RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 28 e-1969 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20180059

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Artigo Original

Conhecimento dos pais sobre o processo de aleitamento materno em maes de uma maternidade pública em Belo Horizonte, MG

Fatherly knowledge of breastfeeding process in a public maternity in Belo Horizonte, MG

Francisco José Ferreira da Silveira1; Julia Carvalho Barbosa2; Vanessa Aline Miranda Vieira3

1. Médico. Doutor em Ciências da Saúde. Professor Assistente da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais - CMMG. Belo Horizonte, MG - Brasil
2. Acadêmica do Curso de Medicina da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais. Belo Horizonte, MG - Brasil
3. Acadêmica do Curso de Medicina da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais. Belo Horizonte, MG - Brasil

Endereço para correspondência

Julia Carvalho Barbosa
E-mail: julia@comexcom.com.br

Recebido em: 19/05/2016
Aprovado em: 29/08/2016

Instituiçao: Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais - CMMG, Belo Horizonte, MG - Brasil.

Resumo

OBJETIVO: Analisar os graus de conhecimento e de participaçao dos pais acerca do processo de aleitamento materno.
MÉTODOS: Estudo do tipo observacional e transversal realizado com 351 casais entrevistados na Maternidade Odete Valadares, em Belo Horizonte, com base em questionários semiestruturados. A coleta de dados foi feita com as entrevistas divididas em duas partes, primeiro respondida pela mae e em seguida pelo pai. A análise dos dados foi feita por meio do software Epi-Info, versao 7.1.2.0.
RESULTADOS: A maioria dos pais (92,02%) relatou nao ter recebido dos profissionais de saúde qualquer informaçao sobre a amamentaçao. Apenas 4,27% dos pais souberam informar o período de aleitamento materno recomendado pela Organizaçao Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil. Quando questionados se, em algum momento, conversaram com a mae sobre alimentaçao infantil, 56,98% responderam que "nao".
CONCLUSAO: O pai, apesar de reconhecer a importância do aleitamento materno, muitas vezes nao conversa sobre esse assunto com a mae. Um pai bem informado e participativo em relaçao à prática da amamentaçao poderá ser um elemento ativo de apoio para diminuir o desmame precoce. A assistência educativa sobre o aleitamento materno, por profissionais de saúde deve incluir e motivar o papel do pai a participar ativamente da amamentaçao.

Palavras-chave: Aleitamento Materno. Relaçoes Pai-Filho. Desmame. Lactente. Pai.

 

INTRODUÇAO

A Organizaçao Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo por seis meses e o aleitamento materno complementado por dois anos ou mais. Porém, as taxas de Aleitamento Materno (AM) no Brasil ainda estao aquém dessas recomendaçoes.1 O AM está diretamente associado à saúde infantil uma vez que é altamente nutritivo, fornece proteçao contra doenças infecciosas, auxilia na formaçao de um melhor vínculo mae-filho e proporciona consequências positivas até mesmo psicológicas.2,3,4,5,6

Dentre os fatores que influenciam o AM estao o uso de mamadeira e chupeta; introduçao precoce de alimentaçao complementar; volta da mae ao trabalho e o apoio familiar, principalmente do pai da criança.1 Mulheres entrevistadas no período puerperal revelaram a necessidade de outra pessoa para ajudar, esclarecer e acompanhar esta prática.7 O apoio paterno é um dos suportes de maior relevância para a amamentaçao na perspectiva materna.7,8 No entanto, muitos pais desconhecem como fornecer apoio às maes, provavelmente por falta de informaçao. Alguns sentimentos negativos dos pais, comuns após o nascimento de um filho, poderiam ser aliviados se eles estivessem conscientes da importância do seu papel, nao apenas nos cuidados com o bebê, mas também nos cuidados com a mae.1

A influência paterna é destacada como um dos motivos para o aumento da duraçao do AM, ou seja, o pai influi na decisao da mulher de amamentar e contribui para a sua continuidade.7,8,9 O sucesso do AM, contudo, nao depende somente da presença dos pais, mas também da sua atitude. Existem evidências que a duraçao do AM pode ser maior quando eles sao atuantes, em relaçao aos indiferentes.7 Littman et al demonstraram que, quando os pais aprovavam intensamente a amamentaçao, 98,1% das crianças eram amamentadas, enquanto apenas 26,9% eram amamentadas quando o pai era indiferente.10

Os objetivos desse trabalho foram analisar a participaçao paterna no aleitamento materno em uma maternidade pública de Belo Horizonte; verificar os conhecimentos dos pais de recém-nascidos sobre o aleitamento materno e avaliar quantitativamente as perspectivas paternas em relaçao a esse regime alimentar para seus filhos.

