RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 24. (Suppl.6) DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20140090

Voltar ao Sumário

Artigos Originais

A linguagem viva da divulgaçao científica como gênero discursivo: a palavra própria e a palavra do outro na enunciaçao do especialista e do nao especialista

The living language of scientific divulgation as a discursive genre: one's own word and the other's word in the specialist's and the non-specialist's enunciation

Edson Nascimento Campos

Graduado em Letras. Doutor em Educação. Professor da Faculdade de Saúde e Ecologia Humana - FASEH. Vespasiano, MG - Brasil

Endereço para correspondência

Edson Nascimento Campos
E-mail: edncampos@gmail.com

Instituição: Faculdade da Saúde e Ecologia Humana - FASEH Vespasiano, MG - Brasil

Resumo

O gênero da divulgaçao científica pode ser constituído pela açao da linguagem da palavra própria de um locutor, o divulgador, que se esforça para fazer a aproximaçao compreensiva da linguagem do especialista (Ciência) à linguagem do nao especialista (público). Em virtude disso, os textos de tal gênero fazem aparecer a linguagem da ciência e a linguagem do público sem que uma variedade seja considerada melhor ou pior que outra, uma vez que a compreensao ativa do nao especialista é marcada pela força constitutiva da variedade da linguagem do especialista, e vice-versa. Assim, tal gênero se constitui como experiência dialógica de mediaçao de linguagem, determinada pela palavra viva do divulgador que é, também, determinada pelo cruzamento da palavra viva de enunciaçoes diferentes - a do especialista e a do nao especialista - a fim de facilitar a compreensao do público, como efeito discursivo de linguagem, quando esse evento compreensivo é experimentado, como açao dialógica, pelo ouvinte ou pelo leitor.

Palavras-chave: Comunicaçao e Divulgaçao Científica; Publicaçoes de Divulgaçao Científica; Linguagem; Literatura; Filologia; Especializaçao.

 

INTRODUÇAO

A multiplicaçao, no Brasil contemporâneo, das oportunidades de atendimento da saúde a um público cada vez mais amplo e diversificado vem intensificando, em consequência, a exposiçao de um contingente cada vez mais numeroso de nao especialistas aos saberes científicos dos especialistas em saúde.

Tal exposiçao ampliada obriga a certa compreensao ativa por parte da recepçao do leigo, ou do público em geral, e nisso reside um obstáculo socialmente produzido: como garantir o acesso compreensivo do nao especialista ao saber do especialista quando o saber científico é gerado em condiçoes de produçao que estao socialmente distantes da recepçao do nao especialista. Tem-se, desse modo, um fosso que separa a produçao e a recepçao do saber, o que tornaria impossível a comunicaçao, por exemplo, na relaçao do médico, o especialista, com seu paciente, o nao especialista.

Para administrar essa impossibilidade, cria-se, socialmente, de modo mais sistemático, a figura do divulgador, profissional dotado de conhecimentos e habilidades de promoçao do uso enunciativo da linguagem, ao executar a possibilidade do trabalho de tentar, democraticamente, a aproximaçao da experiência enunciativa do público, o nao especialista, daquela experiência de linguagem que lhe é distante: a enunciaçao do cientista.

Institucionaliza-se, pois, a figura social do divulgador e se oficializa, socialmente, a construçao de linguagem, o gênero discursivo da divulgaçao científica1 naquela variedade de gênero que contempla a palavra própria do divulgador, integrada à rearticulaçao de enunciaçoes da palavra do outro - a do cientista e a do público - que, paradoxalmente, precisam estar próximas quando sao produzidas, socialmente, para estarem distantes.

Diante de tais criaçoes, no intuito de viabilizar o seu entendimento, a fim de que o profissional da saúde possa rever suas experiências de linguagem no exercício de sua profissao, articula-se, neste artigo, metodologicamente, a oportunidade social de uso da abordagem bakhtiniana dos estudos filosóficos da dialogia da linguagem2,3 ao considerar, como objeto teórico-metodológico, a articulaçao enunciativa do discurso, quando a realizaçao linguística da relaçao dos usuários é tratada na relaçao com o contexto mais amplo da dimensao extralinguística.2,4,5

 

OBJETIVOS

Este trabalho, como proposiçao, procura esclarecer o funcionamento da linguagem na experiência de comunicaçao do gênero da divulgaçao científica. Para tanto, estabelece as condiçoes fundamentais sem as quais tal comunicaçao nao se constitui: a interaçao, a linguagem, a significaçao, a alteridade, a interlocuçao.

