RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 28. (Suppl.4) DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20180026

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Artigo Original

Efeito neuroprotetor do sulfato de magnésio em recém-nascidos abaixo de 32 semanas admitidos em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal

Neuroprotective effect of magnesium sulfate in newborns below 32 weeks admitted to Neonatal Intensive Care Unit

Ana Clara Barros Pinheiro1; Ana Luísa Tolentino Santos1; André Nascimento Campos1; Letícia Maia Duarte1; Marina Barbabela Grisolia de Oliveira1; Drª. Síura Aparecida Borges Silva2; Prof. Drª. Suzana Maria Pires do Rio1

1. Faculdade de Medicina de Barbacena
2. Maternidade Odete Valadares/Universidade de Itaúna

Endereço para correspondência

Suzana Maria Pires do Rio
Rua Herval nº 515, apartamento 1201
Serra, Belo Horizonte - MG
Telefone: (31) 99131-6176
E-mail: suzanario@terra.com.br

Resumo

OBJETIVO: Avaliar a ação do sulfato de magnésio (MgSO4) para neuroproteção de recém-nascidos (RN) com idade gestacional menor que 32 semanas.
MÉTODOS: Estudo de série de casos realizado através da coleta de dados de prontuários de neonatos de até 31 semanas e 6 dias, admitidos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) de uma maternidade em Belo Horizonte, Minas Gerais, e de suas maes, entre janeiro de 2014 e dezembro de 2016. A comparação das variáveis quantitativas foi realizada pelo teste qui-quadrado de Pearson e pelo teste exato de Fisher. O nível de significância (p) utilizado foi de 0,05.
RESULTADOS: Foram analisados 230 prontuários de neonatos prematuros e suas maes. 170 fizeram uso do MgSO4 anteparto e 60 não utilizaram. Os grupos foram homogêneos quanto às variáveis analisadas. Houve diferença quanto à via de parto (p=0,001) e indicação de interrupção da gestação (p=0,000). Foi realizada uma comparação interna no grupo de maes que usou MgSO4 relacionando via de parto e ocorrência de HPIV, não sendo observada diferença (p=0,480). A ocorrência de hemorragia peri-intraventricular (HPIV) foi significativamente menor no grupo tratado (p=0,020). Com relação à leucomalácia periventricular (LPV), não houve diferença com significância estatística (p=0,223). Quanto à duração da administração de MgSO4 (abaixo, acima ou igual a 4 horas), não houve diferença estatística relacionada à HPIV (p=0,562) e à LPV (p=0,726).
CONCLUSÃO: Foi encontrada uma correlação positiva entre o uso de MgSO4 e a atenuação ou ausência da HPIV. Não houve associação entre o uso de MgSO4 e presença de LPV.

Palavras-chave: Sulfato de magnésio, prematuridade, neuroproteção.

 

INTRODUÇÃO

A maior causa de mortalidade infantil no Brasil são as condições perinatais, principalmente associadas à prematuridade.1 Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o décimo país com maior número absoluto de nascimentos prematuros, com uma taxa de 9,2 a cada 100 nascidos vivos.2 A maior sobrevida dessas crianças, associada aos avanços da medicina perinatal, é acompanhada por aumento expressivo da incidência de complicações, dentre elas, a hemorragia intracraniana peri-intraventricular (HPIV) e a lesão de substância branca.1,3,4,5

A HPIV desenvolve-se pela imaturidade da matriz germinativa, onde observa-se a presença de vasos de pequena espessura, formados somente por tecido endotelial. Alterações do fluxo sanguíneo cerebral e aumento da pressão arterial sistêmica podem resultar na ruptura desses vasos, acarretando a HPIV.6,7 Seu diagnóstico é dado principalmente pela ultrassonografia transfontanelar (USTF), que apresenta alta sensibilidade e especificidade. Tal condição pode evoluir com sequelas de graus variados, como a paralisia cerebral (PC), deterioração intelectual, convulsões, cegueira e surdez, sendo mais frequentes nas HPIV de graus III e IV.5,7,8

