A partir de 1989, o sistema de escolha do diretor sofreu uma mudança substancial, dentro do espírito de democratização da gestão e maior participação e responsabilidade das pessoas na vida das instituições, incentivado e previsto na Constituição de 1988 e na nova legislação do ensino daí decorrente. Os diretores e vice-diretores, desde a federalização, eram escolhidos pela Congregação, em uma lista, a princípio tríplice, e depois sêxtupla, enviada a seguir ao MEC, para a escolha final que, geralmente, recaía sobre quem obtivera maior número de votos. A partir daquele ano, toda a comunidade (docentes, discentes e pessoal técnico-administrativo) passa a ser consultada. Este sistema sofreu, mais tarde, algumas modificações, sendo atribuídos pesos diferentes aos votos de cada segmento e estabelecendo-se uma média ponderal.

No início dos anos 90, elaborou-se um Plano Diretor baseado no tripé da universidade: Ensino, Pesquisa e Extensão e Assistência na Área da Saúde, e implantou-se, em 1993, uma nova estrutura organizacional que permanece até os dias de hoje. Em 1991, um novo currículo foi proposto, criando novas disciplinas e adaptando o ensino às necessidades representadas pela rápida evolução da carreira médica.

A partir de 1995, a FMTM passa a integrar a CINAEM (Comissão Interinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico), visando reverter o rumo da educação médica, até então centrada nos hospitais, para aquela voltada a atender as necessidades sociais, colocadas em prática pela concretização do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 1997, a Faculdade sedia o 35º Congresso Brasileiro da Associação Brasileira de Educação Médica e vem, desde então, tentando modificar a filosofia vigente tradicional do educar médico, centrando no aluno o processo ensino-aprendizagem e tentando capacitar seu quadro docente rumo às novas diretrizes da educação em saúde. Essas medidas resultaram na criação do estágio em Saúde Coletiva, cujo internato teve o período de sua integralização ampliado de um para dois anos. (Prof.Marcos Fábio Prata Lima, comunicação pessoal).

A estrutura física da Escola tem sido bastante ampliada, com aquisição de vários terrenos em torno do Campus II, para instalação de novos serviços e departamentos. Entre estas construções, devem ser relacionados o Centro de Reabilitação "Fausto da Cunha Oliveira", o Centro Educacional e Administrativo (CEA), a Central de Material e Medicamentos (CEMAM), o Hemocentro, a Clínica Civil, o novo ambulatório da FUNEPU e a reforma total do Ambulatório "Maria da Glória". Fora dos dois Campus, no bairro das Mercês, foi anexado pela FMTM o Centro Poliesportivo, construído anos antes, em parceria com a Faculdade de Zootecnia e Agronomia (FAZU), o Biotério Central e o Canil.

 

A IMPLANTAÇÃO DE OUTROS CURSOS

A falta de técnicos na área da Saúde para atender a demanda dos hospitais e serviços de Saúde levou à criação do Centro de Formação Especial de 2º Grau em Saúde (CEFORES), implantado em 1989/1990 e do Curso de Enfermagem, iniciado em 1989. Em 1999, foi implantado o curso de BIOMEDICINA que, em 2003, forma sua primeira turma.

Em 1987, durante uma reunião do CODESFI - (Conselho dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior), um dos convidados, o Sr. Geraldo Navarro, da Secretaria de Controle Interno do MEC, sugeriu, em conversa com o professor Edmundo Chapadeiro, que a Faculdade passasse a ministrar cursos técnicos na área da Saúde e que os iniciasse por um curso de preparação de técnicos para Anatomia Patológica. Assim nasceu a idéia, pois a falta desses profissionais era e ainda é um dos problemas que o Brasil enfrenta.(Nilson C. Roso, comunicação pessoal)

No ano de 1988, a FMTM, através do Serviço de Patologia Cirúrgica e da disciplina Patologia Especial, ministrou o Curso de Histotecnologia, que foi bem-sucedido e motivou a criação de outros cursos na área técnica.

