RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 29. (Suppl.2)

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Suplemento do II Congresso Médico Acadêmico da UNIPAC Juiz de Fora

Suplemento do II Congresso Médico Acadêmico da UNIPAC Juiz de Fora

 

A PRATICA ROTINEIRA DA EPISIOTOMIA NA OBSTETRICIA MODERNA: REVISÃO SISTEMATICA

Alice Morais de Carvalho1; Marcela Reis Fonseca1; Jéssika Fontes Medina1; Leandro Vespoli Campos2

1. Acadêmicas do curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora - SUPREMA,
2. Docente do curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora - SUPREMA

Email: alice_carvalho94@hotmail.com

Introdução: A episiotomia é uma incisão cirúrgica realizada no períneo da mulher no parto. Profissionais alegavam que a conduta beneficiaria tanto a gestante, ao reduzir o esforço do parto, quanto o bebê, ao evitar traumas cranianos. A partir da década de 1980, começaram a surgir questionamentos acerca da eficácia e necessidade da episiotomia de rotina, pois ensaios clínicos randomizados e controlados evidenciaram fatos contrários aos preconizados no passado. Objetivos: Analisar, através de uma revisão sistemática, a utilização rotineira da episiotomia e suas repercussões. Métodos: Foi realizado pesquisa nas bases de dados SciELO com o descritor: episiotomia e MEDLINE com a frase de pesquisa: (episiotomy OR episiotomies) e os seguintes filtros: review, 10 years e humans. Foram analisados artigos entre 2008 e 2017. Resultados: A episiotomia é muito utilizada, constituindo-se em um procedimento de uso liberal. Contudo, estudos demonstram que o uso rotineiro da episiotomia não traz benefícios, pois a incisão no períneo envolve riscos, notadamente, a extensão da lesão, hemorragia significativa, dor no pós-parto, edema, infecções, hematoma, dispareunia, fístulas rectovaginais e, embora raro, a endometriose da episiorrafia. A sensação dolorosa local pode prejudicar o autocuidado materno e a prestação de cuidados ao recém-nascido. Além disso, merece destaque a desinformação da maioria das mulheres, devido à falta de comunicação do profissional com a gestante, o qual não fornece esclarecimentos sobre o que é episiotomia, quais suas indicações, vantagens e desvantagens e quais as suas consequências. Dessa forma, a mulher assume uma posição no processo de gestação e parturição de submissão, sendo refém das decisões e práticas dos profissionais da saúde, principalmente do médico. Conclusão: A episiotomia perdeu seu enfoque seletivo ao longo dos anos, gerando consequências negativas às parturientes que, muitas vezes, desconhecem tal procedimento. Sendo assim, com base nas evidências científicas, o uso rotineiro da episiotomia deve ser desencorajado.

Palavras-chave: Episiotomia. Parto. Procedimentos Obstétricos. Dano Perineal.

 


 

A PREVALENCIA DO ABORTO PROVOCADO EM MULHERES DE SITUAÇÃO DE BAIXA RENDA, SUAS COMPLICAÇÕES E A VIOLENCIA INSTITUCIONAL

Alana Santos Campanati1, Ana Luíza Fonseca Xavier1, Daniel de Christo Esteves1, Mariana Fernanda Lopes Felício1; Artur Laizo2

1. Acadêmicos do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Juiz de Fora - FAME/JF, da Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC.
2. Cirurgiao geral, mestre e doutor em Cirurgia Geral através da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG - Belo Horizonte, MG, Professor do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Juiz de Fora - FAME/JF, da Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC.