A leucomalácia peri-ventricular (LPV) refere-se à necrose da substância branca.7 Na USTF, percebe-se um aumento da ecodensidade peri-ventricular que, progressivamente dá lugar ao desenvolvimento de micro ou macrocistos coalescentes.7

O sulfato de magnésio (MgSO4) é indicado para o tratamento das crises convulsivas associadas ao quadro de eclampsia. No caso da prematuridade, sua principal função é a neuroproteção fetal, quando administrado em mulheres com risco iminente de parto prematuro ou parto prematuro eletivo.9 Ions de magnésio estariam envolvidos na manutenção da integridade da membrana celular e em vários processos intracelulares.10 Há evidências de que o magnésio diminui a produção de citocinas pró-inflamatórias e radicais livres produzidos durante a reperfusão hipóxico-isquêmica. Além disso, o MgSO4 possui efeitos hemodinâmicos benéficos, como o aumento da perfusão cerebral e a estabilização da pressão sanguínea no neonato.11

 

OBJETIVO

Avaliar os efeitos neuroprotetores do sulfato de magnésio em recém-nascidos pré-termo menores de 32 semanas, nascidos em uma maternidade pública, referência em alto risco neonatal, de Minas Gerais.

 

MÉTODOS

Trata-se de um estudo de série de casos que utilizou dados de prontuários de todos os recém-nascidos menores de 32 semanas e de suas respectivas maes, admitidos na Unidade de terapia Intensiva Neonatal (UTIN) de uma maternidade de alto risco perinatal em Belo Horizonte, Minas Gerais, entre janeiro de 2014 e dezembro de 2016, totalizando 303 prontuários. A idade gestacional de nascimento foi determinada, na maioria dos casos, pela ultrassonografia de primeiro trimestre ou pela data da última menstruação. Entre as parturientes que utilizaram o MgSO4, todas receberam uma dose de ataque de 4g, via endovenosa, seguida ou não de dose de manutenção de 2g por hora até o parto. O período entre a administração do sulfato de magnésio e o parto variou de 30 minutos a 12 horas e foram seguidas as recomendações do Guideline Australiano publicado em 2010 para o uso do MgSO4, conforme descrito abaixo12:

• O medicamento deve ser administrado mesmo quando a expectativa do parto é menor do que 4 horas;

• O parto não deve ser protelado para a administração do MgSO4 na presença de urgência obstétrica;

• As pacientes devem ser monitoradas (pulso, frequência respiratória, reflexo patelar e débito urinário) durante o uso da droga;

• A monitorização sérica de magnésio materno não precisa ser realizada quando o mesmo foi administrado unicamente para neuroproteção, considerando a baixa frequência de eventos adversos maternos nessa condição, exceto em pacientes com doença renal crônica;

O gluconato de cálcio a 10%, na dose de 1 g por via endovenosa, deve estar disponível em caso de eventual depressão respiratória materna.12

Os diagnósticos da HPIV e da LPV foram realizados por meio da ultrassonografia transfontanelar, realizada de rotina no 3°, 7°, 14° e 30° dias de vida, e posteriormente, mensalmente até a alta. O exame foi realizado com transdutor de 7,5 MHz na rotina e, eventualmente, de 10 MHz nos casos mais complexos.

As HPIV foram classificadas de acordo com sua gravidade, segundo Papille, em graus I, II, III e IV, sendo que as de graus III e IV são as de pior prognóstico, com maior risco de hidrocefalia e sequelas.13

A medida da neuroproteção foi dada pela frequência da ausência de lesão neurológica entre os recém-nascidos que utilizaram a medicação.

Foram excluídos da pesquisa gestantes com idade gestacional inferior a 22 semanas, portadoras de fetos com malformações, gestantes que usaram MgSO4 previamente durante a gestação e gestações gemelares.

