RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 28 e-1964 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20180053

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Artigo de Revisao

Atividade física e tratamento de câncer em crianças

Physical activity and child cancer treatment

Isabella de Oliveira Freguglia1; Rute Estanislava Tolocka2

1. Acadêmica do curso de Educaçao Física da Faculdade de Ciências da Saúde - Universidade Metodista de Piracicaba. Piracicaba, SP - Brasil
2. Educadora Física. Doutora em Educaçao Física. Líder do Núcleo de Pesquisa em Movimento - NUPEM. Professora Titular da Faculdade de Ciências da Saúde - Universidade Metodista de Piracicaba. Piracicaba, SP - Brasil

Endereço para correspondência

Isabella de Oliveira Freguglia
E-mail: freguol@hotmail.com

Recebido em: 07/10/2014
Aprovado em: 26/01/2016

Instituiçao: Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP, Piracicaba, MG - Brasil

Resumo

OBJETIVO: revisao sistemática sobre atividades físicas na fase de tratamento do câncer infantil dos estudos constantes na base de dados do Portal de Periódicos da CAPES, com o cruzamento das seguintes palavras-chaves: Câncer, Children, Physical Activity e Chemotherapy; analise textual e redaçao de unidades temáticas.
RESULTADOS:
Foram identificadas três unidades temáticas: observaçao direta com o uso de questionários, observaçao direta com o uso de acelerômetros e intervençao com atividade física. Com relaçao à observaçao direta com o uso de questionários foi observada a melhora da qualidade de vida dos pacientes, na abordagem com o uso de acelerômetros observou-se a as diferenças da à atividade física diária na fase em tratamento e em pós-tratamento e na intervençao com atividade física os benefícios trazidos à imunidade e o nao prejuízo nos níveis de fadiga e densidade óssea. O grande problema encontrado foi o pequeno número de crianças participando, levando assim, a uma dificuldade de generalizaçao dos resultados para que esses programas sejam realmente aplicados como parte de um tratamento e também a grande diversidade de idades presentes nos estudos.
CONCLUSAO: Entre as evidências apontadas nos estudos consultados está que a atividade física traz benefícios na qualidade de vida dos pacientes que estao em tratamento de câncer, porém comparaçoes entre os estudos ainda sao limitadas, pois esses avaliaram diferentes idades, diferentes tipos de câncer e utilizaram de diferentes abordagens.

Palavras-chave: Câncer. Criança. Atividade Física. Quimioterapia.

 

INTRODUÇAO

Crianças em tratamento de câncer passam a maior parte do tempo em hospitais, com pouco contato social com pessoas de sua idade e sem a possibilidade de realizar qualquer atividade física o que pode trazer grandes dificuldades com relaçao a sua autoestima.

A criança mesmo tendo sobrevivido à doença pode enfrentar problemas no pós-tratamento. A criança apresentará pelo menos um efeito tardio devido o tratamento a qual ela sofreu, entre esses efeitos encontram-se: um segundo câncer, obesidade, problemas no coraçao e no pulmao.1 Devido a esse risco à saúde das crianças sobreviventes, tornam-se essenciais meios de diminuir esse risco de efeitos pós-tratamento.

Um dos maiores problemas encontrados atualmente com relaçao à criança diagnosticada com câncer, ou que já passou pelo tratamento, é o fato destas apresentarem níveis baixos de atividades físicas em seu dia a dia devido às rotinas e tratamentos nos hospitais. Essa falta de atividade imposta pelo cotidiano dos pacientes é o principal desencadeador de problemas como ganho de peso, problemas relacionados a hormônios do crescimento e problemas relacionados à densidade óssea.2

Segundo a Organizaçao Mundial de Saúde (WHO), a atividade física traz benefícios significativos para a saúde e contribui para a prevençao de Doenças Crônicas Nao-Transmissíveis como doenças cardiovasculares, câncer e diabetes, sendo recomendada para crianças e adolescentes a realizaçao de pelo menos 60 minutos de atividade física moderada à intensa por dia.3

A atividade física em crianças e adolescentes auxilia em um complexo conjunto de influências como fatores intrapessoais, fatores interpessoais e fatores ambientais.4,5 Sendo assim se torna essencial para toda criança e adolescente a possibilidade de incluir, ao seu cotidiano, atividades físicas para melhorias relacionadas à sua saúde e a sua vida social, mesmo ela estando em um hospital, como é o caso dos pacientes com câncer infantil.

