RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 27 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20170024

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Artigo Original

Segurança de crianças no primeiro ano de vida: conhecimento das maes

Children's safety in the first year of life: knowledge of the mothers Revista Médica de Minas Gerais

Vera Lúcia Venancio Gaspar1; Ariane Cardoso Ferreira2, Bruna Cândido Cota2; Lílian Cunha Moreira2; Sofia Pereira Tironi2

1. Instituto Metropolitano de Ensino Superior; Fundaçao Sao Francisco Xavier, Hospital Márcio Cunha. Ipatinga, MG - Brasil
2. Instituto Metropolitano de Ensino Superior. Curso de Medicina. Ipatinga, MG - Brasil

Endereço para correspondência

Vera Lúcia Venancio Gaspar
E-mail: jcgaspar@terra.com.br

Instituiçao: Fundaçao Sao Francisco Xavier, Hospital Márcio Cunha Ipatinga, MG - Brasil

Resumo

INTRODUÇÃO: questoes relacionadas à segurança da criança devem ser abordadas durante a gravidez, continuando na maternidade e, posteriormente, em consultas com pediatras, considerando que as orientações preventivas disponibilizadas aos pais são imprescindíveis para a segurança da criança.
OBJETIVO: averiguar o conhecimento de puérperas acerca da segurança de crianças no primeiro ano de vida.
MÉTODOS: trata-se de pesquisa descritiva, observacional e transversal, realizada no período de agosto de 2015 a dezembro de 2015, com maes de recém-nascidos, hospitalizadas na maternidade do Hospital Márcio Cunha, da Fundação São Francisco Xavier, em Ipatinga, Minas Gerais.
RESULTADOS: foram entrevistadas 300 puérperas. A faixa etária variou entre 14 e 45 anos; 52,0% já tinham outros filhos; 11,6% não completaram o ensino fundamental e 9,0% haviam cursado o ensino superior completo. Das maes, 56,3% haviam adquirido assento de segurança para o transporte do recém-nascido no automóvel e 43,2% haviam lido as instruções do fabricante. Quanto ao andador, 22,3% das maes pretendiam que seus filhos usassem o equipamento. Entre as entrevistadas, 49,2% informaram que, ao preparar o banho para o filho, colocavam água quente e, em seguida, água fria para temperar. Quanto à posição recomendada para colocar o filho no berço, 62,3% das maes responderam que seria de lado e 78,7% pretendiam colocar objetos dentro do berço. Durante a gestação, 23,3% haviam recebido orientações sobre segurança da criança no primeiro ano de vida.
CONCLUSÃO: observou-se que, conforme vários temas contidos na pesquisa, há necessidade de aprimorar o conhecimento das maes, visando à segurança dos filhos.

Palavras-chave: Segurança; Prevenção de Acidentes; Lactente.

 

INTRODUÇÃO

No Brasil, em 2014, entre crianças menores de um ano de idade, ocorreram 1.019 óbitos por causas externas, sendo 826 ocasionados por acidentes; 96, por agressões; 78, por eventos (fatos) cuja intenção é indeterminada; e 19, por outras causas.1 Destaca-se que, nesse mesmo ano, aconteceram 555 mortes em decorrência de outras causas mal definidas e as não especificadas de mortalidade e 158 óbitos devido à síndrome da morte súbita na infância.2

As implicações das causas externas vao além das mortes: determinam hospitalizações, causam sequelas temporárias e/ou permanentes, ocasionam agravos emocionais e sociais e as perdas financeiras se estendem tanto à família como também à sociedade.3

Em 2014, morreram, no Brasil, 108 lactentes menores de um ano, vítimas de acidentes de transporte, dos quais 56 eram ocupantes de automóvel.1 Recomenda-se que, antes da alta hospitalar do recém-nascido (RN), os pais devem ser orientados quanto ao uso correto do assento de segurança.4

As crianças são particularmente suscetíveis às quedas. Condições socioeconômicas e ambientais desfavoráveis à segurança são vistas como fatores de risco significativos para esses eventos.5 São os acidentes mais frequentes entre as crianças, determinando por volta de 20,0 a 25,0% dos atendimentos de urgência por acidentes.6