A partir desses fundamentos, aborda a mediaçao como categoria metodológica que viabiliza, pela responsividade dos interlocutores, a constituiçao da significaçao com a especificidade concreta do sentido. Com esse cenário metodológico, considera, ainda, a interlocuçao como construçao que determina o surgimento da enunciaçao, do discurso, dos efeitos discursivos e daquela nova linguística: a translinguística.4,5

Em decorrência, toma, como objetivo, a caracterizaçao de gênero discursivo como modo de organizaçao das experiências de produçao de sentido pela direçao filosófica do dialogismo da linguagem.1,3,6

De tal direçao, extrai, consequentemente, a caracterizaçao específica do gênero discursivo da divulgaçao científica como experiência dialógica de linguagem que se articula, de modo tenso, na aproximaçao e no distanciamento de enunciaçoes integradas pela açao da palavra própria do divulgador, ao escrever ou falar, tendo em mira a atividade dialógica do ouvinte e do leitor.

Nesse quadro de especificaçao, examina, também, para tal gênero de discurso, o desdobramento fundamental dos efeitos discursivos como resultantes da constituiçao enunciativa da linguagem em funcionamento aí efetivado.

Finalmente, no intuito de demonstrar a produçao da experiência - com a linguagem - exigida por tal gênero discursivo, o artigo coloca em cena, exemplificando, a experiência viva das construçoes enunciativas que dramatizam a força teatral dos usuários às voltas com a linguagem e seus usos.

Desse modo, pretende-se demonstrar que os textos falados, ou escritos, ouvidos e lidos, podem e dever ser observados como realizaçoes de uma linguística que vai além de si mesma, abrindo espaços para a açao de uma metalinguística, reconhecida, ainda, como translinguística, ao ser constituída, como tal, pelas determinaçoes enunciativas de uma açao extralinguística.2,4,5

Comunicaçao e interaçao

A experiência de comunicaçao acontece na interaçao do locutor com seu alocutário, ou interlocutor, o que significa dizer que o locutor, como sujeito, precisa propor a experiência de construçao da significaçao, viabilizada pela materialidade da linguagem, da qual participa integradamente o seu alocutário.

Nessa experiência, o locutor, agente de linguagem que ocupa a posiçao de um, projeta a constituiçao significativa de seu alocutário, o agente de linguagem que ocupa a posiçao de o outro, lugar determinante da constituiçao das relaçoes comunicativas, integradas na açao recíproca, constituinte, dos interlocutores.

Por isso, vale dizer, em outras palavras, que, em toda experiência de comunicaçao, o locutor constitui-se como um projeto de significaçoes construídas com a linguagem, determinado pela significaçao de sua palavra como própria e pela força da palavra outra: palavra constituinte do projeto de construçao da linguagem que se materializa com a determinaçao das significaçoes centradas na força do outro7,8 alvo ou destinatário da comunicaçao.

É oportuno lembrar, entao, que, sem a linguagem, nao seria possível a significaçao que é instituída com a comunicaçao; sem a força constituinte da alteridade, nao haveria a interaçao locutor/alocutário; sem a interaçao, a linguagem nao se funda, ou seja, sem a interlocuçao9 ou sem a resposta e a contrarresposta dos locutores e interlocutores, a significaçao nao se estabelece: nao se instituem os interlocutores, instaura-se o silêncio, apaga-se o humano em cada um de nós.

Interaçao e mediaçao

O locutor, como sujeito dotado de uma palavra própria, agindo responsivamente, numa certa extremidade, na produçao da significaçao, é marcado, em parte, com sua resposta, pela heterogeneidade constitutiva7,8,10 de seu alocutário, que ocupa, com sua posiçao, a outra extremidade da relaçao. Esse alocutário, assumindo, com a sua palavra, a posiçao alternativa de locutor, agindo, responsivamente, com sua contrarresposta, é marcado, ainda, pela resposta da heterogeneidade constitutiva de seu antigo locutor.

Em outras palavras, a significaçao é produzida na interaçao, como espaço de mediaçao, ou de ponte11, construída pelo ir e vir dos interlocutores na açao de se produzir e receber a resposta e a contrarresposta que vao instituindo a significaçao na tensao12 que aproxima e distancia os interlocutores, o que faz de tal mediaçao um espaço aberto a semelhanças e diferenças de significaçao.

Dessa forma, tal significaçao, como materialidade que expressaria a universalidade do significado, adquire, concretamente, a particularidade histórica da significaçao comprometida com o sentido. Pode-se dizer, pois, que a linguagem, na mediaçao dos interlocutores, é força operatória de produçao histórica de uma significaçao particularizante, orientada, axiologicamente, para o concreto: o sentido.

Mediaçao e enunciaçao

No ir e vir da resposta e da contrarresposta, ou seja, na mediaçao, o locutor e o alocutário vao operando com a linguagem e, aí, é oportuno dizer que tal experiência se estabelece como açao de produçao e recepçao de sentido, geradora de certos efeitos, ou seja, como açao de discurso, a que se associam certos resultados construídos com a materialidade da linguagem: os efeitos discursivos.

