RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 29. (Suppl.11) DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20190082

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Highlights JASB 2019

Highlights JASB 2019

 

INTRODUÇÃO: O processo de otimização perioperatória visa aumentar a qualidade do atendimento através da redução da variabilidade da assistência, resultando em maior segurança ao paciente cirúrgico reduzindo o número de complicações. Como consequência, há redução do tempo de internação hospitalar com maior eficiência operacional, trazendo economia ao hospital e às fontes pagadoras. Para se realizar os protocolos de otimização perioperatório é necessária uma abordagem específica para cada problema específico. Desta forma, há diferentes recomendações ERAS para diferentes especialidades, com recomendações específicas para a cirurgia bariátrica.
DISCUSSÃO: O protocolo ERAS é uma abordagem perioperatória. Nos pacientes bariátricos recomenda-se no pré-operatório a orientação do paciente, cessação do tabagismo e álcool, perda de 5 a 10% do peso, dexametasona 8mg, jejum para líquidos de 2h e para refeição leve de 6h. No intraoperatório é recomendado evitar excesso de fluídos com reposição volêmica guiada por metas, profilaxia multimodal para náusea e vômitos, redução do uso de opióides, atenção especial para manuseio da via aérea difícil, ventilação mecânica protetora, monitorização com BIS e TOF, bloqueio neuromuscular profundo com reversão completa, cirurgia videolaparoscópica e não utilizar de rotina sondas e drenos. No pós-operatório recomenda-se analgesia multimodal, tromboprofilaxia, nutrição precoce, suplementação com O2 e não utilizar CPAP de rotina.
CONCLUSÃO: Com a adoção destas iniciativas perioperatórias recomendadas pelo ERAS foi possível reduzir o tempo de internação hospitalar em 1,5 dias, redução de complicações em 30%, sem aumentar a taxa de reinternação e reintervenção. O não controle da variabilidade da assistência é o maior inimigo da qualidade.

 


 

Novos conceitos na analgesia pós-operatória em pediatria - Manuseio da dor no neonato

Pedro Francisco Brandão

MD, TSA, DESA

INTRODUÇÃO: Neonatos são dotados de sistemas sensitivos e motores imaturos, possuem vias de metabolismo e eliminação pouco desenvolvidas, e são sensíveis aos efeitos causados pela exposição a fármacos e a eventos dolorosos. A dor tem impacto negativo na função cardiorrespiratória, altera mecanismos de processamento sensorial e modifica o limiar nociceptivo a curto e longo prazo. É essencial, portanto, prover analgesia efetiva e segura para pacientes dessa faixa etária.
DISCUSSÃO: Para prevenir, diagnosticar, tratar e monitorar a qualidade da analgesia, devem-se utilizar métodos objetivos de avaliação. Tratam-se de escalas especificamente desenhadas e que consideram alterações fisiológicas e comportamentais para compor escores de intensidade da dor. O manuseio da dor pós-operatória no neonato depende do tipo de cirurgia, do estado físico, dos recursos disponíveis e da experiência da equipe. Fármacos classicamente empregados são sacarose, alfa2-agonistas, anestésicos locais (bloqueios neuroaxiais/periféricos, infiltrações locais), opioides, paracetamol e dipirona. Medidas não-farmacológicas incluem adequação do ambiente, sucção não-nutritiva, massagem, posicionamento, acupuntura. Atualmente, estuda-se: a segurança e o papel poupador de opioide da dexmedetomidina, do paracetamol e da dipirona; os efeitos analgésicos, neuroapoptóticos (ou neuroprotetores) da cetamina; a eficácia e a tolerância à gabapentina; a incidência de complicações em anestesia regional; novos bloqueios (como o do plano do eretor da espinha); e os efeitos da anestesia geral no neurodesenvolvimento.
CONCLUSÃO: A população neonatal inclui diversos pacientes e contextos clínicos. Para planejar analgesia segura e efetiva, devem-se considerar peculiaridades farmacológicas e interações medicamentosas, prevenindo efeitos adversos da dor não-tratada. Deve-se ressaltar a necessidade de mais estudos específicos em Neonatologia.

 


 

Analgesia pós-operatória para hernioplastia inguinal em crianças

Magda Lourenço Fernandes

Introdução: O subtratamento da dor em crianças ainda é uma realidade em muitos serviços. Considerando que a hernioplastia inguinal (HI) é o procedimento cirúrgico mais comum na infância, é imperativo a abordagem da dor pós-operatória e seu adequado controle. Discussão: Sendo a dor considerada um sinal vital, avaliações rotineiras através de escalas de dor adequadas para crianças são o primeiro passo para identificar eventuais deficiências e necessidade de correções. Com essa preocupação e visando alinhar o tratamento da dor pós-operatória, a Sociedade Europeia de Anestesia Pediátrica (ESPA) publicou algumas recomendações para abordagem da dor pós-operatória em crianças. Em relação à HI foi preconizado tratamento analgésico multimodal escalonado que inclui: No intraoperatório o uso de analgésicos comuns e antiinflamatórios não esteróides para dor leve, a associação de bloqueios locais e regionais para dor moderada e o uso de cetorolaco e/ou bloqueios guiados por ultrassom dor intensa. No pós-operatório o uso de opióides (fentanil, morfina ou nalbufina) em doses tituladas de acordo com a graduação da dor, objetivando pontuação menor do que 4/10 na escala de dor. Conclusão: É imperativo elaborar protocolo institucional para alívio da dor pós-operatória em crianças. O tratamento escalonado proposto pela ESPA para controle da dor na HI pediátrica atende aos diversos níveis de dor e deve ser adaptado de acordo com os recursos disponíveis e a experiência do serviço.