Assim, faz-se necessário compreender a prática de atividade física da criança com câncer e responder as seguintes questoes:

• Quais atividades físicas foram analisadas? Como foram avaliadas?

• Onde os estudos foram realizados? Quais os tipos de cânceres estudados? A que conclusoes chegaram estes estudos?

• Qual a relaçao estabelecida entre tratamento de câncer infantil e prática de atividade física?

 

REVISAO DE LITERATURA

Estudos relacionados ao câncer vêm se mostrando uma forma importante para o entendimento das complexidades e as formas de açao contra essa doença. Porém, para adquirir este conhecimento, sao necessários estudos aprofundados na área.

Uma forma de prevençao desta doença é a realizaçao de atividades físicas no cotidiano dos pacientes, e estudos de WHO tem indicado os efeitos que esta prática pode trazer as pessoas que estao em tratamento de, porém ainda pouco se sabe quando se refere à criança câncer.6,7,8

Atualmente, o câncer é uma das principais causas de morte no mundo, em 2011 esta patologia foi a segunda causa de morte nos Estados Unidos, com mais de 570 mil casos e se estima que surgirao em 2015, mais de 1.600 milhoes de novos casos.9,10

Dentre as características da doença, encontram-se as neoplasias (ou tumores) que podem ser benignas ou malignas. Nas neoplasias benignas o crescimento ocorre de forma organizada e com limites aparentes, sem que ocorra a invasao de tecidos vizinhos. As neoplasias malignas se diferenciam por serem capazes de invadir tecidos vizinhos, levando assim a um maior grau de autonomia, e por provocarem metástases as quais podem ser resistentes ao tratamento.6

O câncer apresenta estágios que sao classificados de acordo com as características da fase em que ele se encontra. Paralelo a isso existe a necessidade de classificar o câncer conforme a extensao do tumor, este método de classificaçao denomina-se estadiamento que permitirá ao médico especialista propor o tratamento ais adequado ao paciente.10 No Brasil utiliza-se o sistema de estadiamento chamado Sistema TNM de Classificaçao dos Tumores Malignos que é baseado numa extensao anatômica da doença e dando graduaçoes conforme as características dos tumores.

Em relaçao ao câncer infantil a maior dificuldade encontrada atualmente é o diagnóstico precoce da doença. Segundo a Automated Cancer Information System - ACCIS os cânceres infantis sao raros, diferentes dos adultos, e se desenvolvem em 01 entre 500 crianças antes dos 15 anos de idade, nao apresentando causas definidas.11 Alguns estudos tiveram como objetivos em seus estudos a avaliaçao da atividade física diária de pacientes infantis durante o tratamento de câncer.2,12,13 Em seus estudos a intervençao foi analisada por questionários e por um aparelho chamado acelerômetro, o qual contabiliza toda a atividade feita pelo paciente no dia.

Segundo o Grupo de apoio ao adolescente e à criança com câncer - GRAACC os tipos de cânceres mais encontrados atualmente sao as leucemias, os cânceres do sistema nervoso central e os linfomas.14 No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer, em 2015 poderao surgir cerca de 580 mil novos casos sendo atualmente a causa original da mudança do perfil de adoecimento da populaçao brasileira.15

 

DISCUSSAO

A pesquisa bibliográfica foi realizada com a utilizaçao do indexador Decs para a descoberta das palavras-chave em inglês, após a busca obteve-se as seguintes palavras: Câncer, Children, Physical Activity e Chemotherapy. Com a definiçao das palavras-chave iniciou-se a busca nas bases de dados Portal da Capes e Google Acadêmico onde, dentro destas, foram selecionados artigos de portais de pesquisa como Science Direct, MedLine, Scielo e PubMed.

Os resultados referentes a números de artigos encontrados nos portais citados sao mostrados na Tabela 1.