 

MÉTODOS

Estudo do tipo transversal e observacional realizado na Maternidade Odete Valadares (MOV) em Belo Horizonte - MG. Os motivos para a escolha de tal instituiçao englobam o fato de ela ser pública e realizar uma grande porcentagem dos partos na capital mineira. Além disso, ela tem como missao prestar assistência integral à saúde da mulher e ao neonato, é credenciada na Iniciativa Hospital Amiga da Criança (IHAC) e também funciona como Hospital de Ensino, oferecendo oportunidades de capacitaçao e aprimoramento para profissionais da área de saúde. A MOV já incentiva o a participaçao do pai no AM desde 2004, com a criaçao do curso "Casal Grávido", o que demostra o interesse da instituiçao pelo tema da pesquisa.

Foram incluídos os pais de crianças nascidas na Maternidade durante todo o ano de 2013 e excluídos os pais que se negaram a participar do estudo, bem como maes que estavam desacompanhadas do pai do neonato ou com algum desconforto pós-parto. Para cálculo de amostra considerou-se que para todos os nascidos vivos na MOV era possível a localizaçao dos pais na própria instituiçao para serem convidados a participarem da pesquisa. Segundo dados fornecidos pelo Núcleo de Extensao e Pesquisa da MOV, o total de nascidos vivos, no ano de 2011, na instituiçao foi de quatro mil e vinte e cinco (4 025).

Dessa forma, considerando que o número de nascidos vivos varia muito pouco de um ano para o outro, utilizamos o total de nascidos vivos em 2011 para o cálculo amostral. Ao adotar um intervalo de confiança de 95% e precisao de 0,05 foi calculada uma amostra de 351 sujeitos. Ponderando as possíveis perdas e a fim de minimizar erros amostrais, foi acrescentada uma margem de 10% ao valor obtido resultando entao em, aproximadamente, 390 pais.

A coleta de dados foi realizada na própria instituiçao. A seleçao dos pais foi de forma aleatória, de forma que, à medida que eram admitidos no alojamento conjunto, os pais eram avaliados de acordo com os critérios de inclusao e exclusao do estudo. Os pais foram abordados e convidados a participarem da pesquisa, sendo aplicado o termo de consentimento livre e esclarecido. A coleta de dados foi realizada apenas após a aprovaçao do protocolo de pesquisa pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Universitário Sao José/FELUMA, parecer 275.638, e da Fundaçao Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG), parecer 007/2013, e foram obedecidas todas as normas de regulaçao ética em pesquisas com seres humanos.

Para obtençao dos dados foi utilizado um questionário composto por duas partes, e que foi previamente testado através de um estudo piloto, realizado com 10 pais de recém-nascidos. A primeira parte era respondida pela mae, e alguns dados, como peso e tamanho ao nascer, eram obtidos nos prontuários. A segunda parte foi respondida pelo pai da criança, alvo principal da pesquisa. No questionário havia perguntas referentes à situaçao atual do AM, além da participaçao do pai na gestaçao e a opiniao e conhecimentos referentes ao aleitamento materno. Outras questoes se referiam aos dados socioeconômicos e demográficos, como idade dos pais, escolaridade, número de filhos, renda familiar, além de dados referentes à criança, como idade gestacional, peso e tamanho ao nascimento.

Os dados foram digitados, armazenados e analisados em microcomputador, através do programa Epi-Info, versao 7.1.2.0 (2012). O teste do qui-quadrado foi utilizado para verificaçao da associaçao entre variáveis, considerando o nível de significância (p) < 0,05.

 

RESULTADOS

Foram entrevistados, no ano de 2013, os pais de 351 nascidos vivos na MOV. A tabela 01 mostra a faixa etária dos pais entrevistados.

 

 

A grande maioria das mulheres, 76%, possui um relacionamento estável com o parceiro. A renda familiar era em média de três salários mínimos, e as residências tinham uma média de quatro pessoas, incluindo o recém-nascido.

Em relaçao ao número de consultas de pré-natal realizadas pelas gestantes, a maioria (57,83%) realizou mais de 7 consultas, 40,17% entre 4 e 7 consultas, 1,14% menos de 4 consultas e 0,86% nao realizou o pré-natal.

O Gráfico 01 ilustra a situaçao da amamentaçao no dia da coleta de dados. Nota-se que 277 (78,92%) dos recém-nascidos estavam em AM exclusivo, 53 (15,10%) estavam em AM complementado com fórmula láctea infantil e 21 (5,98%) nao estavam amamentando.