No primeiro semestre de 1989, foi criado o Projeto CEFORES - Centro de Formação Especial de 2º Grau em Saúde - baseado nos recursos humanos da FMTM e nas necessidades da cidade e da região. Porém, o CEFORES só foi implantado no ano seguinte pela Portaria nº 73, de 29 de junho de 1990, da Secretaria Nacional de Educação Tecnológica, do MEC, que autorizou o seu funcionamento, com sete habilitações profissionais. Em 16 de julho de 1992, a Portaria nº 435, da mesma Secretaria, declara a regularidade dos Cursos Técnicos em: Enfermagem, Radiologia Médica, Auxiliar de Farmácia e Auxiliar de Enfermagem. Em julho de 1997, foi regularizado o Curso de Técnico em Patologia Clínica, autorizado o Curso de Suplência em Auxiliar de Enfermagem e a transformação do Curso de Auxiliar de Farmácia em Curso Técnico de Farmácia.

A criação do Curso de Enfermagem merece uma retrospectiva histórica. Uberaba sediara, de 1948 a 1980, uma Escola de Enfermagem denominada "Frei Eugênio", mantida pelas Irmãs Dominicanas. Funcionou, inicialmente, na Santa Casa de Misericórdia (1948 e 1955) e, depois, em prédio próprio, anexo ao Hospital São Domingos.

Em 1986, o diretor das Faculdades Integradas de Uberaba (FIUBE) procurou o diretor da FMTM, para propor um convênio entre as duas instituições, a fim de viabilizar a criação de um Curso de Enfermagem. Levada a solicitação à Congregação da FMTM, esta a rejeitou unanimemente e pediu ao diretor que estudasse a viabilidade de criá-lo dentro da própria instituição. Justificava-se a sua instalação pela carência de profissionais na região. O projeto ficou algum tempo parado no MEC, até que o Presidente Sarney o autorizou pelo Decreto 97.081 de 21/11/1988. (Nilson C. Roso, comunicação pessoal)

Inicialmente, o Curso deveria oferecer duas habilitações: Enfermagem Médico-Cirúrgica e Enfermagem Obstétrica. Mas, "percebendo-se que isso seria um fator de restrição que não resolveria integralmente as demandas regionais e locais já diagnosticadas, definiu-se pela oferta apenas da Habilitação Geral em Enfermagem" (Processo de Reconhecimento, 1992)

A Portaria nº 893, de 11 de junho de 1992, assinada pelo Ministro da Educação José Goldenberg, concedeu o Reconhecimento do Curso que se instalou, inicialmente, no prédio da antiga Escola de Enfermagem Frei Eugênio. Aí, funcionou até 1993, quando se transferiu para o Campus I da FMTM.

O Curso já passou por quatro reformas curriculares, atendendo ao MEC e ao Conselho Federal de Enfermagem. Em 1991, tornou-se semestral e mudou sua denominação para Curso de Graduação em Enfermagem (CGE).

Em reunião da Congregação, realizada em 13 de agosto de 1993, a proposta de criação de seis novos cursos na Instituição comprovavam o seu interesse pela criação da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e tinha por objetivo criar condições para a aprovação do projeto. Logo a seguir, no dia 16, as cartas-consultas sobre a questão foram protocoladas no Conselho Federal de Educação.

Em 19 de outubro de 1994, o então Ministro da Educação e do Desporto, Murilo Hingel, em visita a Uberaba, anunciou que cabia à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal votar o projeto de transformação da FMTM em Universidade.

Após transitar pelas diferentes comissões do Congresso, a Coordenadoria Geral de Planejamento e Articulação do MEC, em 27 do mesmo mês, pautada no critério de "excelência acadêmica", considerou "inoportuna a transformação da FMTM em Universidade", sendo o projeto, então, arquivado.

Em dezembro de 1998, submeteu-se novamente ao MEC o Projeto para transformação da FMTM em Universidade Especializada na Área da Saúde. A oportunidade para criação de universidades especializadas surgira com a aprovação, em 1996, da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação. No referido projeto, constava a proposta de criação do Curso de Ciências Biológicas -Modalidade Médica. Devido à recomendação constante do ofício COSUP/SESu/MEC/2344/99, para oferta do citado curso, a proposta para sua criação foi protocolada em março de 1999. No final de junho, o Ministro Paulo Renato Souza concedeu a autorização para a implantação do Bacharelado (Portaria 966/99), com 20 vagas anuais.