Nesses termos, a açao de linguagem dos interlocutores, produzindo discurso e efeitos discursivos, constitui o que se pode chamar de enunciaçao, experiência interlocutiva de açao construída com a linguagem, em suas múltiplas realizaçoes materiais: seja ela a linguagem verbal, contaminada (ou nao) pela participaçao ativa das linguagens nao verbais.

Assim, a linguística, como estudo científico da linguagem verbal, ganha uma outra dimensao, ampliando-se, entao, o seu raio de açao: o discurso e os efeitos discursivos operados pelos interlocutores deixam, nos fatos linguísticos, as marcas de sua açao1 e, portanto, o estudo dessas marcas enunciativas na linguagem obriga a linguística a ser um objeto que nao se reduz a si próprio: ampliam-se os estudos da linguagem com a translinguística, ou seja, com o estudo dos fatos linguísticos marcados pela determinaçao enunciativa do discurso e de seus efeitos.2,8,10

Discurso e gênero

O que seria gênero? É possível dizer que o conceito de gênero diz respeito ao modo de organizaçao das experiências de açao com a significaçao viabilizada pela materialidade da linguagem: experiências enunciativas.1

Por isso, o modo como o locutor estabelece suas relaçoes com seu alocutário ou como os interlocutores agem responsivamente, na reciprocidade de suas açoes, será decisivo para se definir o gênero como experiência, regulada socialmente, constituída por um conjunto relativamente estável de relaçoes de linguagem.

Nisso, a açao do locutor, marcado pela sua palavra e, mediante a escuta da palavra do outro, produzindo e recebendo sentidos, vai constituindo certo projeto de alocutário - de quem espera uma resposta. Assim agindo, esse locutor se poe a exercer a atividade de um sujeito que age responsivamente, pois, ao fazer a observaçao desse seu alocutário, em atividade simultânea de produçao e recepçao de sentidos, o locutor assume certa distância - certa exterioridade - em relaçao a tal alocutário e, desse lugar, o locutor vê o observado com um estilo de significaçao por meio do qual esse observado nao pode ver a si próprio.

Em consequência, o locutor-observador pode estabelecer para o alocutário um projeto para sua condiçao de observado, um excedente de visao, um projeto de produçao de sentido que vai além de seu perfil social, habitualmente consolidado pelas práticas sociais de uso da linguagem.13

Por outro lado, o alocutário, agora como locutor, em açao responsiva, na observaçao de seu antigo locutor, recebendo e produzindo sentidos, quando se poe, com a sua palavra e na escuta da palavra desse outro - e de quem espera, também, uma resposta - executa o seu distanciamento em relaçao a esse novo locutor. E, dessa posiçao, projeta com a sua responsividade, na prática simultânea de produzir e receber sentidos, um excedente de visao: um projeto de produçao de sentido que transcende o perfil habitual do sentido desse interlocutor. E, aí se estabelece, entao, certa completude para esse sentido em construçao, que nao se fecha nesse processo: certo inacabamento atravessa o movimento de produçao semiológica, ou seja, a produçao de sentido na contrarresposta do alocutário, na nova situaçao enunciativa, em que se tornou um outro locutor.

Definido e constituído, tal projeto garante, na institucionalizaçao do conceito de gênero, nas açoes responsivas do locutor e do alocutário, a determinada completude que dá ao gênero o atributo de certo acabamento naquilo que todo gênero, ainda, dialogicamente traz: o inacabamento da experiência de linguagem, sujeita às transformaçoes histórico-sociais pelas quais passa, também, a linguagem com seus diversos usos, na voz de seus interlocutores.

Enfim, o gênero, como modo de organizaçao das experiências enunciativas com a linguagem, constitui-se, na açao responsiva dos interlocutores, como realizaçao dialógica que instaura a diferença e a semelhança do sentido, pois, nas experiências de mediaçao, o locutor e o alocutário constituem-se como agentes sujeitos a certa posiçao de exterioridade e a certo excedente de visao.

Desse fato decorre socialmente, no domínio conceitual do gênero, para o uso e com o uso do sentido, certa completude e certo acabamento: o que todo diálogo7, orientado, dialogicamente, ganha em termos de sentido, ou seja, a especificidade da semelhança e da diferença ou do contínuo e do descontínuo. Nisso, institui-se a tensao12,14 semântica que faz o sentido, concretamente materializado com a linguagem, ser marcado por tal atributo de tensao, constituído pela dialogia, ou seja, por tal dimensao, estabelecida como concepçao filosófica para o tratamento da linguagem.2,3,13,15

Dialogia e divulgaçao científica

Como acontece a experiência do gênero da divulgaçao científica (DC) em termos de funcionamento de linguagem ao se considerar a dimensao filosófica da dialogia?