 


Gráfico 1. Situaçao da amamentaçao no dia da coleta de dados

 

As perguntas relacionadas à amamentaçao revelaram que 92,59% dos pais nao foram convidados a participar de qualquer atividade em Unidades Saúde durante a gestaçao de seus filhos. Os que foram convidados participaram de palestras e outras atividades, em suas maiorias (84,60%) organizadas pela rede de serviços de saúde do SUS - centros de saúde e MOV. Dos 26 pais que foram convidados a participar de alguma atividade na Unidade de Saúde durante a gestaçao, 08 (30,77%) relataram que receberam informaçoes sobre o AM, e dos 325 pais que nao foram convidados a participar de qualquer atividade, apenas 20 (6,15%) receberam informaçoes sobre o AM, sendo que essa diferença é estatisticamente significativa (p = 0,000046).

A maioria dos pais (78,34%) revelou ter acompanhado a gestante em algum momento ao serviço de saúde, como em consultas de pré-natal e/ou exames de ultrassonografia. Destes, 38,55% acompanharam mais que 04 vezes; 33,82% de 3 a 4 vezes; 16% duas vezes e 11,64% uma vez. Dos 275 pais que acompanharam a mae no serviço de saúde em algum momento da gestaçao, 24 (8,73%) receberam informaçoes a respeito da amamentaçao por profissionais da área da saúde e dos 76 pais que nao acompanharam a mae nos serviços de saúde, apenas 4 (5,26%) receberam informaçoes a respeito do AM. A diferença desta variável entre os dois grupos nao é estatisticamente significativa (p=0,45).

Quando perguntados em quais unidades de saúde eles acompanharam as maes de seus filhos durante a gestaçao, 34,55% deles foram apenas à rede pública de saúde; 36,73% tanto na rede pública quanto em serviços particulares; 28,00% apenas em serviços particulares e 0,72% apenas em grupo de gestantes da Unidade Básica de Saúde.

Além disso, 92,02% dos pais disseram que, durante a gestaçao das maes de seus filhos nao receberam, por parte de profissionais de saúde, qualquer informaçao sobre o AM. Os 7,98% restantes receberam informaçoes em sua maioria por enfermeiros (47,06%), seguido pelo médico obstetra (29,41%), pediatra (11,76%) e nutricionista (11,76%).

Quando questionados se já conversaram com as maes de suas crianças sobre alimentaçao infantil, 56,98% disseram que nao, e se já conversaram com elas sobre amamentaçao, 50,43% relataram que nao. Porém a maioria (96,87%) acha que suas respectivas parceiras têm a intençao de amamentar os filhos, e onze pais (3,13%) relataram que nao há intençao delas de amamentar.

O Gráfico 02 representa a visao paterna no que diz respeito à idade que deve ocorrer o desmame. A maioria dos pais (31,91%) disse que a criança deve deixar de amamentar entre 13 meses a 2 anos, 1,71% acredita que a criança deve deixar de amamentar com menos de 3 meses, 13,39% entre 3 e 6 meses, 28,79% entre 7 meses a 1 ano, 21,08% a partir de 2 anos e 3,42% dos pais nao souberam citar um período.

 


Gráfico 2. Idade em que a criança deve deixar de amamentar segundo a percepçao paterna

 

O Gráfico 03 mostra os motivos pelos quais os pais consideram a amamentaçao importante. A proteçao contra doenças no recém-nascido foi o benefício mais citado, seguido pelo ganho de peso e crescimento do neonato. Entre os "outros motivos" estao proteçao contra doenças na mae, a criaçao de vínculo e afeto entre mae e filho e até economia.

 


Gráfico 3. Importancia do Leite Materno segundo a visao paterna

 

Sobre a necessidade e a importância do neonato receber algum outro alimento ou líquido além do leite materno, 24,22% dos pais afirmaram que os respectivos neonatos já deveriam receber algo que complemente o leite materno. Entretanto, a maioria deles (75,78%) afirma que nao há necessidade de complementaçao nessa faixa etária. Dos pais que disseram nao haver necessidade do recém-nascido receber outros alimentos, além do leite materno, 37,97% relataram que os alimentos complementares devem ser iniciados apenas aos seis meses de idade, enquanto para 33,08% deles isso deve ser feito após os seis meses e para 21,65% deles a alimentaçao complementar deve ser introduzida entre um e cinco meses de idade.