As queimaduras, acidentes considerados preveníveis, acontecem, predominantemente, em países de baixo e de médio poder aquisitivo.7 A maioria ocorre na cozinha e, em geral, é causada por líquidos quentes e chama. Crianças vítimas de queimaduras graves e que sobrevivem estao sujeitas a permanecer hospitalizadas por longo período e apresentar comprometimento significativo da aparência e outras sequelas permanentes, havendo risco de serem vítimas de "estigma e rejeição". A prevenção deve englobar, entre outras, ações contra os diversos tipos de queimadura, empregando intervenções educativas direcionadas para a população mais suscetível.7

Ao longo dos últimos anos, ocorreu diminuição dos óbitos por síndrome da morte súbita do lactente (SMSL); nesse período, houve adequações "no ambiente de dormir dos lactentes e da classificação diagnóstica" das mortes.8 Mas essas ações precisam ser somadas a outras, tais como a gestante deve fazer seguimento pré-natal adequado, abolir o uso de cigarro, não fazer uso de álcool e de outras drogas e aumentar a prática do aleitamento materno9, que é fator protetor contra a SMSL.8

A segurança da criança, tema que se destaca entre as atribuições do pediatra, é questao que deve ser tratada ainda na maternidade, ocasiao em que devem ser abordados cuidados com a alimentação, tópicos como a segurança no sono, no transporte, no ambiente domiciliar, assim como a existência de vulnerabilidade social e familiar.4 Em consultas de puericultura, orientações atualizadas sobre prevenção de acidentes e promoção da saúde devem ser disponibilizadas de acordo com a faixa etária da criança, o ambiente em que reside e os riscos a que está sujeita.10

A presente pesquisa visa averiguar o conhecimento de puérperas sobre segurança da criança no primeiro ano de vida.

 

MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa descritiva, observacional e transversal, realizada no período de agosto de 2015 a dezembro de 2015, com maes de recém-nascidos, hospitalizadas na maternidade do Hospital Márcio Cunha, da Fundação São Francisco Xavier, situado em Ipatinga, cidade localizada na regiao leste de Minas Gerais.

Participaram do estudo puérperas internadas pelo Sistema Unico de Saúde e convênios. Excluíram-se da pesquisa as maes que não se encontravam em condições físicas, psíquicas e/ou emocionais satisfatórias. Também não foram convidadas a participar as maes cujos filhos se encontravam internados devido a complicações neonatais e quando o filho evoluiu para óbito.

Foram incluídas na pesquisa puérperas que não pertenciam aos grupos citados anteriormente, de qualquer faixa etária, independentemente do número de filhos, que aceitaram participar do estudo e que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, elaborado de acordo com as normas éticas para pesquisas envolvendo seres humanos, Resolução 466, de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde.

De acordo com o cálculo amostral, considerou-se população de, aproximadamente, 1.500 puérperas, ao longo de três meses de coleta dos dados (média de 500 maes por mês), prevalência de 50,0% para nível de confiança de 95,0% e margem de erro de 5,0%. Foi estimada amostra de 300 puérperas (Open Epi versão 3.03). Ao final da coleta, os dados do formulário de pesquisa foram analisados com o auxílio do programa Epi-Info 3.5.1.

O estudo iniciou-se após a aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais, localizado na cidade de Coronel Fabriciano, Minas Gerais, sob parecer número 1.133.509 de 08 de junho de 2015.

 

RESULTADOS

Foram entrevistadas 300 puérperas. A idade variou entre 14 anos e 45 anos e a média foi de 27 anos (± 6,5 anos).

Os dados sociodemográficos, como existência de outros filhos e escolaridade materna, encontram-se na Tabela 1.

 

 

Os dados referentes ao transporte de crianças, menores de um ano, estao apresentados na Tabela 2. Entre as entrevistadas, 284 (94,7%) pretendiam levar os filhos para casa de automóvel.

 

 

Os dados relativos às quedas encontram-se na Tabela 3. Ressalta-se que 67 (22,3%) maes pretendiam que os filhos utilizassem andador.

