RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 30 3 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.v30supl.1.02

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Artigo Original

Análise do tratamento cirúrgico dos xantelasmas palpebrais: experiência de um serviço de Cirurgia Plástica

Analysis of surgical treatment of eyelid xanthelasmas: experience of a Plastic Surgery service

CARVALHO, Emmanuel de Lima1; BELGO, Thaíssa Ramim Reis1; MATTOS MARTINS, Maria do Carmo1; PEDROSA, Nathália Villarins2; SILVA, Paula Valente da2; LOPES, Lucas de Mattos2; DORNELAS, Marilho Tadeu3

1. Acadêmico de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
2. Residente do Serviço de Cirurgia Plástica do HU/ UFJF
3. Preceptor da Residência Médica em Cirurgia Plástica do HU/UFJF

Endereço para correspondência

Rua Antônio Altaf
145/402 - Bairro Cascatinha
Juiz de Fora-MG. CEP: 36.033-330
E-mail: emmanucarvalho@gmail.com

Resumo

Introdução: Xantelasmas são placas amareladas benignas que acometem pele de pálpebras e cursam com limitação funcional e queixa estética, impactando vida social e emocional. Com prevalência de 1,4% na população geral, predominam no sexo feminino e associam-se a hiperlipidemias, formados por deposições dérmicas de colesterol. De diagnóstico clínico, está indicada histopatologia em casos duvidosos. O tratamento de escolha é cirúrgico, através de exérese simples ou associada a blefaroplastia, epicantoplastia medial, retalhos locais e enxertos de pele total. Outras opções são terapia a laser, cauterização química com ácido tricloroacético, radiofrequência e crioterapia. Apesar da variedade terapêutica disponível, ainda são descritas na literatura taxas de recidiva local de até 40%. Objetivo: Analisar taxas de recidiva local associadas à ressecção cirúrgica enquanto tratamento de escolha para os xantelasmas. Métodos: Trata-se de estudo observacional retrospectivo, em que foram analisados prontuários de 18 pacientes submetidos à ressecção cirúrgica de xantelasmas pelo serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário da UFJF nos anos de 2016 a 2018. Foram avaliadas localização das lesões e taxas de recidiva local. Resultados: A localização das lesões mostrou-se predominante em pálpebras superiores, acometendo 10 pacientes (55%), sem predileção por lateralidade. Evoluíram com recidiva local 4 pacientes (22%). Conclusão: Os resultados do presente trabalho corroboram a hipótese de que taxas de recidiva local são menores em casos submetidos a tratamento cirúrgico, quando comparadas às descritas na literatura, bem como maior satisfação dos pacientes com os resultados estéticos apresentados. Conclui-se que a ressecção cirúrgica é segura e satisfatória em relação às demais terapêuticas.

Palavras-chave: xantomatose; terapêutica; recidiva.

 

INTRODUÇÃO E LITERATURA

O xantelasma palpebral é um tipo de xantoma cutâneo, sendo caracterizado por placas amareladas localizadas na pele das pálpebras.1 Apesar de ser uma condição considerada benigna, por não cursar com limitação funcional, trata-se de uma importante queixa estética, acarretando impacto significativo na vida social e emocional do portador.

Os xantomas são formados por deposições intracelulares de colesterol em histiócitos presentes nas camadas superficial e média da derme, sobretudo em regiões perivasculares.2 Associam-se a hiperlipidemias primárias, e também às secundárias a hipotireoidismo, diabetes mellitus, drogas e dieta rica em gordura e álcool.3

O xantelasma palpebral corresponde ao xantoma que ocorre nas pálpebras, na ausência de outras manifestações no corpo. É a forma mais comum de xantoma cutâneo, acometendo cerca de 1,4% da população, predominando em mulheres e com pico de incidência na faixa etária entre 30 e 50 anos.1 Clinicamente, apresenta-se como placas amareladas cuja consistência pode ser macia, semissólida ou endurecida. Usualmente estão simetricamente distribuídas na região medial das pálpebras superiores, mas também podem ocorrer em pálpebras inferiores. De acordo com Lee et al,2 portadores de xantelasma podem ser graduados conforme a localização e extensão das lesões. Grau I são os portadores de lesões apenas nas pálpebras superiores. Grau II são os portadores de lesões que se estendem até a área medial das pálpebras. Grau III são portadores de lesões mediais em pálpebras superiores e inferiores. Grau IV são portadores de comprometimento difuso medial e lateral de pálpebras superiores e inferiores.

O diagnóstico é essencialmente clínico, embasado na história e nas características das lesões. Em quadros clínicos duvidosos, está indicada a biópsia de pele das lesões para estudo histopatológico.1 O xantelasma apresenta efeito negativo sobre a qualidade de vida dos pacientes, por determinar frequentes queixas estéticas que motivam o portador a buscar remoção das lesões.