 

 

Na Tabela 2 encontram-se os resultados obtidos através dos cruzamentos de palavras. Verificou-se assim que o número de artigos disponibilizados pelo indexador do Google Acadêmico é muito grande, porém tal sistema de busca nao utiliza o sistema Booleano, ou seja, ele nao busca apenas os estudos que tenham todas estas palavras, razao pela qual optou-se pelo sistema de busca da CAPES, no qual foram encontrados 67 artigos, dois quais apenas 12 foram selecionados.

 

 

Caracterizaçao geral dos estudos analisados

Embora os 12 artigos selecionados tivessem crianças, os grupos estudados variaram em relaçao à faixa etária, sendo a menor idade considerada igual a dois anos e a maior 18.

Sobre o efeito da terapia criativa e arte sobre a qualidade de vida autores avaliaram que pacientes com tumor cerebral receberam tratamento hematológico/ontológico em um hospital sendo avaliado por meio de questionários.16 Apresentou resultados positivos com relaçao a melhora do humor, os pacientes estavam mais excitados mais felizes e menos nervosos.

Em estudo sobre a imunidade foi analisado o efeito de aproximadamente tres semanas de intervençao utilizando exercícios no meio intra-hospitalar para pacientes que realizaram transplante de medula óssea.17 A imunidade, variaveis antropométricas e gordura corporal foram avaliados antes e após o transplante. Os resultados apresentaram queda na contagem de células pós transplante em ambos os grupos, porém o grupo intervençao apresentou uma menor queda quando comparado ao controle. Também houve melhores resultados com relaçao as avaliaçoes antropométricas no grupo intervençao. Os autores concluem que a intervençao de atividade física é viavel e necesária durante a internaçao de crianças com câncer.

Quanto a imagem corporal dos paciente, autores buscaram melhorar esta e também outros fatores como o movimento e interaçao social utilizando a pedagogia clínica por meio de atividades físicas adaptadas sendo essas jogos variados utilizando bolas, raquetes, brincadeiras de expressao corporal e vídeo games.18 Foi avaliado, com a intervençao utilizada, resultados positivos da intervençao de atividade física com relaçao à qualidade de vida dos pacientes do grupo intervençao e a maior diferença significativa foi com relaçao à melhora da auto estima. Os autores concluíram que a atividade física adaptada durante a hospitalizaçao leva a uma melhora da qualidade de vida dos pacientes infantis em dimensoes psicológicas e físicas.

Sobre os níveis de atividade física, autores buscaram medi-la logo após o tratamento para a leucemia linfoblástica aguda (LLA), por meio de um acelerometro.13 Os resultados mostraram que a maioria das crianças apresentaram níveis bons de atividade física diaria, mesmo tendo terminado o tratamento de quimioterapia recentemente, mostrando assim que os pacientes pós tratamento estao envolvidos em atividades físicas e os níveis se relacionam ao de crianças saudáveis.

Em estudo com exercício aeróbio realizado em casa, examinou-se a possibilidade de uma reduçao da fadiga em crianças com leucemia linfoblástica aguda (LLA) por meio de uma intervençao de exercicios aeróbicos realziados em casa durante seis semanas.19 Os resultados mostraram melhora na "fadiga geral" dos pacientes que passaram pela intervençao.

O impacto de um programa de exercícios foi avaliado em pacientes pediátricos com câncer submetidos a quimioterapia para os tumores sólidos com uma intervençao de treinamento físico combinado (força e aeróbio) realizada durente tres meses com sessoes semanais de 60 a 70 minutos de exercícios na sala ou em uma academia lozalizada no setor de pediatrica do hospital. Este estudo ainda está em andamento e terá seu termino apenas em 2016.20

Autores mediram os níveis de atividade física em pacientes pediátricos com leucemia aguda submetidos quimioterapia utilizando um acelerometro e um livro de registro sobre as atividades físicas realizadas.2 Obteu-se valores significativamente maiores em atividades consideradas sedentarias no grupo intervençao em relaçao ao grupo controle, e em nenhum dos pacientes foi encontrados níveis de atividades consideradas vigorosas. Concluiu-se que os pacientes do grupo intervençao apresentaram menores níveis de atividade física e menores intensidades quando estas eram realizadas. O autor citou a necessidade de estudos sobre programas de intervençao com atividade física para melhoria dos resultados encontrados.

