RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 26. (Suppl.4) DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20160044

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Artigo de Revisão

Revascularização cirúrgica do miocárdio com uso de enxerto autólogo de artéria torácica interna

Coronary artery bypass grafting with use of autograft internal thoracic artery

Roberta Martins Carvalho Mesquita Nunes1; Bruno Basílio Cardoso1; Carlos Fernando Moreira Silva2

1. Acadêmico(a) do Curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Barbacena - FAME. Barbacena, MG - Brasil
2. Médico. Professor da FAME. Barbacena, MG - Brasil

Endereço para correspondência

Roberta Martins Carvalho Mesquita Nunes
E-mail: roberttacarvalho@yahoo.com.br

Instituiçao: Faculdade de Medicina de Barbacena - FAME Barbacena, MG - Brasil

Resumo

INTRODUÇÃO: A revascularização do miocárdio consiste no restabelecimento do fluxo sanguíneo para as artérias coronárias obstruídas através de enxertos autólogos de artérias ou veias. O enxerto de veia safena é o mais utilizado sobretudo em casos de emergência e/ou urgência em pacientes hemodinamicamente instáveis e idosos. No entanto, a utilização de enxertos da artéria torácica ou mamária interna ganhou notoriedade na revascularização miocárdica em relação à veia safena magna.
OBJETIVOS: Apresentar uma forma alternativa de realizar a cirurgia de revascularização miocárdica, expondo as vantagens e desvantagens intrínsecas a esse processo.
METODOLOGIA DE BUSCA: foram realizadas pesquisas no banco de dados da Scielo, tendo como fatores de inclusão artigos da seção de ciências da saúde, publicados entre 1998 e 2016.
DISCUSSÃO: A revascularização miocárdica com artéria torácica interna torna-se relevante devido a sua larga utilização no tratamento de pacientes cardiopatas com obstrução coronária importante. Ressalta-se a necessidade do aperfeiçoamento de tal procedimento a fim de prevenir complicações das doenças cardiovasculares.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: A revascularização cirúrgica do miocárdio com enxertos de artéria torácica interna tem a capacidade de proporcionar um aporte sanguíneo adequado as regioes do coração em que há significativa aterosclerose coronariana. Deste modo, torna-se usual o emprego desse enxerto arterial que possibilita maior êxito no tratamento de pacientes cardiopatas.

Palavras-chave: Artéria Torácica Interna; Revascularização Miocárdica; Transplantes; Artérias.

 

INTRODUÇÃO

A medicina, nos últimos anos, obteve significantes avanços da terapêutica clínica e das intervenções percutâneas no tratamento de pacientes com insuficiência coronariana, porém a revascularização do miocárdio ainda é muito utilizada nesses indivíduos se mantendo como uma das mais frequentes e bem estabelecidas cirurgias cardiológicas. A cirurgia consiste no restabelecimento do fluxo sanguíneo para as artérias coronárias obstruídas através de enxertos autólogos de artérias ou veias. O enxerto de veia safena é o mais utilizado, sobretudo, em casos de emergência e/ou urgência em pacientes hemodinamicamente instáveis e idosos devido a sua facilidade de coleta, manipulação e sua resistência ao espasmo. No entanto, a utilização de enxertos da artéria torácica ou mamária interna ganhou importância na revascularização miocárdica em relação à veia safena magna.

 

REVISÃO

A revascularização do miocárdio utilizando as artérias torácicas internas possuem boa capacidade de manter uma via pérvia e o seu uso está associado à sobrevida livre de eventos cardíacos subseqüentes. O endotélio dessas artérias por possuir lâmina interna elástica não fenestrada e camada média com poucas células musculares lisas impede a migração celular, o que diminui a hiperplasia da camada íntima e quando estimulado por fatores de crescimento derivado de plaquetas apresenta menor proliferação o que a torna menos susceptível a aterosclerose se comparada à veia safena. A produção basal maior de óxido nítrico e prostaciclinas pelo endotélio das artérias torácicas internas favorece a resposta medicamentosa no pós-operatório da cirurgia de revascularização miocárdica. Além dessas vantagens, após a cirurgia, tais artérias se remodelam, aumentam o seu diâmetro e fluxo sanguíneo, para se adaptarem às novas demandas fisiológicas o que possibilita uma maior semelhança com as artérias coronárias normais. Dentre as desvantagens da utilização da artéria torácica interna destaca-se a maior fragilidade e dificuldade na dissecção da artéria torácica interna, e também sua relativa contraindicação em pacientes com radiação torácica e estenose de subclávia.

 

DISCUSSÃO

A utilização da artéria torácica interna na revascularização cirúrgica do miocárdio tem-se mostrado superior aos enxertos venosos e um preditor independente de sobrevida tardia em todas as categorias de pacientes. Devido aos bons resultados, o enxerto de artéria mamária interna tem sido usado em larga escala no tratamento de pacientes cardiopatas com obstrução coronariana importante. Ressalta-se a necessidade do aperfeiçoamento de tal conduta a fim de torná-la menos invasiva, com recuperação menos traumática, prevenindo assim complicações das doenças cardiovasculares as quais são principais causas de óbitos no Brasil, especialmente, na emergência médica.

 

CONCLUSÃO

Com habilidade técnica adequada, a revascularização cirúrgica do miocárdio com enxertos de artéria torácica interna tem a capacidade de restabelecer o fluxo sanguíneo adequadamente as regioes do coração em que há significativa aterosclerose coronariana em pacientes de todas as faixas etárias. Deste modo, torna-se usual o emprego desse enxerto arterial que possibilita maior êxito no tratamento de pacientes cardiopatas.

 

REFERENCIA

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