Apenas 15 pais (4,27%) souberam informar o período de AM preconizado pela Organizaçao Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde (AM exclusivo por seis meses e AM complementado por dois anos ou mais).

Sobre experiências anteriores com amamentaçao, 36,18% dos pais relataram que tiveram com outros filhos, e desses, 92,90% relataram que a experiência foi positiva. Um percentual semelhante (37,32%) também teve participaçao na amamentaçao de outros parentes próximos como primos, sobrinhos e irmaos, sendo que 96,20% deles relataram uma experiência positiva nesse período. Os motivos que fizeram com que alguns pais descrevessem uma experiência desfavorável em algum momento foram: "criança nao pegou o peito"; "mae voltou a trabalhar cedo"; "mae nao quis amamentar"; "mae nao tinha leite".

 

DISCUSSAO

O controle pré-natal, segundo recomendaçoes de organismos oficiais de saúde, deve ter início precoce, ter cobertura universal, ser realizado de forma periódica, estar integrado com as demais açoes preventivas e curativas, e deve ser observado um número mínimo de consultas.11 O Protocolo do "National Institute for Health and Clinical Excelence (NICE)", publicado pelo "Royal College of Obstetricians and Gynaecologists" preconiza um número mínimo de sete consultas de pré-natal para as multíparas e dez para as nulíparas.12

Diante disso, observa-se que, na amostra estudada, quase metade das gestantes nao fizeram um número mínimo de consultas de pré-natal adequado. Considerando que essas consultas sao importantes para orientar pais e maes a respeito dos primeiros cuidados com o futuro lactente, este déficit de consultas pode refletir parte das deficiências dos conhecimentos dos pais em relaçao à amamentaçao.

Apesar da quantidade de consultas terem sido, muitas vezes considerada inadequada, a maioria dos pais esteve presentes em algum serviço de saúde. Entretanto um pequeno número deles recebeu informaçoes sobre a amamentaçao através dos profissionais de saúde.

Acredita-se que a assistência pré-natal adequada é aquela oferecida ao casal, possibilitando e estimulando a participaçao ativa do marido, desde o início da gravidez, o que contribui ainda para a construçao do vínculo afetivo com o filho o mais precocemente possível.13

Além das consultas de pré-natal, existem diferentes formas de inclusao paterna em trabalhos educativos, como discussoes em grupos, dramatizaçoes e outras dinâmicas que facilitam a fala e a troca de experiências entre os componentes do grupo. Temas como o AM bem como a participaçao do pai na gestaçao e a criaçao do vínculo pai-filho estao entre as questoes que poderiam emergir desses grupos educativos.14

Dos pais entrevistados, apenas 7,41% foram convidados a participar de qualquer atividade durante a gestaçao das maes de seus filhos. Esse é provavelmente um aspecto cultural na assistência pré-natal, e que pode ser considerada uma perda de oportunidade de estímulo e apoio ao AM. Além disso, mesmo quando houve a participaçao deles nas atividades, menos de 50% recebeu informaçoes sobre a amamentaçao. Há necessidade, portanto, de estimular a presença paterna durante a gestaçao nessas atividades, porém cumprindo um papel educativo, com informaçoes consistentes sobre alimentaçao infantil e AM.

Em pesquisa realizada em 45 hospitais, incluindo públicos e privados, no município de Sao Paulo, avaliou-se o apoio ao aleitamento materno tendo como referência os padroes estabelecidos pela IHAC. Foi ressaltado que mais de 1/4 dos hospitais públicos e mais de 1/3 dos privados nao cumpriam qualquer passo da IHAC e que de modo geral, rotinas de proteçao, promoçao e apoio ao aleitamento foram encontradas com mais frequência nos hospitais públicos do que nos privados. Nao foi encontrada nenhuma pesquisa que abordasse especificamente a participaçao do pai em serviços privados, sendo necessário mais estudo nesse sentido para que possamos comparar com instituiçoes públicas, como a desta pesquisa.15

Pode-se considerar que a influência do pai sobre o AM geralmente é subestimada. Os profissionais de saúde habitualmente omitem a preparaçao dos futuros pais, que normalmente nao participam de consultas de pré-natal, grupos operativos e outras açoes.16 Essa desinformaçao paterna em relaçao ao AM pode manter ainda o desinteresse dos pais sobre alimentaçao de seus filhos, sendo que neste estudo mais da metade deles em momento algum conversaram com as maes sobre amamentaçao e alimentaçao da criança.17