Em estudo sobre qualidade de vida, autores examinaram se o envolvonvimento de colegas saudáveis ??no hospital a partir do momento do diagnóstico e durante o tratamento irá melhorar a física e desempenho social educacional de crianças com câncer e facilitar a sua reentrada vida cotidiana após o tratamento. 21 As intervençoes utilizadas foram baseadas em programas educacionais, os quais foram realizados pelas crianças saudaveis, e a intevençao de atividade física que incluía exercicios de força, resistencia e equilibrio. Estudo ainda em andamento com término em 2018.

Os efeitos de exercícios adicionais durante o tratamento dos pacientes foram avaliados em estudo com o objetivo de avaliar o efeito destes na densidade óssea dos pacientes.22 O autor observou que os exercícios adicionais nao afetaram na densidade óssea dos pacientes, mas também nao preveniram sua perda, porém a atividade física foi bem aceita pelos pacientes e nao teve contraindicaçoes dos que participaram dela.

Autores observaram por meio de uma abordagem clínica da terapia de dança / movimento usando a análise de movimento, incluindo Laban de Análise do Movimento (LMA) (Laban, 1980), se a intervençao ajudava na melhora social e física dos pacientes como, por exemplo, diminuiçao dos níveis de ansiedade e realizaçao de atividades físicas mesmo estando em uma cama hospitalar.23

Autores avaliaram a necessidade atual de um programa de exercícios físicos em pacientes infantis de câncer durante tratamento e identificar riscos que a inatividade leva.25 O estudo foi um corte transversal, sendo realizado por meio de questionários e teve como resultados uma diminuiçao significativa da realizaçao de atividades físicas após o início do tratamento sendo assim concluiu-se que a realizaçao de programas de atividades físicas para pacientes em tratamento para prevençao de outras doenças que a inatividade física pode trazer.

Em estudo foi analisado o desempenho motor no final da fase de tratamento quimioterápico de crianças com o objetivo de revelar possíveis déficits motores.12 Foi realiado uma bateria de testes que envolviam desempenho motor com as crianças e os resultados mostraram reduçao significativa nos desempenhos motores relacionados à força muscular explosiva, força de preensao manual, força de resistência dos músculos inferiores, coordenaçao mao-olho, equilíbrio estático, velocidade e flexibilidade, mostrando assim que o tratamento afeta o desempenho motor das crianças. Concluiu-se necessária as intervençoes com exercícios físicos para atenuar esse déficit no desempenho motor.

Nestes estudos foram observados as idades dos pacientes, os tipos de câncer, o número de participantes e a metodologia utilizada por eles em seus trabalhos, como pode ser visto na Tabela 3.

 

 

O Quadro 1 mostra que os artigos possuíam objetivos distintos referentes à avaliaçao da qualidade de vida, classificaçao de atividade física, melhorias e efeitos relacionados ao estado nutricional. Em três deles a atividade física foi utilizada para avaliar problemas específicos causados por câncer.

 

 

Dentro da qualidade de vida, estudos avaliaram o efeito da terapia criativa sobre a qualidade de vida dos pacientes com tumores cerebrais.16 Também apresentaram objetivos envolvendo qualidade de vida sobre a eficácia de uma intervençao de atividade física adaptada na qualidade de vida das crianças e adolescentes; referente ao efeito de atividades terapêuticas utilizando dança, movimento e o brincar e, o estudo que propôs analisar se o envolvonvimento de colegas saudáveis no hospital a partir do momento do diagnóstico e durante o tratamento irá melhorar a física e desempenho social educacional de crianças com câncer e facilitar a sua reentrada vida cotidiana após o tratamento.18, 21, 23

Os objetivos voltados a níveis de classificaçao, melhorias e efeitos relacionados à atividade física foram encontrados no estudo que se baseou em determinar possíveis benefícios de uma sessao regular e supervisionada de exercícios em pacientes com tumores.20.Em estudo foi avaliado os níveis de atividade física de pacientes infantis em tratamento quimioterápico no hospital25. Outros estudos buscaram avaliar necessidade de intervençoes utilizando exercícios físicos para crianças e adolescentes em tratamento de câncer; a performance motora de crianças com diferentes tipos de câncer e os níveis de atividade física em pacientes que terminaram recentemente o tratamento quimioterápico.12,13, 25

