RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 27 e-1908 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20170091

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Artigo Original

Logbooks online em treinamento de cirurgia de urgência/emergência

Online Logbooks in emergency surgery training

Carlos Magno Queiroz da Cunha1; Victor Andrade de Araújo1; José Everardo Silveira-Neto1; Daniela Chiesa2; Francisco Julimar Correia de Menezes3

1. Universidade de Fortaleza, Acadêmico do Curso de Medicina - Fortaleza - Ceará - Brasil
2. Universidade de Fortaleza, Médica. Doutora em Pneumologia. Professora do Curso de Medicina - Fortaleza - Ceará - Brasil
3. Universidade de Fortaleza, Médico. Mestre em Saúde Pública. Professor do Curso de Medicina - Fortaleza - Ceará - Brasil

Endereço para correspondência

Francisco Julimar Correia de Menezes
E-mail: julimarmd@gmail.com

Recebido em: 06/08/2017
Aprovado em: .24/11/2017

Instituição: Universidade de Fortaleza, Médico. Mestre em Saúde Pública. Professor do Curso de Medicina - Fortaleza - Ceará - Brasil

Resumo

OBJETIVO: Descrever a utilização de logbooks em treinamento em Cirurgia de Urgência/Emergência de um hospital secundário de Fortaleza, Ceará, Brasil.
SÍNTESE DOS DADOS: Após cada plantão de 12 horas, os extensionistas da liga de Cirurgia Geral preenchiam um logbook online com os procedimentos realizados, auxiliados ou observados, bem como podiam relatar intercorrências acontecidas durante o plantão. Este material era disponibilizado para o orientador da liga com o intuito de supervisionar o treinamento.
CONCLUSÃO: Logbooks conseguem demonstrar a importância de treinamentos práticos, bem como analisar quando esses não estão proporcionando um ambiente de prática satisfatório para o extensionista. Ademais, podem ser preenchidos via Internet, permitindo armazenamento ilimitado, evitando gastos de papel e proporcionando acompanhamento imediato.

Palavras-chave: Educação Médica. Avaliação Educacional. Materiais de Ensino.

 

INTRODUÇÃO

O logbook, ou diário de bordo, é uma ferramenta de ensino-aprendizagem utilizada em diversos campos do conhecimento, inclusive na área médica. É aplicado principalmente durante o internato, cabendo ao estudante anotar suas experiências diárias após cada prática.1,2

Diante da dificuldade, inerente ao ensino médico, do discente ser acompanhado de perto pelo preceptor em todos os momentos do treinamento, o logbook emerge como uma alternativa de comunicação entre o estudante e seu preceptor a respeito das experiências adquiridas durante a prática, permitindo um feedback ao final de cada atividade. Ademais, por ser um relato diário, essa ferramenta permite a identificação de falhas no processo de ensino, possibilitando corrigi-las em tempo hábil para que não haja grande prejuízo no aprendizado acadêmico.3,4

Além disso, o logbook permite ao estudante visualizar sua evolução durante os treinamentos, identificar os objetivos que não foram cumpridos e traçar alternativas para alcançá-los.1,5

Desse modo, este trabalho tem o objetivo de descrever as vantagens da utilização de logbook em um treinamento (antes denominado estágio acadêmico) em Cirurgia de Emergência e Urgência de um hospital secundário de Fortaleza.

 

SÍNTESE DE DADOS

Treinamento em Cirurgia de Urgência/Emergência

A Liga de Cirurgia Geral da Universidade Fortaleza trabalha ensino, pesquisa e extensão. Na área de extensão, os alunos realizam treinamento de 360 horas, divididas em 30 plantões de 12 horas, nas quais em duplas, supervisionados por 2 cirurgiões, realizam procedimentos básicos e auxiliam em procedimentos mais complexos em emergência cirúrgica de um hospital secundário de Fortaleza.

Logbook online

Após os plantões, os extensionistas preencheram um registro online, disponibilizado via e-mail (Figura 1), no qual relacionam suas cargas horárias, os procedimentos observados/realizados, descrevem sua participação como executor (sob supervisão), 1º auxiliar, 2º auxiliar ou observador. Além da descrição, havia um espaço no tópico "intercorrências" para pontuar problemas ocorridos durante o plantão, faltas ou saídas antes do horário previsto.

 


Figura 1. Logbook utilizado no treinamento. Fonte: Elaborado pelos autores.

 

Utilização do Logbook

Em dois anos de treinamento, 13 extensionistas completaram as 360 horas. Os resultados descrevem 41 tipos de procedimentos (Tabela 1), divididos em procedimentos de pequeno, médio e grande porte, de acordo com a porcentagem de extensionistas que executaram, auxiliaram ou observaram. No tópico intercorrências, os alunos relataram as ocorrências adversas ocorridas nos plantões.

 

 

Desse modo, além de observar os procedimentos realizados pelos alunos durante o treinamento, o orientador da liga estava sempre informado de eventuais faltas ou problemas acontecidos no plantão. Foi salientado que o preenchimento desse instrumento logo após o plantão era recomendado, para evitar o viés da memória e permitir a atualização mais fidedigna.

 

CONCLUSÃO

O logbook, além de registrar os procedimentos realizados, permitiu ao supervisor do estágio obter uma visão global do treinamento realizado, intervir nos casos de desvios dos objetivos de aprendizagem propostos pelas atividades e fornecer feedback. No referido treinamento, constatou-se que os alunos tiveram oportunidade de serem expostos a diversos procedimentos de baixa, média e alta complexidade em cirurgia geral, contemplando os principais procedimentos elencados para a formação do médico generalista. O treinamento prático para o desenvolvimento de habilidades procedurais essenciais foi oportunizado. Além disso, a utilização desse instrumento de registro online diminui o consumo de papel e permite acesso e armazenamento facilitado dos dados.

 

REFERÊNCIAS

1. Schüttpelz-Brauns K, Narciss E, Schneyinck C, Böhme K, Brüstle P, Mau-Holzmann U, et al. Twelve tips for successfully implementing logbooks in clinical training. Med Teach. 2016;38(6):564-9.

2. Chiesa D, Escalante R, van Wyk J, Bollela V. Evaluating logbooks to improve clerkship learning experiences. Med Educ. 2013;47(11):1122-3.

3. Saber M, Firouzi MS, Azizi F. The logbook effect on clinical learning of interns in internal Ward rotation in Shiraz University of Medical Sciences. J Med Educ. 2008;12(3,4):62-6.

4. Gouda P. The need for logbooks to evolve in the undergraduate medical setting. Perspect Med Educ. 2016;5(1):65.

5. Huang CG, Almeida JM, Roberts DH. Reaching the limits of mandated self-reporting: clinical logbooks do not predict clerkship performance. Med Teach. 2012;34(3):e185-8.x