O software StataTM 9.2 foi utilizado para a análise estatística. Foram calculadas medidas de tendência central e dispersão de variáveis quantitativas e frequências relativas e absolutas das variáveis qualitativas. A existência de relação entre as variáveis qualitativas foi medida pelos testes de qui-quadrado de Pearson ou teste exato de Fisher. Foram considerados significativos valores de p ≤ 0.05. A existência de relação entre variáveis qualitativas e quantitativas foi medida pelos testes U de Mann-Whitney e de Kruskal Wallis.

Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG), Brasil, sob o parecer n° 1.582.745 (Anexo 1).

 

RESULTADOS

Foram analisados 303 prontuários, correspondendo a todos os neonatos admitidos na UTIN no período de estudo. Setenta e três foram excluídos, segundo critérios de exclusão previamente estabelecidos, permanecendo 230 para análise. Desses, 170 constituíram o grupo cujas gestantes utilizaram o MgSO4 e 60 constituíram o grupo que não utilizou MgSO4.

A idade das gestantes que utilizaram o MgSO4 variou de 13 a 46 anos (média de 27,55 ± 7,26) e de 16 a 44 anos no grupo que não utilizou MgSO4 (média de 28,01 ± 7,66), não havendo diferença entre os grupos.

A idade gestacional variou entre 23 e 31 semanas (média de 28,65 ± 2,03) e 22 e 31 semanas (média de 28,38 ± 2,42), respectivamente, sem diferença estatisticamente significativa (p=0,644).

Com relação à paridade e tempo de rotura de membranas a frequência foi similar nos dois grupos, predominando as gestantes primíparas (50,59% e 55%, respectivamente) e na maioria dos casos a rotura das membranas foi realizada durante o parto (78,34% e 69,09%, respectivamente). Nas duas situações mencionadas, não se observou diferença estatística (p=0,157 e p=0,409). As características maternas encontram-se descritas na Tabela 1.

 

 

Em relação à via de parto e indicação de interrupção da gestação, houve diferença com significância estatística entre os dois grupos (p=0,001 e p=0,000 respectivamente). Cesarianas predominaram no grupo de gestantes que fizeram uso do sulfato de magnésio. Entretanto, ao se fazer a comparação interna entre as maes que receberam MgSO4, não houve diferença quando comparadas as vias de parto e a ocorrência de HPIV nos RN (p=0,480), conforme demonstrado na tabela 2.

 

 

Quanto às indicações de interrupção da gestação, no grupo tratado foram mais frequentes os distúrbios hipertensivos (58,79%): eclâmpsia, pré-eclâmpsia e HELLP Síndrome. Já no grupo que não utilizou MgSO4, os distúrbios hipertensivos corresponderam apenas a 19,64% havendo uma maior variedade de indicação, tais como trabalho de parto prematuro (39,29%) e outras (41,07%).

Não houve diferença no peso de nascimento dos RN entre os dois grupos. Em relação ao sexo dos neonatos, a frequência foi similar, com leve predominância do sexo feminino entre gestantes que usaram sulfato de magnésio (52,07%).

A idade gestacional do grupo tratado variou de 23 a 31 semanas (média de 28,65 ± 2,03), enquanto a do grupo que não fez uso, de 22 e 31 semanas (média de 28,38 ± 2,42). O APGAR de primeiro e quinto minuto foi similar entre os grupos, não havendo diferença estatística entre eles (p=0,076 e p=0,092, respectivamente).

A ocorrência de óbito predominou no grupo que não fez uso de MgSO4 (20%), enquanto no grupo MgSO4 a frequência foi de 17,06%. Entretanto, essa diferença não foi significativa (p=0,609).