Também foram encontrados artigos que possuíam objetivos com características específicas de alguns problemas encontrados nos pacientes com câncer. Um dos estudos apresentou seus objetivos voltados a descobrir os efeitos de uma intervençao com três semanas de exercício em pacientes no hospital com cânceres hematológicos.17 Outros estudos examinaram a validade de uma intervençao com atividades aeróbias visando a reduçao da fadiga e os efeitos de exercícios adicionais para pacientes em tratamento no hospital visando medir a diferença de densidade óssea de crianças com câncer pré e pós intervençao.19,22

Com relaçao à inclusao dos participantes nas pesquisas, todos os artigos indicaram as idades ou faixa etária dos pacientes, seis apresentaram tipos específicos de câncer.2,13,16,19, 20, 22

Outro critério apresentado pelos autores foi baseado em especificidades necessárias a cada pesquisa, como por exemplo, a exigência em se falar as linguais locais.18,25 Outros artigos exigiram em seus critérios de inclusao a ausência de problemas crônicos, nao ter realizado anteriormente o mesmo tipo de tratamento, apresentar bons exames e nao ter tido recaída.17, 18,20,25

Métodos utilizados nos estudos e conclusoes dos autores

A intervençao utilizada variou entre os 12 artigos, sendo cinco deles a abordagem feita por meio de observaçao direta com uso de questionários onde foi avaliada apenas a ocorrência ou nao de atividade física das crianças analisadas. Cinco deles possuíam abordagem em forma de intervençao, avaliando um programa de exercício nos pacientes com câncer e os outros dois artigos tinham a abordagem na forma de observaçao direta com uso de um acelerômetro.

Avaliando os artigos, foram encontradas relaçoes existentes com a abordagem feita por meio de observaçao direta com uso de questionários e entre formas de avaliaçao destes, já que todos utilizaram o formato de questionários, direcionados aos pacientes e aos pais, com forma de avaliaçao das intervençoes realizadas.

Os estudos obtiveram com seus estudos resultados que apoiam a prática de atividade física nos pacientes infantis e adolescentes de câncer tendo em vista a melhora que houve, devido a ela, na qualidade de vida dos pacientes.16,18,23 Foi encontrado também que essa prática de atividade física poderá prevenir doenças que a inatividade pode trazer, como a obesidade.12

Um dos fatores que dificultam a avaliaçao e comparaçao dos artigos foi à ampla diversidade de idades encontradas nestes artigos, das quais abrangeram as idades em total de dois a dezoito anos. Três artigos abrangeram idades com uma diferença de uma média de onze anos entre as idades analisadas e dois desses artigos tinham apenas dois anos de diferença.12,16,18,21,23 Essa grande diferença de idades leva a uma dificuldade em comprovaçao dos fatos analisados nas intervençoes. Outro problema também se deve ao fato do pequeno número de amostras utilizadas nestes estudos.

Os cinco artigos utilizaram questionários como forma de avaliaçao sendo que eram respondidos pelos pacientes e alguns também eram respondidos pelos pais. Esse fato pode gerar problemas com relaçao à confiabilidade dos dados, já que alguns podem responder de forma tendenciosa ou também nao se sentirem a vontade levando a nao responder de forma verdadeira algumas respostas.

Dos outros artigos selecionados, encontraram-se cinco deles utilizando abordagem em forma de intervençao com atividade física e dois deles utilizando a abordagem de observaçao direta com o uso de acelerômetros.

Os artigos fizeram parte deste tipo de abordagem e utilizaram como forma de avaliaçao o acelerômetro.2,13 Este acelerômetro foi utilizado para medir atividade física diária tendo como resultados os níveis em que a criança se encontra desde atividades sedentárias até atividades vigorosas.