 

 

No que concerne aos tópicos relacionados às queimaduras, as respostas fornecidas pelas puérperas encontram-se na Tabela 4.

 

 

Os dados referentes à segurança do sono estao contidos na Tabela 5. Constatou-se que 187 (62,3%) maes pretendiam colocar o filho para dormir na posição de lado.

 

 

Na Tabela 6, encontram-se as respostas das puérperas relativas à orientação sobre segurança da criança, recebida durante a gestação, e as fontes de orientação.

 

 

DISCUSSÃO

A análise dos dados sociodemográficos mostrou que as puérperas constituíram um grupo heterogêneo. A faixa etária variou entre 14 e 45 anos; 52,0% já tinham outros filhos; 11,6% não completaram o ensino fundamental; e 9,0% haviam cursado o ensino superior completo. Entre os principais fatores de risco para a ocorrência de acidentes, as condições socioeconômicas desfavoráveis sobressaem como causa expressiva. Outros fatores também têm impacto negativo na ocorrência de acidentes, como mae adolescente, família monoparental, mae com baixo nível de escolaridade e residências superpopulosas.11

Entre as maes, 94,7% pretendiam levar o RN para casa de automóvel; 56,3% haviam adquirido assento de segurança para o transporte do filho no veículo. Entre as que possuíam o equipamento, 56,8% ainda não tinham lido as orientações do fabricante. Recomenda-se que, antes de colocar o assento de segurança no carro, os pais leiam o manual que acompanha o produto, assim como o do automóvel. O assento deve ser corretamente colocado no veículo e usado em todas as ocasioes em que a criança for transportada, inclusive por ocasiao da alta da maternidade12, mesmo em curtas distâncias.

Em relação à pergunta sobre como a criança deve ser transportada no automóvel, 16,3% das puérperas informaram que seria no colo da mae e 2,0% em assento infantil, colocado no banco dianteiro. Entre as principais medidas para diminuir a gravidade dos acidentes de transporte, ressalta-se o uso de assento de segurança para lactentes, capaz de reduzir em, aproximadamente, 70,0% o risco de morte.13 É indispensável que o equipamento seja adequado não somente à idade, mas também ao peso e à estatura da criança, devendo os pais serem orientados acerca do uso correto do assento infantil.14 Esse equipamento é recomendado somente para o transporte da criança no interior do veículo, não sendo indicado seu uso para outras finalidades, como para a criança dormir ou alimentar.12 A existência de legislação que torna obrigatório o uso do assento infantil nos automóveis é um recurso para aumentar a adesão ao uso.14

Das maes, 59,7% pretendiam colocar o assento de segurança na lateral do banco traseiro, e a maioria pretendia colocar o filho de costas para o painel do automóvel. O assento deve ser colocado, preferencialmente, no centro do banco traseiro - desde que nessa posição o equipamento fique firmemente instalado - e de costas para o painel do carro, até a criança completar, pelo menos, dois anos de idade.12

Quedas são acidentes muito frequentes na infância. Devem-se às características próprias do desenvolvimento da criança, que incluem a curiosidade, o interesse em conhecer seu entorno e a conquista progressiva da independência. Aliada a essas características, muitas vezes, a vigilância por parte dos cuidadores é inadequada, somando-se ainda condições socioeconômicas desfavoráveis, que são fatores de risco para quedas.5 Na abordagem sobre o local de onde as crianças, de até um ano de idade, caem mais frequentemente, a maioria das maes citou a cama, seguindo-se berço, escada, andador e carrinho de bebê. Zielinski et al. verificaram que as crianças menores de um ano que caíram da escada estavam no colo (24,5%), no andador (16,2%) e no carrinho (5%).15 Devido à frequência com que ocorrem quedas de mobília, entre crianças menores de um ano, deve-se ter atenção especial ao momento em que são colocadas em superfícies altas, para troca de roupa ou para outra finalidade. Recomenda-se que os profissionais de saúde orientem sobre essa situação de risco, o que contribuirá para a prevenção desse tipo de acidente.16

