RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 21. 3

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Editorial

O instituto do radium, a madame curie e aplicações da medicina nuclear em oncologia

Carlos Jorge Rodrigues Simal; Viviane Santuari Parisotto

 

Em 1896, o pesquisador francês Antoine Henri Becquerel descobriu a radioatividade. Marie e Pierre Curie se dedicaram à pesquisa de materiais radioativos na pechblenda, um mineral rico em Urânio. Com parcos recursos, mas com muito entusiasmo e dedicação, descobriram dois elementos radioativos, o Polônio e o Rádio. Pelas descobertas no campo da radioatividade, os três pesquisadores receberam o Prêmio Nobel de Física em 1903. Marie foi grande divulgadora do potencial da radioatividade na Medicina. Criou o Institut du Radium de Paris, que serviu de modelo a outros institutos mundo afora, inclusive em terras mineiras.

O Instituto do Radium de Belo Horizonte, criado pelo Prof. Eduardo Borges da Costa, um dos fundadores da nossa Faculdade de Medicina, foi inaugurado em 07 de setembro de 1922. O Instituto do Radium orgulha a todos os mineiros, por ter sido o primeiro hospital dedicado à pesquisa e ao tratamento do câncer no Brasil. Hoje, o Instituto do Radium leva o nome do seu fundador e o Hospital Borges da Costa mantém a imponência de sua bem preservada arquitetura no estilo neoclássico.

Coroando o pioneirismo do Ínstituto e de seus criadores, a já internacionalmente reconhecida Madame Curie aqui esteve, de 16 a 18 de agosto de 1926. Trouxe de presente três tubos de Rádio-226, utilizados na curieterapia, para serem acrescentados às outras fontes (agulhas) pertencentes ao Instituto. No dia 18 de agosto de 1926, Marie Curie proferiu palestra histórica no Salão Nobre da Faculdade de Medicina.

Nas comemorações do centenário da nossa Faculdade, não poderiam faltar estas duas páginas tão relevantes: o Instituto do Radium e a visita de Madame Curie.

No âmbito da Faculdade de Medicina e do Hospital das Clínicas, temos a responsabilidade e a honra de manter a luta pelo emprego dos materiais radioativos em prol dos pacientes. Neste número da RMMG fazemos um apanhado geral da atuação da Medicina Nuclear em Oncologia. Abordamos desde o conceito de imagem molecular, passando pelos empregos pacíficos das radiações ionizantes, até o diagnóstico e tratamento oncológicos na área da Medicina Nuclear. Não poderia ficar de fora a tecnologia mais nova, já disponível na nossa instituição, a tomografia por emissão de pósitrons (PET), em que se aplica à área da saúde o fenômeno, algo enigmático para os não iniciados em Física, do encontro de matéria com antimatéria, com a aniquilação de ambas e a conversão total de suas massas em energia.

A escolha da abordagem oncológica da Medicina Nuclear é uma homenagem ao primeiro hospital dedicado ao estudo e tratamento do câncer no Brasil e à Madame Curie, mulher notável, uma das maiores cientistas de todos os tempos.

 

Carlos Jorge Rodrigues Simal
Professor Associado do Departamento de Propedêutica Complementar da Faculdade de Medicina da UFMG, Belo Horizonte , MG - Brasil
Coordenador do Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Felício Rocho, Belo Horizonte, MG - Brasil

Viviane Santuari Parisotto
Professora Adjunta do Departamento de Propedêutica Complementar da Faculdade de Medicina da UFMG, Belo Horizonte , MG - Brasil
Coordenadora do Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Madre Teresa, Belo Horizonte, MG - Brasil