O objetivo do curso era formar profissionais e docentes para integrarem os grupos de pesquisa em diferentes áreas de Saúde, tais como Bioquímica, Biofísica, Microbiologia, Biologia Molecular, Parasitologia, Fisiologia e Patologia, assim como para ingressarem na carreira docente em outras instituições de Ensino Superior. Em 2002, a FMTM resolve ampliar as habilidades daqueles futuros profissionais, concedendo-lhes habilitação em Análises Clínicas e mudando a denominação do curso para Biomedicina. O curso, em tempo integral, tem a duração de oito períodos diurnos. Em julho de 1999, realizou-se o primeiro exame vestibular que bateu recorde de disputa: 261 candidatos para as dez vagas oferecidas para o 1º período.

Espera-se, para os próximos meses, a autorização de funcionamento do Curso de Nutrição e, em seguida, o de Fisioterapia e Terapia Ocupacional.

 

AMPLIAÇÃO E MELHORAMENTOS NO HE

Inaugurado em agosto de 1981, o novo complexo hospitalar do HE totalizava 8.223m2, sendo entregue ao público em janeiro de 1982. Na segunda metade da década de 80, iniciou-se a construção do bloco D e foram completadas as ligações internas entre os diferentes blocos. O Ambulatório Maria da Glória foi ampliado de 530m2 para 1.813m2. (Figura 5)

 


Figura 5 - Vista aérea do complexo Hopitalar e Administrativo da FMTM (Campus 2).

 

Hoje, o Hospital-Escola com sua sede própria, seus dois ambulatórios e o Centro de Reabilitação representam 20.780 m2 de área construída, abrigando 343 leitos, 148 consultórios e 18 salas de cirurgia. É o principal campo de aprendizado dos cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Biomedicina, dos Cursos Técnicos, assim como dos de Pós-Graduação. É, ainda, centro de referência em média e alta complexidade para os pacientes do SUS. Detém tecnologia de ponta, desenvolvendo procedimentos de alta complexidade, em várias especialidades médicas.

Acompanhando a modernização e os avanços tecnológicos na área da saúde, foram implantados os Laboratórios de Pesquisa em Imunologia e de Bioquímica e, no HE, os Setores de Hemodinâmica e Litotripsia e Extra-corpórea, Cirurgia Cardíaca e Tomografia Computadorizada.

No entanto, como no passado, a situação do HE tem sido, com poucas exceções, permanentemente crítica, pondo em risco não só a formação dos futuros profissionais de saúde da FMTM, como o atendimento de mais de 1,5 milhão de cidadãos. Nos últimos tempos, o HE tem vivido graves problemas financeiros, o que obrigou a direção atual a suspender, em 26 de novembro de 2002, as internações seletivas e a desativar gradativamente o seu funcionamento. Em 2003, ainda em meio a grandes dificuldades, reiniciou as cirurgias eletivas e reativou, em fevereiro, cerca de 200 leitos.

Apesar das dificuldades, o HE, em 2002 (entre Pronto Socorro, enfermarias ambulatórios, UTIs, Centro de Reabilitação, isolamento) atendeu 346.985 pacientes, compreendendo 848.918 procedimentos. Entre esses pacientes, estão cidadãos de 405 cidades, oriundos de 14 diferentes estados da União.

 

A PESQUISA E A PÓS-GRADUAÇÃO "SENSU STRICTO"

Existem registros de pesquisas na área de Saúde em Uberaba antes mesmo da fundação da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, como comprova o levantamento bibliográfico coordenado por Thomazelli et al. em 1989. Os Anais dos Congressos Médicos do Triângulo Mineiro e do Brasil Central, na década de 40, a Revista Médica da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Uberaba (1950) e alguns outros dados ratificam essa afirmativa.

Mas é a instalação da FMTM em 1953 que, sem dúvida, constitui o grande marco para o desenvolvimento da pesquisa na área da Saúde, não só em Uberaba como em todo o Triângulo Mineiro.