A HPIV foi mais comum no grupo que não utilizou sulfato de magnésio quando comparado com o grupo de uso. As hemorragias de graus I e II ocorreram em 19,11% (30/170) nos RN cujas maes usaram MgSO4 e em 24,07% dos RN (13/60) no grupo que não fez uso. As hemorragias graus III e IV foram mais frequêntes em RN do grupo que não fez uso, ocorrendo em 14,81% (8/60), enquanto no grupo de uso do MgSO4, ocorreram em 4,46% (7/170). A diferença entre a ocorrência de HPIV entre o grupo de uso e o grupo que não fez uso foi significativa (p=0,020).

Em relação à LPV, observou-se no grupo que fez uso do MgSO4, uma frequência de 5,7% (9/170), enquanto no grupo que não fez uso a frequência foi de 10,91% (6/60). Entretanto, esse resultado não apresentou significância estatística (p=0,223). As características neonatais estao descritas na Tabela 3.

 

 

Como não existe, até o momento, uma padronização definitiva em relação ao tempo necessário de utilização neonatal do MgSO4 para maior efeito neuroprotetor, foi realizada comparação entre tempo de uso abaixo, acima ou igual a 4 horas e a ocorrência de lesão neurológica, não sendo encontrada nenhuma diferença significativa, segundo demonstrado na Tabela 4.

 

 

DISCUSSÃO

A menor ocorrência de HPIV em recém-nascidos prematuros foi mencionada, pela primeira vez, nas décadas de 1980 e 1990 em recém-nascidos cujas maes haviam apresentado pré-eclâmpsia e/ou eclâmpsia, quando comparados aos recém-nascidos de mesma idade gestacional, mas cujas maes não apresentaram pré-eclâmpsia.14,15

Em 1992 foi observada, pela primeira vez, a possibilidade do MgSO4 reduzir HPIV em RN prematuros. No entanto, essa hipótese ainda estava associada a uma diminuição dos níveis de prostaglandinas, que ocorreria nos recém-nascidos de maes com pré-eclâmpsia por apresentarem uma condição fisiológica semelhante àqueles que utilizavam indometacina, um bloqueador da ciclo-oxigenase para fechamento do canal arterial.16

A ação neuroprotetora do MgSO4 foi evidenciada em 1995 quando, numa coorte composta por 155.636 recém-nascidos de gestações simples com peso ao nascer abaixo de 1.500g, foi identificada uma redução significativa do risco de paralisia cerebral entre aqueles cujas maes haviam recebido MgSO4 para tratamento de pré-eclâmpsia ou para inibição do trabalho de parto prematuro [7,1 versus 36%; odds ratio (OR) 0,14; intervalo de confiança (IC) 0,05-0,51]. Esta associação persistiu após controle de múltiplos fatores de confundimento.9

Ainda no final da década de 1990 e início da década seguinte dois estudos observacionais desviaram o foco da ação do MgSO4 porque não encontraram redução de HPIV e de PC com a utilização da droga.17,18 No entanto, entre 2002 e 2008, alguns ensaios randomizados controlados que estudaram o efeito neuroprotetor do MgSO4, demonstraram que ele reduzia a ocorrência de

HPIV e LPV e, consequentemente, da paralisia cerebral. Entre os mais significativos estao: o Magnesium Sulphate For Prevention Of Eclampsia Trial (Magpie) (2002), o Australasian Collaborative Trial of Magnesium Sulphate (ACTOMgSO4) (2003), o PREMAG trail (2008) e o Beneficial Effects Of Antenatal Magnesium Sulfate (BEAM) study (2008).19,20,21,22