Em um estudo realizado em Sao Paulo em 1999 os pais foram indagados sobre a necessidade de aprenderem sobre aspectos do aleitamento materno, sendo que 89% deles responderam que era importante e justificaram que estariam mais bem informados sobre o tema, ajudariam a esposa no cuidado com a criança e discutiriam sobre o assunto, alertando-a e incentivando-a para a amamentaçao. Ainda pode-se constatar que os conhecimentos dos pais sobre o tempo recomendado de AM sao bastante deficientes, considerando que apenas 20% deles afirmaram que essa prática alimentar deve ocorrer até pelo menos dois anos de idade, conforme recomendado tanto pela Organizaçao Mundial da Saúde quanto pelo Ministério da Saúde.13

Em Sao Paulo, 41% dos pais responderam como tempo adequado de AM um período maior de 12 meses. A título de comparaçao, se somarmos as porcentagens dos intervalos entre 13 meses e mais de 02 anos da pesquisa em Belo Horizonte temos um valor aproximado de 50%, semelhante ao estudo citado. Encontramos compatibilidade entre as pesquisas referente ao fato de poucos pais citarem que a criança deve ser amamentada por menos de seis meses.13

Neste estudo, a maioria dos pais nao considera necessária a complementaçao do AM nos seis primeiros meses de vida da criança. No estudo realizado em Sao Paulo 60% dos homens acreditam ser importante a complementaçao precoce.13 As constantes tentativas de disseminar as informaçoes sobre o AM para o pai, ao longo dos 14 anos encontrados entre os dois estudos, podem ter contribuído para a inversao dos dados encontrados.

Uma pesquisa realizada em Recife (PE) mostrou de forma semelhante a este estudo, que os pais possuem muitos conhecimentos corretos sobre os benefícios do leite materno e que tais conhecimentos podem ser um dos fatores que favorecem a escolha e a manutençao da prática do amamentar. O AM está fortemente ligado à saúde da criança e direcionado à economia financeira do próprio pai, motivos pelos quais os pais consideram a amamentaçao importante.18

Na cidade de Pelotas, regiao Sul do Brasil, foi realizado entre 2002 e 2003 um estudo de coorte prospectivo com delineamento longitudinal cujo objetivo era avaliar a percepçao das maes quanto ao apoio paterno e sua influência na duraçao do aleitamento materno. Percebeu-se que apesar da quase totalidade dos pais apresentar opiniao favorável à amamentaçao, apenas um terço deles recebeu informaçoes sobre amamentaçao. Este dado é muito semelhante aos resultados encontrados nesta pesquisa, uma vez que em Belo Horizonte apenas 30% dos pais que participaram de atividades relacionadas à gestaçao foram esclarecidos acerca da amamentaçao. Além disso, em Pelotas, metade dos pais acompanhou suas esposas nas consultas pré-natais e durante o trabalho de parto, mas apenas 3% estavam presentes na sala de parto.8

Já um estudo exploratório e descritivo de abordagem qualitativa, desenvolvido com pais usuários do Sistema Unico de Saúde da regiao Leste de Goiânia, Goiás, concluiu que muitos pais entrevistados nao apresentaram conhecimento adequado acerca do aleitamento materno, nao receberam orientaçoes durante o pré-natal e, portanto, poucos participaram desse processo, demonstrando que nao estao integrados ao processo gestacional e isso inclui o processo de amamentaçao. 19

Os resultados de uma pesquisa realizada por Serafim e Lindsey no Ambulatório de Pediatria da Escola Paulista de Medicina demonstraram que os pais reconhecem a importância do AM para a saúde da criança, porém, de modo geral, nao valorizam o auxílio oferecido à esposa como medida de contribuiçao efetiva para a manutençao da amamentaçao. A importância de o pai ser orientado sobre as questoes básicas do AM para poder prestar ajuda mais concreta à esposa no período de amamentaçao e, também reconhecer a necessidade e a influência positiva de sua colaboraçao na fase em que o filho está sendo amamentado foi evidenciada tanto pelas pesquisas de Goiás e do Ambulatório de Pediatria da Escola Paulista quanto pelo presente estudo. O pai bem informado sobre a prática da amamentaçao pode ser considerado um elemento importante para diminuiçao do desmame precoce. Os resultados demonstraram que o pai reconhece a importância do leite materno para a saúde da criança, mas, muitas vezes, nao chega nem a conversar sobre esse assunto com a mae por falta de informaçao.20

Portanto, ressalta-se a importância da assistência educativa sobre o AM ao pai da criança por profissionais de saúde que devem inclusive motivá-lo a participar mais ativamente do processo.

 

REFERENCIAS

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