Nos primeiros tempos de funcionamento da FMTM, questionou-se muito a validade de se desenvolver esta atividade numa instituição particular, com escassos recursos e localizada em pleno interior do país, dadas as dificuldades naturais que todo trabalho de pesquisa envolve. Contudo, a visão de alguns dos primeiros professores da FMTM mostrou ser possível realizar trabalhos científicos de valor, mesmo nas precárias condições da época. Esses pioneiros entendiam que a pesquisa - além de melhorar a qualidade dos docentes e discentes - confere aos primeiros uma visão crítica, e não apenas livresca, de grande valor para o ensino.

Acreditavam, também, que cabe ao pesquisador procurar soluções para os problemas que afligem o meio onde exerce as suas atividades, trazendo benefícios à comunidade. Tinham ainda consciência de que uma boa pesquisa não só projeta nacional e internacionalmente as instituições, como atrai recursos e vantagens: estimula a vinda de novos profissionais qualificados, facilita intercâmbios científicos e com órgãos de fomento, complementa o equipamento de laboratórios, permite melhorar o acervo da biblioteca, etc.

Por ocasião da criação da FMTM, um dos maiores problemas médico-sociais - senão o maior - do Brasil Central era a alta freqüência da Doença de Chagas (DC). Constituía um verdadeiro desafio aos pesquisadores da Instituição esclarecer inúmeros aspectos até então obscuros que a tripanossomiase apresentava. A FMTM respondeu a esse desafio em poucos anos, desenvolvendo projetos de pesquisa sobre o tema, a exemplo do ocorrera poucos anos antes, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP).

As primeiras pesquisas desenvolvidas na FMTM em DC, estavam relacionadas à anatomia patológica, ao ciclo gravídico puerperal, à forma aguda e à terapêutica.

Também foram de grande importância, não só histórica, mas também científica, as pesquisas realizadas entre 1955 e 1958 pelo então professor da FMTM, Dr. Adib Jatene, que, décadas depois, viria a ser Ministro da Saúde. Seus trabalhos - que culminaram no projeto e fabricação de um "coração-pulmão" - foram assim descritos pelo ex-professor, Dr. Randolfo Borges: "arrastando toda sorte de sacrifícios, inevitáveis em um empreendimento desta natureza, sacrificando suas horas de lazer, mobilizando esforços e energia, o ilustre médico fabricou um aparelho que lhe permitiu operar vinte cães, com sobrevida, coroando-se, assim, as experiências no coração a céu aberto."

Devem ser salientadas, também, as pesquisas desenvolvidas, ainda na década de 60, pelo Professor Josefino Aleixo, no Hospital do Pênfigo de Uberaba, sediado nesse tempo junto à Santa Casa de Misericórdia.

A partir de 1970, surgiram trabalhos que permitiram a criação de linhas de pesquisa em outras áreas, especialmente em Bioquímica, Hematologia, Fisiologia, Morfologia, Ortopedia, Nutrição, Cirurgia, Parasitologia, Imunologia.

Em 1977, com auxílio do Conselho Nacional de Pesquisa do Brasil (CNPq), a FMTM instalou, na vizinha cidade de Água Comprida, um campo para estudo da DC até hoje em atividade.

A criação da pós-graduação stricto sensu deu ensejo a que novos professores e pesquisadores se fixassem na FMTM. Dentre outros, retornou a sua terra natal o Prof. Aluízio Rosa Prata, criador do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade de Brasília (NMT/Unb). Com a sua vinda, estreitaram-se as relações entre a FMTM e o NMT/Unb, o que estimulou o aprofundamento de pesquisas na FMTM em outras doenças tropicais, sobretudo leishmanioses, malária e paracoccidiodomicose.

Em 1971, o CNPq passou a apoiar a FMTM, especialmente por meio do Programa Integrado de Doenças Endêmicas(PIDE). A partir de 1976, outros órgãos internacionais passaram também, a financiar alguns dos programas de pesquisa desenvolvidos na Instituição. Nos últimos anos, dezenas de projetos vêm sendo financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG).

