RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 28. (Suppl.6)

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Editorial

Dr. José Américo de Campos - um homem a admirar e um exemplo de pediatra a seguir

Luci Yara Pfeiffer

Membro do Departamento Científico de Segurança da Sociedade Paranaense e Brasileira de Pediatria. Coordenadora da Associação DEDICA - Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente - PR. Responsável pelo Programa HC DEDICA - programa de atendimento a crianças e adolescentes em situação de violência grave, do Hospital de Clínicas da UFPR

 

Como membro do Departamento Científico de Segurança da nossa SBP posso dizer que tive a sorte e a felicidade de conhecer um professor pediatra que ia além de todo o esperado na defesa das crianças e dos adolescentes. Na época, anos noventa, o DC já desenvolvia muitas ações para prevenção de acidentes, incluindo a área de toxicologia, assunto que não estava incluído na maioria das graduações e pós graduações em medicina de nosso país.

Aos poucos a prevenção e o enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes foi sendo colocado em pauta por ele, que era incansável na busca de novas ações sejam de nossa SBP, seja governamentais e, diretamente do pediatra. Em seu tempo de presidente do DC de Segurança, não mediu esforços para que estes temas estivessem nos programas dos congressos, nacionais, regionais e cursos, para que o saber que ele dominava tão bem, com apoio dos membros do DC chegassem à maioria dos pediatras de nosso Brasil. Com sua gentileza habitual, mas firmeza absoluta na defesa dos propósitos para melhoria da assistência às crianças, lutava pelos lugares nas câmaras técnicas e produções governamentais nas políticas públicas de prevenção e enfrentamento da violência na infância e adolescência, como a de 2001, única até os dias de hoje.

Com reuniões de dias inteiros em cada congresso que participávamos, distribuía tarefas, que sabia como cobrar, sempre gentilmente, para que os temas acidentes e violências tivessem visibilidade e propostas cientificamente elaboradas.

Sabia nome dos filhos, da família, lembrava de situações agradáveis de tempos de convivência, respeitava o saber de cada um do DC, apesar de sua enorme bagagem cultural, científica e política.

Foi a cada estado de nosso país a fundar os DCs de Segurança regionais, como no Paraná, em 1998, solicitando especial olhar dos presidentes das filiadas na proteção das crianças e adolescentes.

Entregava sua experiência e seu saber a todos que o rodeavam, desde as dicas de como falar sobre os temas que defendíamos, aonde buscar parceiros, às formas de elaborar contratos de parcerias e de não ceder às imposições dos que queriam obter lucro, pessoal ou para a indústria que representavam, sempre vigilante quanto a ética e a moral.

Apaixonado por sua família, fez de Ana Maria, sua esposa, nossa parceira em jantares, reuniões e até projetos. O nome de seus filhos sempre estavam entre as reuniões e encontros, seja como pai orgulhoso, seja como exemplo de paternidade.

Podemos e devemos tentar seguir muitos de seus passos, com a ciência de que Dr. José Américo de Campos tinha um saber nem sempre possível de ser reproduzido, porque nele estava sua alma. Nos fará muita falta!