Para tanto, é necessário dizer que o locutor, reconhecido como divulgador (DV), pode assumir, na mediaçao interlocutiva, o lugar de sujeito, como agente dotado de uma palavra própria que é marcado constitutivamente por uma palavra outra, ou seja, pela heterogeneidade da enunciaçao da ciência8 (C) - pela linguagem dos locutores e alocutários reconhecidos como especialistas, Enunciaçao I - e pela palavra outra da heterogeneidade da enunciaçao do público (P) - dos locutores e alocutários reconhecidos como nao especialistas, Enunciaçao II. Como mediador, o sujeito-divulgador, com a sua palavra e na escuta da palavra outra de seu alocutário, produzindo e recebendo sentidos, assume certa distância em relaçao à Enunciaçao I. E, nessa exterioridade assumida, projeta um excedente de visao13 para a enunciaçao do especialista: ele se propoe a infiltrar, semanticamente, na linguagem da ciência, os sentidos produzidos na Enunciaçao II.

Dando continuidade ao processo dialógico, faz o mesmo em relaçao à Enunciaçao II: com a sua palavra e escutando a palavra outra do alocutário, produzindo e recebendo sentidos, assume certa exterioridade em relaçao a essa enunciaçao do público e certo excedente de visao para os sentidos aí produzidos: propoe-se, pois, na açao mediadora, a fazer a infiltraçao da linguagem da ciência na linguagem do nao especialista. Com isso, entao, DV constrói uma terceira enunciaçao6,7, ou seja, aquela que ocorre com o cruzamento de sua palavra própria com a palavra outra das Enunciaçoes I e II.

Por isso, pode-se dizer, conceitualmente, que o gênero da divulgaçao científica, na variedade que contempla a articulaçao da palavra própria do divulgador com a palavra outra das enunciaçoes do especialista e do nao especialista16, constitui-se no momento em que DV instaura, na sua palavra, na produçao de sentido - que é, simultaneamente, recepçao - o movimento de resposta dialógica. Ou seja, isso acontece no instante em que se estabelece a dupla exterioridade e o duplo-excedente de visao7,13, sem o que nao se constitui a experiência com a ambiguidade contraditória dos sentidos que circulam na mediaçao da palavra de DV com as enunciaçoes da ciência e do público.

Em decorrência, tal experiência dialógica, regulada socialmente, ganha certa completude e certo acabamento que institucionalizam o perfil legitimado para a Enunciaçao III, a enunciaçao do gênero (DC).

Contudo, essa prática social nao nos autoriza a dizer que tal legitimaçao tenha a força de cristalizar, nesse fechamento institucional, a experiência com a linguagem das Enunciaçoes I e II, articuladas à palavra própria de DV, uma vez que, dialogicamente, os usos da linguagem sao marcados, no acabamento provisório9, ou seja, pelo inacabamento das transformaçoes históricas pelas quais passam os usos da linguagem da ciência e do público. Vale lembrar que nesse inacabamento está a inevitável açao dialógica daquele que ouve, ou lê, os textos produzidos a partir do projeto dialógico do locutor identificado como sujeito que fala e escreve tendo em vista aquele que vai ouvir e ler: como sujeito, divulgador.

Em outras palavras, o inacabamento da linguagem do divulgador, na relaçao com o seu interlocutor, pode ser assim explicado: os interlocutores do divulgador, aqueles que ouvem, ou leem, agindo responsivamente, com a sua palavra própria, na escuta da palavra do outro em seu antigo locutor, também assumem, com a palavra própria de locutor que incorporam, produzindo e recebendo sentidos, certa exterioridade em relaçao a seu locutor atual. Dessa posiçao de exterioridade também produzem um excedente de visao que confere certa e nova completude, provisória, e um certo e novo acabamento, relativo, aos sentidos produzidos por esse novo locutor, nessa nova cena enunciativa.

Por isso, dialogicamente, é necessário dizer que o locutor do divulgador, ao falar e escrever, estabelece uma relaçao de produçao e recepçao de sentidos com os seus interlocutores (os alocutários que ouvem e leem) e, desse modo, as palavras vivas que emanam na mediaçao dos interlocutores que falam, ouvem, escrevem e leem sao incertas: sao marcadas pelas nao coincidências7 do dizer que brota do locutor e do alocutário.

Tal orientaçao dialógica faz o diálogo desses interlocutores ser marcado por uma experiência constitutiva, simultânea, de produçao e recepçao semiológica que se estabelece nos limites das açoes dialógicas do locutor e do alocutário. Essa experiência de diálogo, orientado dialogicamente, difere, por outro lado, da experiência de diálogo que se institucionaliza com a divisao formal que separa a produçao da recepçao do sentido nos movimentos específicos do locutor e do alocutário: o locutor apenas atuaria na produçao; o alocutário, apenas na recepçao. Dialogicamente, no entanto, as atividades de produçao e recepçao de sentidos estao integradas, em contradiçao, seja no locutor, seja no alocutário: o diálogo formal, pois, nao se confunde com o diálogo dialógico.

