RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 29. (Suppl.10) DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20190081

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Suplemento do 2º Curso de Antibiocoterapia LIPDIP/LADIP

Neurocriptococose e hipertensão intracraniana em paciente HIV positivo

Aldo César de Brito Moraes1, André Felipe Lobão Fernandes1, Antônio Augusto de Almeida Nogueira1, Danilo Vale Carneiro1, Gabriel Teixeira Diniz1, Mateus Pinto Ribeiro1

1. Academico da Universidade Federal De Minas Gerais

 

Introdução: Neurocriptococose, meningoencefalite causada por Cryptococcus neoformans de caráter subagudo. Trata-se uma das principais meningoencefalites do paciente HIV positivo. A avaliação liquórica apresenta bioquímica e citologia pouco expressivas, mas frequentemente com importante hipertensão intracraniana. O diagnóstico se dá, dentre outras formas, através da pesquisa direta do fungo, detecção de antígeno ou cultura do líquor. Em caso de hipertensão liquórica, são realizadas punções lombares, visando reduzir a pressão intracraniana. Descrição do caso: Paciente sexo masculino, 54 anos, apresentando há 5 dias dores pelo corpo, cefaleia holocraniana, desequilíbrio, dificuldade de marcha, sonolência e confusão mental. Nega febre, alterações visuais ou vômitos. Ao exame físico, estrabismo convergente bilateral, apraxia da marcha. Diagnóstico de HIV em 2010, tratamento com Tenofovir, Lamivudina, Atazanavir/ritonavir. Medicação suspensa há 1 ano. Exames laboratoriais: CD4 20células/mm³; Carga viral 643.265 cópias/mL; Líquor: Pressão de Abertura 41 cmH2O; Glicose 47mg/dL; Proteínas 57/mm³; células nucleadas 24/mm³; Pesquisa de criptococos positivo; Cultura Cryptococcus neoformans positiva. Tomografia Computadorizada de Crânio e Ressonância Magnética de encéfalo sem alterações. Tratamento instituído com Fluconazol 1200 mg/dia e Anfotericina B desoxicolato 50mg/dia. Manteve quadro de Hipertensão Intracraniana e necessidade de punções liquóricas de alívio. Culturas de líquor mantiveram-se positivas 40 dias após a instituição do tratamento. Diante da refratariedade, optou-se pela troca para Anfotericina Lipossomal 250mg/dia, efetuada em 30/08/19, dia da produção deste relato. O paciente ainda encontra-se internado. Conclusão: O presente caso nos alerta para a necessidade de se considerar o diagnóstico de neurocriptococose em imunossuprimidos com clinica neurológica inespecífica.

Palavras-chave: Neurocriptococcose. Cryptococcus neoformans. SIDA. HIV. Imunodepressão

 

Referências

1. Veronesi R, Focaccia . Tratado de Infectologia. 4. ed. São Paulo: Atheneu; 2010.

2. Murray PR, Rosenthal KS, Pfaller MA. Medical Microbiology. 7. ed. Philadelphia: Elsevier Saunders; 2013.

3. Longo DL, et al. Medicina interna de Harrison. 18.ed. Porto Alegre: AMGH; 2013.