O tratamento de escolha é cirúrgico, sendo indicado em casos de hiperlipidemias familiares, envolvimento das quatro pálpebras e recidivas. A principal abordagem cirúrgica é a cirurgia excisional simples, mas também pode estar associada a blefaroplastia, epicantoplastia medial, retalhos locais e enxertos de pele total.1 Outras modalidades de tratamento são terapia a laser, cauterização química com ácido tricloroacético, tratamento com radiofrequência e crioterapia.4 É importante a avaliação do perfil lipídico dos pacientes, uma vez que é comum a presença de alterações nos níveis de lipoproteínas, que devem ser abordadas.5

Apesar de inúmeras opções terapêuticas terem sido propostas para fins curativos, nenhum método garante resultados satisfatórios em todos os casos, apresentando altas taxas de recorrência. Segundo Mendelson e Masson, há 40% de chance de recidiva após excisão cirúrgica primária, 60% após a segunda abordagem terapêutica, e 80% quando há comprometimento das quatro pálpebras.

 

OBJETIVO

Diante da escassez de literatura que relacione as opções terapêuticas com menores taxas de recidiva local, foi objetivo do presente trabalho avaliar os resultados do tratamento cirúrgico das lesões xantomatosas de pálpebras, que é um dos principais procedimentos realizados em serviços públicos de Cirurgia Plástica no Brasil.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O presente trabalho se trata de um estudo descritivo, retrospectivo, em que foi realizada avaliação dos resultados do tratamento cirúrgico dos xantelasmas palpebrais através da análise dos prontuários médicos de uma população composta por pacientes submetidos ao procedimento em questão nos anos de 2016 a 2018 no HU-UFJF, acompanhados por médicos residentes do serviço de Cirurgia Plástica.

Foram critérios de inclusão: pacientes com xantelasmas palpebrais submetidos a ressecção cirúrgica das lesões e que não realizaram nenhum tratamento complementar após a extirpação. Foram critérios de exclusão: pacientes que não realizaram tratamento cirúrgico, pacientes não atendidos por médicos residentes do serviço de Cirurgia Plástica, pacientes que realizaram algum tratamento complementar após extirpação de lesões.

Após coleta de dados, foi possível a realização de procedimentos estatísticos para análise e posterior confecção de dados.

 

RESULTADOS

Foram avaliados 18 pacientes do HU-UFJF submetidos a procedimento cirúrgico para ressecção de xantelasmas palpebrais no período de 2016 a 2018, sendo 2 do sexo masculino e 16 do sexo feminino.

Foi observado maior predileção de xantelasmas por pálpebras superiores, seguido de pálpebras inferiores, sem predileção por lateralidade. Apenas 3 pacientes apresentaram xantelasmas bilaterais. A faixa etária mais acometida foi a de pacientes entre 41 e 50 anos de idade, seguida daqueles entre 51 e 60 anos. Por fim, observamos que 4 pacientes evoluíram com recidiva local (22%).

 

DISCUSSÃO

Diferentes opções terapêuticas foram propostas para fins curativos no que tange ao tratamento dos xantelasmas, porém nenhum método garantiu resultados satisfatórios em todos os casos, apresentando altas taxas de recorrência, que segundo Mendelson e Masson, podem chegar a 40% após excisão cirúrgica primária, 60% após segunda abordagem terapêutica, e 80% quando há comprometimento das quatro pálpebras. Além disso, existe escassez de literatura que relacione as opções terapêuticas com menores taxas de recidiva local, mas o presente trabalho conseguiu avaliar os resultados do tratamento cirúrgico das lesões xantomatosas de pálpebras, que é um dos principais procedimentos

Análise do tratamento cirúrgico dos xantelasmas palpebrais: experiência de um serviço de Cirurgia Plástica cirúrgicos realizados em hospitais públicos do país, na área de Cirurgia Plástica Reparadora.

Conforme descrito, foi observada taxa de recidiva de xantelasmas palpebrais de 22% em pacientes submetidos à ressecção cirúrgica das lesões como opção terapêutica. Tais resultados corroboram a hipótese de que são menores as taxas de recidiva nos casos conduzidos através de tratamento cirúrgico, bem como maior a satisfação por parte dos pacientes com os resultados estéticos apresentados.

 

CONCLUSÕES

Quando comparados às taxas descritas na literatura os resultados observados neste estudo permitem concluir que o tratamento cirúrgico dos xantelasmas palpebrais se mostra como uma opção terapêutica segura e de resultados estéticos satisfatórios em relação a outras modalidades já descritas anteriormente, como terapia a laser, crioterapia e cauterização química.

 

REFERÊNCIAS

1. Zak A, Zeman M, Slaby A, Vecka M. Xanthomas: clinical and pathophysiological relations. Biomed Pap Med Fac Univ Palacky Olomouc Czech Repub. 2014;158(2):181-8.

2. Nair PA, Singhal R. Xanthelasma palpebrarum - a brief review. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2017;11:1-5.

3. Yang Y, Sun J, Xiong L, Li Q. Treatment of xanthelasma palpebrarum by upper eyelid skin fl ap incorporating blepharoplasty. Aesth Plast Surg. 2013;37(5):882-6.

4. Laftah Z, Al-Niaimi F. Xanthelasma: An update on treatment modalities. J Cutan Aesthet Surg 2018;11:1-6.

5. Lee HY, Jin US, Minn KW, Park YO. Outcomes of surgical management of xanthelasma palpebrarum. Arch Plast Surg. 2013;40(4):380-6.