Divulgaçao científica e efeito discursivo

O divulgador, no uso de sua palavra de locutor - produzindo e recebendo sentidos - e fazendo, especificamente, a infiltraçao recíproca da palavra outra das Enunciaçoes do especialista e do nao especialista, como açao que se executa com a materialidade do sentido produzido dentro dos usos das Enunciaçoes do cientista (I) e do público (II) - regulados, socialmente, pelas condiçoes de produçao e recepçao do sentido da linguagem em tais enunciaçoes - instaura o gênero da divulgaçao científica (DC), instituindo-o como Enunciaçao III7 e, com isso, responde a um efeito discursivo predominante.

Tal efeito reside no empenho discursivo em se promover a compreensao ativa, por parte do público, da açao das conquistas enunciativas do cientista, tentando-se reduzir, como efeito democratizante, a distância excludente da solidao das linguagens socialmente constituídas.

Com esse efeito, cria-se a oportunidade de propiciar ao público o benefício da aprendizagem de uma linguagem que amplie a compreensao de seu mundo, enriquecendo-o com a força constitutiva, relativa, da linguagem do outro7,8, a do especialista.

Por outro lado, é possível pensar, ainda, na reciprocidade - em consequência da mediaçao das linguagens da ciência e do público - do efeito discursivo da ampliaçao do olhar do especialista em contato profissional com o nao especialista: a compreensao ativa do especialista nao se realiza sem a riqueza relativa da linguagem do nao especialista.

Em decorrência desse efeito discursivo, as variedades de linguagem aí experimentadas, as variedades da ciência e do público, por terem sua riqueza relativa de uso, precisam ser usadas com o pressuposto de que devem ser empregadas, eticamente, de forma justaposta, com um sentido valorativamente positivo, no movimento dialógico desse uso. Isso se verifica fora dos limites de uma escala burocratizante de valor, em que as linguagens sao divididas pela subordinaçao com a marca do pressuposto da superioridade do uso uma linguagem, na relaçao com a inferioridade de uso de uma outra.

Esse pressuposto da valoraçao positiva das linguagens se justifica porque a compreensao ativa dos interlocutores ocorreria produtivamente, com a tensao12,14 originária da ambiguidade do sentido que singulariza, dialogicamente, o uso específico das enunciaçoes, o que leva o locutor e o alocutário a pensar, a refletir, a ponderar, a argumentar, a decidir, a agir, açoes que seriam indicadoras da conquista de relaçoes humanas, democráticas, mais civilizadas.

Divulgaçao científica e recepçao

Qual é a expectativa social que o gênero discursivo da divulgaçao científica, nos termos aqui considerados, define para os usuários da linguagem?

O gênero consagra tal expectativa em certo emblema: eu falo pelo outro para o outro, ou seja, o eu, o sujeito que se identifica como divulgador, fala pela ciência para o público.

Tal emblema desdobra-se no seguinte: o texto que esse sujeito escreve ou fala precisa ser constituído pela sua palavra e pela palavra do outro localizado na enunciaçao do especialista e pela palavra do outro localizado na enunciaçao do nao especialista.7,8 Por isso, pode-se dizer que o eu, localizado no divulgador, nao tem a autonomia absoluta de sujeito fechado em si mesmo ao escrever ou falar textos, com a força exclusiva de sua palavra própria: ele é dividido, polifonicamente17, pelas vozes do outro que o constituem, nas palavras da ciência e do público.

Disso, entao, surge, precisamente, a expectativa social para aqueles que deverao ler ou ouvir textos desse gênero discursivo, ou seja, o leitor, ou o ouvinte, precisa trazer, em sua açao responsiva de ler e ouvir, com a sua palavra, uma contrarresposta que traga a marca da polifonia: das várias vozes que dialogicamente aparecem como constitutivas do gênero.15,17

Enfim, se o divulgador é dividido, na sua escrita e fala, com sua palavra própria e com as vozes constitutivas de C e P, o leitor e o ouvinte também o sao.

É o caso, por exemplo, de certa mae, representante enunciativo do público, em entrevista a jornalista de televisao, à porta de uma unidade de pronto-atendimento, segurando, nos braços, uma criança: um lactente. No exato momento em que essa mae sai de tal unidade, a jornalista - o locutor da cena enunciativa da entrevista - pergunta-lhe sobre a adequaçao dos cuidados médicos a serem observados no tratamento da criança. Essa mae, com a fala pausada, diz aproximadamente, com a sua contrapalavra, nessa enunciaçao de oralidade, o que se segue: "é preciso dar muita água para a criança: muito líquido - chá, suco. É preciso hidratar a criança" (informaçao verbal "fala" extraída do jornalismo televisivo de Belo Horizonte, produzido pela Rede Minas).