Entre as puérperas, 22,3% pretendiam que seus filhos usassem andador. Em pesquisa realizada por Mulvaney et al., observou-se que somente 53,4% dos pais responderam que seus filhos, menores de um ano, nunca haviam usado o equipamento.17 Além de não trazer vantagem para as crianças, o andador é um fator de risco relevante para acidentes, inclusive eventos graves que podem levar à morte. Orienta-se suspender a produção e a comercialização de andadores. Portanto, os pais devem ser orientados sobre os riscos do andador; se na residência da família houver escada, deve-se orientar, ainda mais, a respeito do perigo que representa para a criança.18 A orientação aos pais destaca-se como um recurso importante para que haja diminuição do uso do andador, com a consequente redução dos acidentes.19

Quando questionadas sobre como as crianças sofrem queimaduras mais frequentemente no primeiro ano de vida, as maes responderam que esses eventos se devem a contato com líquidos quentes, objetos quentes e fogo. Crianças menores de um ano queimam-se, principalmente, por escaldadura com bebidas e substâncias quentes; também sofrem queimaduras em superfícies quentes ou devido a outros agentes, como álcool, soda cáustica e água sanitária. A falta de supervisão e lapso na atenção dos cuidadores são vistos como fatores de risco expressivos para queimaduras em crianças.20

A cozinha foi citada por 93% das maes como o local da casa em que as crianças sofrem queimaduras mais frequentemente. Grande parte das queimaduras de crianças acontece em casa, na cozinha.21 Logo, os pais devem ser orientados quanto aos cuidados a serem tomados nesse ambiente.

Entre as puérperas entrevistadas, 43,0% afirmaram que possuíam álcool líquido em casa. Yoda et al. analisaram prontuários de crianças internadas devido a queimaduras e/ou sequelas de queimaduras e constataram que, em 64,0% das vítimas, o evento foi causado por líquidos quentes e, em 27,0%, por álcool líquido22, mostrando o perigo que o álcool líquido em casa representa para as crianças.

Entre as entrevistadas, 49,2% informaram que, ao preparar o banho para o filho, colocariam água quente e, em seguida, água fria para temperar. As maes devem ser orientadas a colocar primeiro a água fria e, em seguida, temperar com a quente, medida acessível capaz de prevenir queimaduras.23

A avaliação da segurança do sono mostrou vários fatores de risco que tornam o ambiente para dormir inseguro para o lactente, tais como: 22,0% das maes não pretendiam colocar o filho para dormir no quarto delas e 12,3% pretendiam que o RN dormisse na cama com os pais, em moisés e outros locais. Pais, recém-nascidos e lactentes devem dormir no mesmo quarto, no mínimo durante todo o primeiro semestre de vida do filho, mas o ideal seria que esse prazo se estendesse até a criança completar um ano.24 A criança deve dormir em seu próprio berço, colocado nas proximidades da cama dos pais. Essa medida é capaz de diminuir a ocorrência de SMSL e oferece proteção contra sufocação e estrangulamento.24

Das maes, 62,3% informaram que a posição ideal para colocar o RN no berço é de lado e 6,7% responderam que colocariam o filho em decúbito ventral. A posição supina é recomendada como a mais adequada para redução do risco da SMSL. O decúbito lateral e o ventral são desaconselhados para o sono dos lactentes.25

Entre as entrevistadas, 78,7% pretendiam colocar objetos no berço, como protetor lateral, travesseiro, entre outros. As seguintes recomendações devem ser seguidas, visando à segurança durante o sono: colocar o recém-nascido para dormir em berço que contemple os requisitos de segurança, em colchão firme, bem adaptado ao berço e forrado por um lençol bem ajustado.25 Protetores laterais tradicionais podem causar acidentes não fatais e mortes, portanto, não devem ser usados, e sua comercialização deve ser suspensa.26 Orienta-se, ainda, que não se coloquem dentro do berço "objetos macios e roupa de cama soltas"24, inclusive cobertores, colchas e travesseiros.25 No entanto, ainda se observam roupas de cama soltas dentro dos berços, prática ligada a risco de óbitos infantis, no ambiente de dormir, causados por SMSL e sufocação.27 A equipe de saúde, em todos os encontros com responsáveis por crianças dessa faixa etária, deve dar orientação a respeito das medidas indicadas para a segurança no ambiente de dormir.24