Essas pesquisas tiveram também papel fundamental no estabelecimento de convênios com outras instituições de ensino e pesquisa do Brasil e de outros países: Fundação Oswaldo Cruz, Ministério da Saúde, Instituto Nacional de Saúde Pública (Estados Unidos da América), Centro de Imunologia de Marseille-Luminy (França), Centro de Patologia e Imunologia Celular da Cidade do Porto (Portugal), entre outros.

Cabe realçar que essas atividades de pesquisa contribuíram para que a FMTM, que em 1960 contava com apenas três livre-docentes e dois doutores em seu quadro de professores, seja hoje uma das instituições médicas brasileiras com maior percentual de mestres e doutores no seu corpo docente.

A existência de linhas de pesquisa, algumas altamente produtivas, associadas à política de qualificação do corpo docente, veio facilitar a implantação na FMTM, a partir de 1987, de Cursos Pós-Graduação "sensu stricto". O primeiro a ser criado foi o de Patologia, recomendado pela Capes em 31 de julho de 1987.

Atualmente, a Instituição mantém dois cursos de pós-graduação "sensu stricto", ambos em nível de mestrado e doutorado. O Curso de Pós-Graduação em Patologia, em seus quinze anos de funcionamento, formou 33 mestres e 11 doutores. Oferece, atualmente, cinco áreas de concentração: Anatomia Patológica e Patologia Forense1, Patologia Clínica2, Patologia Geral2, Patologia Ginecológica e Obstétrica1, Patologia Tropical1. Em 2003, 32 alunos matricularam-se no Curso de Mestrado e 17, no de Doutorado.

Em fevereiro de 1998, foi criado o Curso de Pós-Graduação em Medicina Tropical e Infectologia, que oferece duas áreas de concentração: Clínica de Doenças Infecciosas e Parasitárias (Obs.1) e Parasitologia e Imunologia Aplicadas (Obs.2). Este curso formou até 2002 sete mestres e, atualmente, tem 33 alunos matriculados (2003).

Estes dois Cursos de Pós- Graduação, desde sua criação, têm sido avaliados positivamente pela CAPES, obtendo nota 4, na última avaliação.

Obs. 1-oferecidos apenas a graduados em Medicina; Obs. 2-oferecidos a graduados em cursos da área de saúde.

 

AS ATIVIDADES DE EXTENSÃO E A PÓS-GRADUAÇÃO "SENSU LATO"

A atenção para com as atividades de extensão remonta aos primeiros anos da FMTM. Em 1963, por iniciativa de um grupo de alunos, fundou-se a "Liga Brasileira de Combate à Moléstia de Chagas"-Secção de Uberaba, com o objetivo de colaborar na divulgação de ações necessárias para melhor conhecimento da doença e dos meios de evitá-la e tratá-la.

O Departamento Científico do CAGV, nesse mesmo ano, promoveu o 1º Curso Anual de Eletrocardiografia, sob a orientação dos profs. Randolfo Borges Jr, Ézio de Martino e Sylvio Pontes Prata, que se prolonga até os dias atuais, tendo completado, pois, 40 anos de atividade.

Outro importante projeto de extensão, o "Programa de Bem-Estar da Família" foi implantado pela disciplina de Ginecologia e Obstetrícia, sob a orientação dos Profs. Dr. Fausto da Cunha Oliveira e Dra. Rosa Maria Bilharinho. Tinha por objetivo dar orientação a mulheres jovens sobre educação sexual, planejamento familiar e métodos de controle da natalidade. Depois, com a denominação de "Planejamento Familiar", o programa continua prestando orientação e assistência aos casais, para um planejamento responsável de suas famílias.

As atividades de Extensão, desenvolvidas por todo o complexo da FMTM, vêm se constituindo em um processo educativo, cultural e científico, que tem procurado contribuir para a ação transformadora da Faculdade e da sociedade. Ao longo do tempo, vêm sendo desenvolvidas ações de extensão, através de programas, projetos, eventos, cursos e prestação de serviços, na área hospitalar e saúde coletiva, além de atividades voltadas para o atendimento de necessidades sociais.

Nos últimos anos, vem ganhando destaque as Ligas de Trauma, Oncologia e Hipertensão Arterial.

Algumas atividades estão mais voltadas para a área de Saúde, levando os alunos a vivenciar a realidade da estrutura dos serviços e atender às necessidades básicas da população. Outras têm por objetivo proporcionar novos conhecimentos e estimular novos contatos e relações com a comunidade.