Tem-se, aqui, uma discreta ocorrência enunciativa de um recebedor com a sua palavra, revelando, responsivamente, como contrarresposta, a açao responsiva da resposta de possíveis divulgadores que, em outra cena enunciativa, a teriam instruído.7,8 Sua fala de locutor, representante do público, traz, na sua palavra própria, as marcas enunciativas do universo de uso de sua linguagem, pois o léxico, na qualidade de palavra viva de P, aparece enunciativamente: água, criança, chá, suco. Mas tal léxico, que seria, linguisticamente, apenas a expressao de palavra morta da língua, articula-se, ganhando vida, com a infiltraçao semântica das palavras vivas da enunciaçao de C: líquido, hidratar.

Sua fala, entao, nao se reduz ao restrito desempenho da realizaçao linguística, examinada, aqui, do ponto de vista de ocorrências do léxico: realizaçoes de língua. Tais ocorrências transcendem o linguístico e exibem as marcas enunciativas, dialógicas, da polifonia17 do discurso do gênero: as vozes constitutivas de P e C se articulam na palavra própria do locutor.

Enfim, a enunciaçao da ouvinte que está sendo considerada - ela ouve e fala, articulando o que ouviu, produzindo e recebendo sentidos - revela a complexidade do jogo, exigido pelo gênero DC, de articulaçao sintática do sentido de uma enunciaçao que se associa a duas outras enunciaçoes10. A mae, como público, ou leigo, vale-se, pois, na construçao de seu discurso citante, da articulaçao ambígua e contraditória 6 dos dois discursos citados com a força da palavra que ganha vida no contexto ativo das enunciaçoes: aqui, a palavra própria do sujeito vai ganhando vida com a tensa divisao de força das enunciaçoes de C e P, ainda que a fala da mae possa revelar, dialogicamente, o acento reprodutor - esperado pelo projeto de DC - do discurso citado de seus divulgadores. Aqui, com o discurso da mae fica evidente o jogo da rede de enunciaçoes: o discurso citado desses possíveis divulgadores aparece no discurso citante da mae, ao fazer o seu discurso com o discurso citado de C e P, em contrarresposta ao discurso da cena enunciativa, articulada, em parte pela jornalista, pelo seu discurso de entrevistadora.

Tal fato denota a inevitável posiçao de dependência no processo de produçao e recepçao de sentido, em circulaçao pelas enunciaçoes, na rede dos discursos, sem o que nao se conquista a posiçao alternativa: a independência relativa requerida pela autonomia.

Divulgaçao científica e jornalismo

O gênero DC, por sua proposta de disseminaçao dos saberes e fazeres da ciência, na açao mediadora do locutor do divulgador, efetuando, com a palavra própria, a articulaçao com os saberes e fazeres nao especializados, tem utilizado o poder disseminador do jornalismo.

É, assim, o que se pode ver com o uso do suporte do jornal na utilizaçao de suplementos, destinados, com frequência a diversos perfis de usuários, considerados leigos: integrantes da enunciaçao de P. É, desse modo, o que, em página de suplemento, escrito por divulgador-jornalista, aparece o texto que se segue dentro de uma determinada seçao, para os interlocutores de tal suplemento, num certo tempo e lugar18.

Mais forte de manha

Em geral, o cheiro da urina é bem sutil. Há, porém, situaçoes que alteram tanto o seu odor como sua aparência. De manha, o cheiro e a cor tendem a ser mais fortes, porque a urina está mais concentrada. Alguns complexos vitamínicos, remédios, alimentos - como a beterraba - também modificam a aparência da urina, explica o urologista Joaquim de Almeida Claro.18:3

Uma análise ligeira, reduzida a ocorrências linguísticas do léxico, revela, contudo, que tais ocorrências nao podem, pelas exigências enunciativas, dialógicas,6 do gênero DC, ficar reduzidas ao linguístico. Essas ocorrências trazem as marcas polifônicas das linguagens de C e P. É do especialista, por exemplo, o uso formal do léxico, na força viva das realizaçoes de palavras vivas como sutil, odor, aparência, está mais concentrada, complexos vitamínicos, urologista. É do nao especialista, por outro lado, o uso de realizaçoes da palavra viva da informalidade de tal uso: mais forte de manha, o cheiro da urina, remédios, alimentos, como a beterraba.