Alguns autores encontraram problemas com relaçao à quantidade de atividades físicas realizadas diariamente pelos pacientes com câncer, já que os números encontrados foram baixos quando comparados aos níveis do grupo controle mostrando que a falta de atividade física é existente nos hospitais para pacientes que estao em tratamento de câncer, porém o estudo nao avaliou o porquê desta inatividade.2

Porém em estudo que avaliou a atividade física logo após o termino do tratamento quimioterápico, os autores encontraram bons níveis em seus pacientes, porém o estudo nao avaliou o que os pacientes faziam nestas atividades, pois os pacientes realizaram o estudo em suas casas.13 Outro problema no estudo foi a pequena quantidade de participantes conseguida pelos autores que dificulta nas comprovaçoes do que foi encontrado por eles.

Por fim foram separados os artigos que tiveram como forma de observaçao a intervençao utilizando atividade física.12,17,19,20,22

Nesses estudos os autores objetivaram a avaliar se o programa de atividade física proposto na intervençao traria benefícios ou prejudicaria fatores específicos da doença como a imunidade dos pacientes, a fadiga e a densidade óssea principalmente a aqueles que apresentam cânceres ósseos e necessitam de cirurgia.17,19, 22

Com relaçao à fadiga, estudo apresentou que a atividade física nao alterou de forma ruim os níveis de fadiga geral dos pacientes, quando comparados ao grupo que nao realizou as atividades propostas no estudo. No entanto tais resultados também nao mostraram uma melhora nesses níveis, apenas nao foram alterados com a atividade física.19

No estudo sobre imunidade, o programa de atividade física foi avaliado procurando saber se este traria melhora na recuperaçao dos pacientes que realizaram transplante de medula óssea e em avaliaçoes antropométricas.17 Os resultados neste artigo mostraram que, com relaçao à imunidade, a atividade física foi capaz de melhorar a recuperaçao dos pacientes pós-cirurgia de transplante de medula quando comparado ao grupo que nao realizou a atividade física. Também foram observadas melhoras antropométricas dos pacientes que estavam realizando a intervençao.

Estudos sobre fadiga e densidade óssea assimilaram-se em resultados pois nao apresentaram piora na densidade dos pacientes após a realizaçao de programas de atividade física, mas também a intervençao nao foi capaz de prevenir a perda.19,22

O último estudo com abordagem voltada a intervençao mostrou, através de testes físicos, que a inatividade decorrente do tratamento do câncer em crianças pode trazer déficits em sua performance motora, podendo trazer problemas físicos e sociais em seu futuro.12

Os resultados dos artigos que possuíram a intervençao com atividade física foram bem diferentes, mas pôde-se observar que a atividade física nao trouxe piora aos pacientes, porém esta nao foi capaz de eliminar esses problemas decorrentes do câncer.

Por ser uma área nova, existem estudos já publicados, mas que ainda estao em andamento e apresentarao seus resultados nos anos seguintes.20,21

Esta doença possui muitos fatores adversos os quais nao foram ainda estudados e que sao necessários de serem comentados na literatura para assim obter uma visao mais clara de como aplicar esse programa de atividade física sem que prejudique os pacientes em tratamento.

 

CONCLUSAO

Entre as evidências elencadas pelos autores, está que a atividade física traz benefícios na qualidade de vida dos pacientes que estao em tratamento de câncer, porém a relaçao de número de pacientes e idade foi muito diferente, trazendo uma dificuldade na comprovaçao destes resultados.

A prática de atividades físicas em condiçoes hospitalares ainda precisa ser mais comentada na literatura, já que os resultados variaram muito de um estudo para outro, sendo que apenas dois se apoiaram na comprovaçao de que a atividade nao trouxe melhoras, mas também nao prejudicou os pacientes. A necessidade de mais estudos na área deve levar em conta ao grande número de problemas secundários que sao decorrentes dessa doença, como fadiga, imunidade e densidade óssea, entre outros problemas.

Comparaçoes entre os estudos ainda sao limitadas, pois os estudos abordaram diferentes idades, diferentes tipos de câncer e utilizaram de diferentes abordagens. Entretanto a observaçao destes estudos traz indícios de que a atividade física pode trazer benefícios aos pacientes quando se é avaliado a qualidade de vida dele e, que a realizaçao de atividades físicas nao traz prejuízos aos pacientes.

Novos estudos na área sao necessários para a comprovaçao dos resultados já encontrados até agora e também para novas descobertas sobre este tema tao importante na atualidade.

 

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