Email: ana.fonsecax@gmail.com

Introdução: O aborto é uma questao de saúde pública em razao dos altos riscos que oferece, tendo em vista que, mundialmente, é responsável por 13% das mortes entre mulheres grávidas. Tal prática não é restrita a mulheres de baixa renda, no entanto, as complicações são mais evidentes nessa classe social. O tratamento dessas, pode ser dificultado pela violência institucional, caracterizada por atitudes que violam o dever de acolhimento do serviço de saúde e impedem que as mulheres tenham suas necessidades atendidas. Objetivo: Identificar e discutir a prevalência do aborto em mulheres de baixa renda, as complicações provocadas por procedimentos inseguros e incompletos, como também a discriminação e negligência que ocorrem durante a assistência médica. Métodos: Trata-se de revisão bibliográfica qualitativa, de junho a agosto de 2018, nas bases de dados SciELO e BVS/BIREME. Os descritores utilizados na busca foram "aborto", "aborto induzido", "mortalidade materna" e "violência institucional". Como critérios de inclusão foram utilizados o ano de publicação (2008 a 2018), o idioma português e inglês e as publicações que abordassem especificamente o tema. Foram excluídos artigos que remetessem ao aborto por razoes médicas e legais e o aborto espontâneo. Resultados: A prevalência do aborto induzido ocorre em contingente de baixa renda, baixo nível de escolaridade, desemprego, início precoce da atividade sexual, bem como ausência de um parceiro fixo e uso irregular de métodos contraceptivos. Revelou-se nesse estudo que o aborto clandestino não garante segurança e saúde à mulher que o pratica, tendo como consequência complicações que demandam assistência hospitalar, agravadas pela violência institucional. Conclusão: Pode-se inferir que a condição socioeconômica influencia a prática do aborto inseguro, sendo este passível de complicações. Infere-se ainda, que em países onde o aborto não é legalizado, muitas mulheres sofrem maus-tratos, julgamento moral e abuso do serviço de saúde.

Palavras-chave: Aborto. Aborto Induzido. Aborto Inseguro. Violência Institucional.

 


 

A RELAÇÃO ENTRE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E ELEVADOS NIVEIS DE TESTOSTERONA PRÉ-NATAL

Lorena Campos de Andrade1, Bianca Lima Vital1, Marcella Martins Terra2

1. Acadêmicas do curso de Biomedicina da Faculdade de Ciências da Saúde de Juiz de Fora - FACISA/JF, da Universidade Presidente Antônio Carlos de Juiz de Fora (UNIPAC- JF).
2. Professora do curso de Biomedicina da Faculdade de Ciências da Saúde de Juiz de Fora - FACISA/JF, da Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC.

E-mail: lorenacampos6296@gmail.com.

Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é o Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID) mais conhecido, sendo caracterizado por atrasos e desvios no desenvolvimento das habilidades sociais, comunicativas e comportamento, sendo mais frequente em homens. Objetivos: Demostrar como os níveis elevados de testosterona pré-natal podem estar relacionados ao TEA, bem como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Métodos: Pesquisa qualitativa nos bancos de dados National Center for Biotechnology Information (PubMed) e Scientific Electronic Library Online (sciELO). As palavras usadas na pesquisa foram "autismo", "ovários policísticos" e "testosterona". Os artigos utilizados englobam o ano de 2015 a 2018. Resultados: A SOP é o distúrbio hormonal mais comum que afeta mulheres em idade reprodutiva, podendo variar de ciclos menstruais irregulares a infertilidade por disfunção ovulatória e sintomas androgênicos; e sendo capaz de apresentar outras consequências, como no sistema endócrino e cardíaco, onde afeta dermatologicamente e psicologicamente a mulher acometida. Um recente estudo demonstra a relação entre as taxas de testosterona pré-natal, que está diretamente relacionada com a SOP, e o TEA, assim como a progesterona e o cortisol. Mulheres com autismo também apresentam uma grande desregulação hormonal, como no hormônio luteinizante (LH), androstenediona e androgênios livres, os quais estao elevados. Esse estudo ainda mostra que as placentas das mulheres com SOP tem uma pequena atividade da aromatase P450, que é responsável pela degradação dos andrógenos, sugerindo sua acumulação. Outras condições metabólicas também são destacadas, como a hiperinsulinemia, que está diretamente relacionada ao aumento da atividade esteroidogênica. Conclusão: Há uma grande relação entre esses hormônios e o autismo, e as condições metabólicas associadas com SOP, que podem ser reversíveis com o diagnóstico precoce, juntamente com o TEA que pode ser reduzido.

Palavras-chave: SOP. Transtorno Autístico. Testosterona.