Com a análise translinguística, ao transcender o linguístico, fica evidente, portanto, que o discurso citante, didático, do divulgador-jornalista faz articulaçao com o discurso citado do médico-urologista, que, por sua vez, torna-se discurso citante, didático, como realizaçao de linguagem do divulgador (médico-urologista)16. Desse modo, esse discurso médico que se torna citado é realizado para atuar, simultaneamente, como citante dos discursos citados da Ciência e do Público mostrados, em açao dramática, no corpo do texto.10 Para o divulgador-jornalista, a sua palavra própria de locutor, na enunciaçao construída com o suporte do jornal, tendo, como interlocutores, os diversos leitores da seçao do suplemento, a partir de certo lugar e data, constitui uma primeira enunciaçao que se articula com a enunciaçao segunda do divulgador-médico, que se torna, simultaneamente, uma terceira enunciaçao, em que um outro locutor, o do médico, articula a sua palavra (própria) à palavra outra da primeira e da segunda Enunciaçoes: I e II, os discursos citados de C e de P.7,10

Ainda dentro do mesmo suplemento, escrito pelo mesmo divulgador-jornalista, aparece um outro pequeno texto em uma outra coluna da mesma seçao, a saber:19

Sem desperdício

Planeje a compra de frutas cientificamente. As climatéricas, como a maça, têm muita polpa e devem ser consumidas mais rapidamente, pois amadurecem fora do pé. Já as nao climatéricas, como a tangerina, nao amadurecem depois de colhidas, por isso duram mais e sao mais fáceis de serem conservadas, diz a engenheira agrônoma, Elizabeth Torres, da USP.19:3

Nesse outro texto, o divulgador-jornalista, como locutor, se vale do mesmo expediente de articulaçao do sentido das enunciaçoes, ou dos discursos.

Esse divulgador-jornalista, com a enunciaçao construída no suporte do jornal, tendo como interlocutores os diversos leitores da seçao do suplemento, a partir da mesma data e lugar, constitui uma primeira enunciaçao. Essa primeira enunciaçao se articula com a enunciaçao segunda do locutor, divulgador-engenheira agrônoma, que se torna, simultaneamente, uma terceira enunciaçao, em que DV, o locutor da engenheira, faz, com a sua palavra, a articulaçao das Enunciaçoes I e II: a palavra outra dos locutores e interlocutores que constituem os discursos citados de C e de P.10

Fica claro que, nessa enunciaçao III, climatéricas (C) e maça (P), ou nao climatéricas (C) e tangerina (P), constituem parte do léxico que se transforma em palavra viva, como enunciado, ou seja, como léxico marcado, respectivamente, pelas duas enunciaçoes no jogo articulatório exigido pelo gênero DC.

Além disso, as unidades linguísticas da sintaxe das oraçoes, que, na língua, se justapoem, na descriçao que caracteriza, com a linguagem de P, as pro-priedades das frutas, marcadas como (C) e (P) respectivamente, deixam de ser apenas uma ocorrência linguística: uma realizaçao descritiva de língua.20,21 Passam a ser ocorrências de oraçoes que se transformam em enunciados, de fatos linguísticos, marcados pelo contexto mais amplo das enunciaçoes em movimento no corpo do texto.10,22 Constituem eles, tais fatos, as explicaçoes didáticas que trazem, na açao da palavra própria do locutor, a determinaçao da força constitutiva da heterogeneidade de P na produçao de tal escrita de DC, em movimento dialógico1 com a força constitutiva da heterogeneidade de C.

Assim, é possível dizer que uma palavra própria sempre vem a se constituir com base na palavra outra, porque essa palavra outra é a que escutamos e se realiza aí, na produçao e recepçao de sentidos, respondendo e pedindo uma resposta. É por isso que se pode dizer que a palavra própria do divulgador é habitada pelas palavras vivas, a palavra outra das enunciaçoes de C e de P.

 

CONCLUSAO

Enfim, pelo exposto neste artigo, afirma-se a convicção de que, nos termos do gênero DC, aqui analisado, não se postula a banalização das linguagens da ciência e do público, fazendo-as conviver com aqueles objetos considerados supérfluos e, por isso, facilmente descartáveis no jogo predatório do consumo ansioso ou febril. A variedade de linguagem da ciência é tão importante como a variedade do público, pois, ambas, em movimento, na articulação ambígua, ou contraditória, das enunciações vivas na palavra própria do divulgador, contribuem para ampliar o acesso a saberes e fazeres que ocorrem nos intervalos da linguagem do cientista e do público, garantindo aos usuários, com o gênero da divulgação científica, certa autonomia relativa no uso compreensivo de tais linguagens. Se a autonomia não é conquistada sem a dependência, a independência, requerida pela autonomia, não é conquistada sem a tensão dialógica23 que se abriga no esforço para a garantia de certa autossuficiência relativa no uso recíproco de saberes e fazeres da ciência e do público.

Nesse sentido, a adoção de uma postura mais crítica, por parte do especialista e do não especialista, poderá advir com uma prática de linguagem alicerçada no dialogismo da linguagem3,9, como filosofia que se constitui no uso da contradição como força cognitiva, operatória, do movimento crítico de uso do que se sabe e do que se faz.

Assim, com essa orientação, a palavra própria do sujeito é sempre marcada pela escuta da palavra outra que se faz presente na exterioridade que o sujeito produz para essa palavra, produzindo e recebendo sentidos, conferindo a ela certo excedente de visão, com o que se conquista certa completude de sentido, sem que haja, contudo, o acabamento semântico absoluto de sua significação. Pelo contrário, tal sentido é marcado pelo provisório do inacabamento propiciado pela força enunciativa da linguagem, presente na palavra própria, em escuta contínua, aberta, infinita da palavra outra.