Em 2009, foram publicadas três metanálises relacionando o MgSO4 para neuroproteção fetal com redução do risco de PC. Na revisão da Cochrane que abrangeu cinco estudos, os autores concluíram haver efeito neuroprotetor da droga, sem aumento de complicações maternas e que, para prevenir um caso de PC, o número necessário a ser tratado (NNT) seria de 63 gestantes. A revisão realizada por Conde-Agudelo e Romero concluiu que o MgSO4 administrado a gestantes com risco de parto antes de 34 semanas reduzia o risco de paralisia cerebral e o NNT para prevenir um caso de PC com MgSO4 seria 52. Em sua revisão Costantine e Weiner individualizaram as idades gestacionais. Quando utilizado antes de 32-34 semanas, ocorreram reduções significativas de paralisia cerebral e óbito. Nesse subgrupo, o NNT corrigido para prevenir um caso de PC entre os sobreviventes até 18-24 meses corrigido foi 56. Nos casos com randomização antes de 30 semanas, o NNT para prevenir um caso de paralisia cerebral até 18-24 meses de idade corrigida foi 46.23,24,25

Em 2016, nova metanálise demonstrou, também, o benefício e a segurança do uso do MgSO4 como agente neuroprotetor para recém-nascidos prematuros reforçando seu uso até que uma alternativa mais segura seja descoberta.26

A partir dos novos dados da literatura, várias sociedades de ginecologia e obstetrícia como o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) e a Society for Maternal-Fetal Medicine, em 2010, o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) e a Society of Obstetricians and Gynaecologists of Canada (SOGC) em 2011, o Institute of Obstetricians and Gynaecologists of the Royal College of Physicians of Ireland em 2013 e, mais recentemente, a Organização mundial de saúde (OMS) em 2015, passaram a preconizar o uso anteparto do MgSO4 para neuroproteção de neonatos cujas gestações foram interrompidas prematuramente.27,28,29,30

Com base nessas evidências e considerando o elevado número de nascimentos de prematuros abaixo de 32 semanas na maternidade de referência, foi conduzido este estudo retrospectivo com o objetivo de confirmar não apenas o efeito neuroprotetor do MgSO4, mas, também, se a sua utilização estava sendo realizada de acordo com o protocolo da maternidade.

Para garantir a homogeneidade da amostra foram observadas as seguintes variáveis: idade materna, paridade, presença de membranas rotas, idade gestacional, dose e tempo de utilização do sulfato de magnésio, via de parto, indicação da resolução da gestação, peso de nascimento, APGAR de 1° e 5° minuto, sexo do recém-nascido, necessidade de intubação em sala de parto e de VPP. A exceção da via de parto e da indicação da interrupção da gestação as demais variáveis não apresentaram diferença estática.

O objetivo da administração do magnésio é dobrar o nível sérico materno. A dose e o tempo de uso do MgSO4 nesta amostra foram semelhantes ao recomendado pela literatura: dose de ataque de 4g e dose de manutenção de 2,0g/hora por até 12 horas e/ou parto, não ultrapassando o limite de 24 horas. Esta amostra apresentou um percentual de uso do MgSO4 de 73,9% (170/230), número semelhante ao estudo australiano onde 74% de gestantes fizeram uso antenatal da droga (142/191).19 Observou-se que, quando não utilizado, em vários casos isto deveu-se à internação da gestante já em trabalho de parto avançado. Nos demais casos, acredita-se que tal fato ocorreu porque membros da equipe médica ainda não estavam adaptados ao novo protocolo. No entanto, esta percepção não foi estatisticamente avaliada.22,31,32

A literatura ainda não conseguiu estabelecer um tempo, minimamente necessário, para que o efeito neuroprotetor do MgSO4 seja alcançado. Em nossa amostra não foi observada diferença quanto à duração de seu uso (até 4 horas ou acima desse intervalo) na ocorrência de HPIV e/ou sua gravidade (p=0,562). O tempo mínimo entre o uso e o nascimento variou de 30 minutos a 12 horas. Semelhantemente, um estudo de 2014 que teve como objetivo avaliar se a duração de uso do MgSO4 teria repercussões sobre a ocorrência de PC e efeitos adversos neonatais e maternos, não demonstrou associação entre estas variáveis.12,33