Na atual pesquisa, em relação ao aleitamento materno, 99,3% das puérperas responderam que pretendiam amamentar seus filhos, em média, durante 12 meses (± 7,2 meses). Rocca et al. avaliaram, no período pós-parto, a adesão das puérperas às recomendações para a prevenção da SMSL e fizeram nova avaliação, aproximadamente, quatro meses depois. Apuraram que houve diminuição da adesão às orientações recebidas, principalmente as relativas ao aleitamento materno e à posição supina para colocar o lactente no berço. Esse fato aconteceu, especialmente, entre as maes de baixa escolaridade, jovens, separadas do pai do lactente, residentes em ambiente desfavorável e superlotado28, sinalizando a necessidade de reforçar a importância das ações preventivas nas consultas de puericultura. Segundo Vennemann et al., o aleitamento materno oferece proteção contra a SMSL, sendo capaz de diminuir o risco desse evento em aproximadamente 50,0%. Assim, além das vantagens reconhecidas para a díade mae e filho, deve-se reforçar a importância da amamentação na prevenção da SMSL.29

Foi relatada a presença de fumantes em 22,7% das residências dos recém-nascidos; desse percentual, 17,6% das maes eram fumantes. O uso de fumo pela gestante e também a exposição do lactente a ambientes onde há fumantes coloca a criança em risco significativo para SMSL. Do mesmo modo, o consumo de álcool e de drogas ilícitas, durante o período gestacional e após o nascimento do filho, também contribui para aumentar o perigo de ocorrência da SMSL.24

No Brasil, em 2014, entre as mortes, de crianças menores de um ano, por causas externas, aconteceram 606 óbitos catalogados como outros riscos acidentais à respiração, que incluem riscos não especificados à respiração (210 óbitos); inalação de conteúdo gástrico (187 óbitos); inalação e ingestao de alimentos causando obstrução do trato respiratório (135 óbitos); sufocação e estrangulamento acidental na cama (54 óbitos); entre outros (20 óbitos).1 Uma limitação da atual pesquisa foi deixar de interrogar as maes a respeito de tópicos relativos à sufocação. Nesse contexto, a asfixia configura-se como causa relevante de morbimortalidade, particularmente, de crianças pequenas.30 A maioria dos acidentes é causada por alimentos, que determinam mais da metade das ocorrências31, e também por moedas e brinquedos ou parte deles.30

Com vistas à prevenção de sufocação, recomenda-se que alimentos como nozes, pedaços de vegetais crus, pipoca, sementes e uvas inteiras devem ser mantidos fora do alcance de lactentes e de crianças pequenas.31 É necessário atenção ao tamanho dos alimentos no momento de oferecê-los às crianças. Sufocação também pode ser causada por bolas pequenas, botoes, ímas de geladeira, partes de caneta e pequenos prendedores de cabelo de crianças.31 Os brinquedos de irmãos maiores, que têm peças pequenas, são capazes de causar sufocação em crianças menores.30 A prevenção requer orientação aos pais e cuidadores, locais seguros e vigilância adequada às crianças. Também se deve orientar os responsáveis pelas crianças quanto às medidas iniciais e às manobras de ressuscitação cardiopulmonar, em caso de ocorrência de sufocação.30

Das puérperas, apenas pequena parcela recebeu, durante a gestação, informações sobre a segurança dos filhos no primeiro ano de vida. A orientação aos pais e responsáveis é um recurso imprescindível para a prevenção de acidentes entre crianças. Assim, a implementação de medidas preventivas com a participação do sistema de saúde, da mídia, do governo, entre outros, constitui uma estratégia fundamental para a segurança das crianças no primeiro ao de vida.

 

CONCLUSÃO

A análise dos dados mostrou que considerável parcela de puérperas não possuía conhecimento acerca dos fatores de risco para a ocorrência de acidentes com crianças no primeiro ano de vida. Durante o período gestacional, grande parte das maes não recebeu algum tipo de informação sobre segurança de recém-nascidos e de lactentes.

 

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