Desse modo, a filosofia do dialogismo poderia ser pensada como uma orientação pertinente para a oportunidade de uma prática humana ampliada pela riqueza de percepções que eticamente sustentaria a força construtora, democratizante, das relações humanas, sobretudo quando se pretende operar com o esforço constituinte da ciência em explicar o desconhecido com o conhecido.

 

REFERENCIAS

1. Campos EN. Linguagem e dialogismo: o conceito de gênero - a cicatriz e os rastros enunciativos do discurso no texto de divulgação científica (dc). In: XIII Simpósio Nacional de Letras e Linguística e III Simpósio Internacional de Letras e Linguística; 2011 nov 23-25; Uberlândia, Minas Gerais, Brasil. Uberlândia: SILEL; 2011.

2. De Paula L. Círculo de Bakhtin: uma análise dialógica do discurso. Rev Est Ling. 2013 Jan/Jun; 21(1):239-58.

3. Campos EN. A dimensão dialógica da linguagem. Vertentes. 2007 jul/dez; 30:191-201.

4. Brait B. Analise e teoria do discurso. In: Brait B, organizador. Bakhtin, outros conceitos-chave. São Paulo: Contexto; 2006. p. 9-31.

5. Brait B. Uma perspectiva dialógica de teoria, método e análise. Gragoatá. 2006 1.sem.; 20:47-62.

6. Campos EN. As exigências dialógicas de gênero na produção e na recepção do texto de Jornalismo Infantil: gênero divulgação científica [ CD-ROM ]. In: Anais do IX Encontro de Pesquisa em Educação da Região Sudeste: Pesquisa em Educação no Brasil - Balanço do Século XX e Desafios para o Século XXI;2009 jul 8-11; São Carlos, São Paulo, Brasil. São Carlos: UFscar; 2009.

7. Authier-Revuz J. Palavras incertas, as não coincidências do dizer. Campinas: Unicamp; 1998. p.107-31.

8. Authier-Revuz J. Heterogeneidade (s) enunciativa (s). Cad Est Ling. 1991 jul/dez; 19:26-41.

9. Campos EN. O diálogo do espelho. O eixo e a roda. 2006 jan/ jul; 30:301-9.

10. Volochínov VN, Bakhtin MM. Palavra própria e palavra outra na sintaxe da enunciação. São Carlos: Pedro & João Editores; 2011.

11. Bakhtin M. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. 9. ed. São Paulo: Hucitec; 1999. p.110-127.

12. Eco U. Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo: Companhia das Letras; 1994. p. 96-124.

13. Bakhtin M. Estética da criação verbal. 5ª ed. São Paulo: WMF Martins Fontes; 2010. p.21-90.

14. Eco U. Conceito de texto. São Paulo: Ed. USP; 1984. p. 97-124.

15. Campos EN. Linguagem, dialogia, gênero e leitura. In: Mari H, Walty I, Versiani, Z, organizadores. Ensaios sobre leitura. Belo Horizonte: PUC Minas, 2005. p.118-37.

16. Brait B. Estilo. In: Brait B, organizador. Bakhtin, conceitos-chave. São Paulo: Contexto; 2005. p.79-102.

17. Bezerra P. Polifonia. In: Brait B, organizador. Bakhtin, conceitos-chave. São Paulo: Contexto, 2005. p.191-200.

18. Mais forte de manhã. Folhaequilíbrio. Folha de São Paulo. 2003 maio 15; p.3, c.2.

19. Sem desperdício. Folhaequilíbrio. Folha de São Paulo. 2003 maio 15; p.3, c.1.

20. Campos EN. Gênero, discurso, persuasão e gramática. [CD-ROM]. In: Anais do III Simpósio Internacional sobre Análise do Discurso; 2008 abr 1-4; Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Belo Horizonte: UFMG; 2008.

21. Campos EN. A ação do movimento dialógico de gênero na sintaxe das orações [CD-Rom]. In: Magalhães JS, Travaglia LC, organizadores. Múltiplas perspectivas em linguística: coletânea de trabalhos apresentados no XI Simpósio Nacional de Letras e Linguística e I Simpósio Internacional de Letras e Linguística. 2006 nov 22-24; Uberlândia, Minas Gerais, Brasil. Uberlândia: EDUFU; 2008. p.998-1005.

22. Flores VN, Barbisan LB, Finatto MJB, Teixeira M. Dicionário de linguística da enunciação. São Paulo: Contexto; 2009.

23. Carvalho M, Fernandes JFF, Campos EN. Vigotski e Bakhtin: a ação educacional como projeto dialógico de produção de sentido. Bakhtiniana. 2012;7(2):95-108.