A literatura apresenta resultados de estudos com idades gestacionais diversas, alguns atingindo até 37 semanas. Sabe-se que o risco de PC é maior em idades gestacionais precoces, embora tais nascimentos ocorram em menor número. A utilização de MgSO4 em idades gestacionais mais estreitas até 34 semanas tem o potencial de aumentar substancialmente o uso excessivo de MgSO4 para mulheres com ameaça de trabalho de parto prematuro. Portanto, seguindo as orientações da SOGC e do Institute of Obstetricians and Gynaecologists of the Royal College of Physicians of Ireland, os autores optaram por focar a atenção apenas no grupo de prematuros abaixo de 32 semanas com objetivo de encontrar um equilíbrio para a utilização adequada de MgSO4. Nesta amostra, os dois grupos não apresentaram diferença em relação à idade gestacional.28,34

Os resultados do presente estudo demonstraram que o uso do MgSO4 antenatal em parturientes abaixo de 32 semanas associaram-se significativamente com a redução da HPIV (p<0,026) corroborando os dados da literatura, embora nem todos tenham observado o mesmo desfecho.19,20,21,41

Haviam, no entanto, duas questoes a serem resolvidas: os grupos apresentavam diferença estatisticamente significativas quanto à via de parto e à indicação principal da resolução da gravidez.

Com relação à via de parto, 74,12% das pacientes que utilizaram o MgSO4 tiveram seus partos por cesariana, enquanto entre aquelas que não utilizaram 50% dos partos foram por cesariana e as 50% restantes por via vaginal (p<0,001). Considerando que este poderia ser um viés nos resultados do estudo, os autores buscaram elucidar esta questao na literatura. Embora os dados não sejam consistentes quanto ao efeito da via de parto sobre a HPIV, sabe-se que durante o trabalho de parto ocorre compressão do polo cefálico com consequente aumento da pressão venosa central que, por sua vez, poderia facilitar a HPIV. Foram identificados dois estudos (uma coorte prospectiva com 254 RN e um estudo retrospectivo com 218 RN, respectivamente). Em ambos, foram identificados maior ocorrência de HPIV entre aqueles que nasceram por via vaginal.35,36 Entretanto, revisão sistemática realizada em 2012 não conseguiu demonstrar aumento de HPIV entre os RN que nasceram por via vaginal quando comparados àqueles que nasceram por cesariana, embora a amostra fosse pequena.37 Outros dois estudos retrospectivos com amostras bem maiores (937 RN abaixo de 1.500g e uma coorte de 20.231 RN entre 24 e 34 semanas, respectivamente) não identificaram diferença na ocorrência de HPIV quanto à via de parto.38, 39

Considerando os dados da literatura e a diferença encontrada na amostra deste estudo, optou-se por realizar uma comparação interna entre os recém-nascidos cujas maes utilizaram o MgSO4, relacionando a ocorrência de HPIV e a via de parto (cesariana x parto vaginal), que não demonstrou diferença estatisticamente significativa (p=0,480).

Com relação à resolução da gravidez, os distúrbios hipertensivos (eclâmpsia, pré-eclâmpsia e HELLP Síndrome) foram, no grupo tratado, a principal indicação. Já no grupo que não fez uso de MgSO4, trabalho de parto prematuro (39,29%) e outras (41,07%) foram as indicações prevalentes. Essa diferença, provavelmente, ocorreu porque, nas situações dos distúrbios hipertensivos, a via alta é mais utilizada levando-se em conta o quadro materno/fetal, além de contraindicação para a indução do trabalho de parto tais como: prematuridade extrema, colo desfavorável, entre outras. Além disso, neste grupo de pacientes, a utilização do MgSO4 é indicada não só com o intuito de neuroproteção fetal, mas como tratamento profilático da eclampsia. Já no grupo que não fez uso de sulfato de magnésio, a via vaginal foi prevalente, provavelmente por impossibilidade do uso do MgSO4 devido a trabalho de parto avançado à admissão, ou mesmo por falta de uma rotina da equipe durante a implantação do protocolo, por não se tratar de um distúrbio hipertensivo. A literatura apresenta, também, divergência quanto a inclusão de pacientes com indicação para receber o MgSO4. No estudo MAGPIE, todas as pacientes tinham o diagnóstico de pré-eclâmptica.40