A partir de 2001, a FMTM passou a oferecer, dentro dos programas de Pós-Graduação Sensu Lato, 21 Programas de Residência Médica. A própria FMTM vem complementando, com recursos próprios, o custeio de novas bolsas para alunos desses cursos. Em 2003, estão matriculados 132 médicos nos diferentes programas de Residência Médica oferecidos. A Instituição oferta, ainda, desde 1998, o Curso de Especialização em Medicina Tropical e Infectologia (com 10 vagas), Curso de Especialização em Saúde Coletiva (40 vagas), que, até 1996, tinha financiamento pela CAPES. Funciona também um Curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica com 15 vagas.

A FMTM, em parceria com o Ministério da Saúde, vem ofertando, desde 2001, o Curso de Especialização em Saúde da Família, em associação com a UFMG. Vem também promovendo Cursos de Profissionalização dos Trabalhadores em Enfermagem (PROFAE), com recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), tendo já formado profissionais das regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

Atualmente, a Instituição desenvolve cerca de trinta outros programas de extensão.

 

CONCLUSÃO

A FMTM tem enfrentado, a partir da última década do século XX, uma série de problemas decorrentes da nova ordem econômica mundial e seus reflexos no país, em especial na educação superior:

decréscimo geral do orçamento da FMTM, com cortes nos recursos para custeio, manutenção e programas de fomento de ensino, pesquisa e extensão;
falta de concessão de ajustes salariais, gerando perspectivas negativas para as carreiras docente e técnico-administrativas;
mudanças anunciadas na previdência social, provocando insegurança e aumento das aposentadorias, com a impossibilidade de repor os recursos humanos;
a situação crítica dos Hospitais Universitários, o que levou o HE a fechar suas portas por absoluta falta de recursos humanos e materiais, no final de 2002;
situação de falência da FUNEPU, com reflexos negativos na manutenção da FMTM e do HE.

A situação atual e o futuro do Hospital-Escola sinalizam para a necessidade de uma grande mobilização de toda a comunidade da FMTM e de Uberaba numa nova OPERAÇÃO MED que possa resgatar a importante atuação desta Instituição, um grande orgulho para os uberabenses nos últimos 50 anos.

Paralelamente, retoma-se o antigo projeto de transformação da FMTM em Universidade.

O crescimento e os avanços da FMTM foram resumidamente demonstrados neste texto. O sonho e a persistência dos fundadores, o idealismo, a coragem e o compromisso dos diretores e professores, a dedicação e o esforço dos funcionários, a esperança, a ousadia e as lutas dos estudantes frutificaram e estão expressos nas 45 turmas de Medicina, totalizando 2924 médicos (dos quais aproximadamente 600 fixaram-se em Uberaba); 12 turmas de Enfermagem, com 326 enfermeiros; 1.922 técnicos em Saúde e a primeira turma de oito biomédicos.

Todos estes profissionais hoje se espalham pelo Brasil, dando sua contribuição à melhoria da saúde do povo brasileiro. Parafraseando Monsenhor Juvenal Arduini, pode-se dizer que a "semente miúda", mas fértil, nascida no solo considerado estéril, dos chapadões do sertão, pisada e machucada por pressões, brotou, tornou-se árvore e pelos seus frutos entregou uma herança. O crescente número de candidatos ao vestibular da FMTM que, a partir de 1996, atingiu mais de 7.000 candidatos para 80 vagas (4.869 para 40 vagas, só no vestibular do 2º semestre de 2003) é a grande demonstração do nível de qualificação que a Instituição atingiu.

Hoje, a Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, com seus 50 anos vividos, no apogeu de sua maturidade e capacidade produtiva, está a enfrentar, da mesma forma como quando menina-moça, os novos desafios que lhe são impostos neste recém-inaugurado século XXI. Eles continuarão a exigir de todos os seus construtores a mesma dedicação, criatividade e coragem que a caracterizaram no passado, na busca de novas soluções para os novos problemas e situações adversas, sempre presentes na vida das pessoas e das instituições.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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