Outros quatro ensaios clínicos tiveram como principal indicação para o uso do MgSO4 trabalho de parto prematuro e rotura prematura pré-termo de membranas. Independentemente da indicação, os estudos mostraram benefício do uso do magnésio na neuroproteção.19,20,21,22,41

Os resultados do presente estudo demonstraram que o uso do MgSO4 antenatal em parturientes abaixo de 32 semanas associaram-se significativamente com a redução da HPIV (p<0,026) corroborando os dados da literatura, embora nem todos tenham observado o mesmo desfecho.19,20,21,41

A mesma associação não foi identificada para a ocorrência de LPV (p=0,223), embora, proporcionalmente, a sua ocorrência tenha sido bem maior. Acredita-se que que a baixa ocorrência do evento nesta amostra (apenas 15 casos correspondendo a 6,5%) tenha contribuído para este achado. Na literatura a incidência varia de um serviço para outro e é mais frequentemente encontrada em RN prematuros que sobrevivem mais dias e que apresentam distúrbios cardiorrespiratórios. A incidência pode variar de 7 a 34%. Taxas mais altas (68%) foram encontradas em RN de muito baixo peso e que sobreviveram por até 6 dias.42 ZUPAN e COL. encontraram em RN entre 28 e 32 semanas uma incidência de 4,3% e de 16% abaixo de 28 semanas.43 Acreditamos que, com a ampliação da amostra, a redução da LPV associada ao magnésio possa ser detectada de maneira significativa.44

Ainda persistem na literatura dúvidas sobre a ação neuroprotetora do magnésio. Sabe-se que ele atua em muitos processos intracelulares e suas ações incluem vasodilatação cerebral, redução das citocinas inflamatórias e/ou radicais livres de oxigênio e/ou inibição de influxo de cálcio nas células. Lembramos que o U.S. Food and Drug Administration (FDA), em 2013, alterou a classificação de risco gestacional da droga de A para D.45

Também, ainda precisam ser confirmadas a dose e a duração de uso e o momento ideal para ser administrado obtendo-se assim o benefício máximo na gestação. No entanto, as evidências de sua eficácia em relação aos grupos controles e a possibilidade de prevenção de desfechos potencialmente graves como a HPIV, a LPV e a morte neonatal são motivos que incentivam o uso do MgSO4 em todas as mulheres com iminência de parto prematuro, salvo nos casos onde existam contraindicações. A droga apresenta baixo risco em relação à mortalidade infantil, relativa segurança materna e a maioria dos obstetras estao acostumados com seu uso nos casos relacionados à prevenção e tratamento da eclampsia, o que corrobora para a justificativa de seu emprego para neuroproteção fetal. Até que outra droga possa substituí-lo com mais segurança, os autores deste estudo recomendam sua utilização nas maternidades através de protocolos que reproduzam as principais diretrizes internacionais existentes.

 

CONCLUSÃO

O estudo demonstrou efeito neuroprotetor do sulfato de magnésio quando utilizado antes do parto em gestações abaixo de 32 semanas. A neuroproteção foi evidenciada pela redução dos casos de HPIV. Não houve diferença na ocorrência de LPV entre os grupos. Manter a utilização do MgSO4 com objetivo de neuroproteção parece ser uma prática benéfica para o recém-nascido e deve ser estimulada em todos os serviços que atendam partos prematuros até que outra droga apresente a mesma eficácia, com menos riscos neonatais e maternos.

Conflito de interesse: Os autores declaram não ter conflito de interesse.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Prof. MSc. Márcio Heitor Stelmo da Silva pelo auxílio na análise dos dados e ao Prof. Dr. Mauro Eduardo Jurno pela orientação na estruturação e montagem do texto.

 

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