RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Número Atual: 31 e-31208 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20210054

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Artigo de Revisão

Avanços sobre o Zika vírus pós-pandemia: uma revisão de literatura

Advances on the post-pandemic Zika virus: a literature review

Daniel Melo de Oliveira Campos; Maria Karolaynne da Silva; Arthur Antunes Coimbra Azevedo; Jonas Ivan Nobre Oliveira

Departamento de Biofísica e Farmacologia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Rio Grande do Norte. Brasil

Endereço para correspondência

Daniel Melo de Oliveira Campos
E-mail: danielmelo.biomed@gmail.com

Recebido em: 05/04/2021
Aprovado em: 12/08/2021
Data de Publicação: 23/09/2021

Conflito de Interesse: Não há

Editor Associado Responsável: Enio Roberto Pietra Pedroso

Resumo

INTRODUÇÃO: A infecção emergente pelo Zika vírus (ZIKV) tornou-se uma ameaça à saúde global devido à associação com anormalidades neurológicas graves: a síndrome de Guillain-Barré (SGB) em adultos e a síndrome congênita do Zika vírus (SCZ) em neonatos. O presente trabalho tem como intuito descrever os avanços sobre esta infecção relacionados aos aspectos epidemiológicos, clínicos, diagnóstico, prevenção e tratamento.
REVISÃO DA LITERATURA: Realizou-se uma revisão literária por meio de buscas bibliográficas nas bases de dados online LILACS, MEDLINE, Scopus e Web of Science, utilizando os descritores "Zika Virus", "Guillain-Barre Syndrome", "Zika Virus Infection", "Microcephaly", e "Congenital abnormalities", enfatizando os estudos realizados após o surto 2015-2016 no Brasil.
DISCUSSÃO: O ZIKV já circulava no Brasil em 2013, um ano antes do que foi sugerido durante o surto. O teste molecular RT-PCR é o primeiro procedimento para a confirmação da doença, seguido pelo ensaio sorológico MAC-ELISA. Embora a SCZ apresente achados neurológicos não patognomônicos nos fetos, exames radiológicos revelaram anormalidades mais comumente encontradas, destacando a microcefalia com padrão singular de "gaveta". Até o momento, não existem tratamentos antivirais e as vacinas não demonstram ser uma alternativa conveniente. Os alvos candidatos para o desenvolvimento destes medicamentos são as proteínas flavivirais NS1 e NS5, e a protease NS2B-NS3.
CONCLUSÃO: Estes aspectos discutidos apontam a necessidade da criação de medicamentos antivirais e contribuem para o desenvolvimento de protocolos eficientes tanto no combate a novos surtos, como ao diagnóstico voltado a detecção do ZIKV e achados neurológicos da SCZ, possibilitando um tratamento mais eficaz ao paciente.

Palavras-chave: Zika vírus; Microcefalia; Diagnóstico; Antivirais; Epidemiologia.

 

INTRODUÇÃO

O Zika vírus (ZIKV) é um arbovírus da família flaviviridae e gênero flavivirus responsável pela recente infecção epidêmica de caráter global ocorrida entre 2015 e 2016 no Brasil, no qual houve a primeira associação com a microcefalia, pertencente à síndrome congênita do Zika (SCZ). Além da infecção pelo ZIKV, os flavivírus são responsáveis por outras doenças reemergentes em seres humanos, como a dengue (DENV) e o vírus da febre amarela1-2. O gen+oma do ZIKV é constituído por um RNA de fita simples e polaridade positiva, responsável por codificar uma única poliproteína, no qual é processada para produzir 10 proteínas virais3-5.

Originalmente, o vírus Zika foi identificado na Macaca mulatta, conhecida popularmente como macaco Rhesus, em 1947, na reserva florestal de nome homônimo em Kampala, Uganda. Embora o primeiro relato de infecção humana pelo vírus Zika tenha ocorrido em 1952 no Uganda e Tanzânia, o seu potencial epidêmico só foi conhecido em 2005, atingindo sua emergência na Micronésia em 2007 e, principalmente em 2013 na Polinésia Francesa, onde ocorreram os primeiros casos associados com a síndrome de Guillain-Barré (SGB)1-2. Seu estado pandêmico ocorreu nos anos de 2015-2016, atingindo o continente africano e americano, no qual a epidemia brasileira se destacou pelo elevado número de casos associados às anormalidades neurológicas congênitas, uma característica inédita em uma infecção viral transmitida por mosquitos6.

Sua transmissão é predominantemente vetorial, especificamente pelos mosquitos artrópodes fêmeas de Aedes aegypti e Aedes albopictus infectados, no qual a espécie aegypti é a mais frequente por estar em meios urbanos1-2. A transmissão não vetorial também foi reportada, incluindo transmissão sexual, transfusão de sangue e materno-fetal7-8.

A soma das condições que prevalecem à instalação do vírus no Brasil, como a presença dos vetores, clima tropical, ser alvo turístico e possuir centros urbanos e periféricos com aglomeração populacional e infraestrutura precária, favorecem a circulação e proliferação do vírus no Brasil9. Portanto, esta revisão teve como objetivo elucidar os avanços a respeito da infecção pelo ZIKV pós-pandemia, descrevendo a epidemiologia do vírus no Brasil, a sintomatologia clínica e seus agravantes; as técnicas de diagnóstico laboratorial e radiológico para a confirmação da infecção; diagnóstico da SGB; estadiamento e avaliação dos achados neurológicos mais comumente encontrados da SCZ; medidas de prevenção, tratamento atual e perspectivas no desenvolvimento de antivirais.

 

REVISÃO DA LITERATURA

O estudo consiste em uma revisão literária, realizado por meio de buscas bibliográficas nas bases de dados online LILACS, MEDLINE, Scopus e Web of Science, acessadas pelo motor de buscas PubMed e por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Como critérios de inclusão para a busca, foram selecionados artigos em português, inglês e espanhol, disponibilizados na íntegra e publicados a partir de 2014. Este período foi escolhido devido a maior ênfase no desenvolvimento de estudos voltados ao Zika devido à associação com a microcefalia. Os descritores pesquisados foram "Zika Virus Infection", "Guillain-Barre Syndrome", "Microcephaly", e "Congenital abnormalities", restringidos por operadores booleanos de intersecção "AND".

Os textos foram selecionados a partir da análise prévia dos resumos. Aqueles que demonstraram, por meio de uma análise inicial do título e resumo, maior relevância em relação ao tema do projeto, serviram de suporte para a elaboração deste trabalho. As informações contendo dados específicos referentes à epidemiologia, orientações de vigilância e atualizações dos testes de diagnóstico foram complementadas pelos boletins do Ministério da Saúde do Brasil, Center for Disease Control and Prevention (CDC) e European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com a aplicação do método de busca, foram encontrados 177 artigos. Após a leitura dos títulos e dos resumos, 135 artigos foram descartados por não atenderem aos critérios de inclusão. Por fim, foram utilizados 42 artigos nesta revisão, além de oito boletins.

Epidemiologia no Brasil

Além da SGB, no recente surto brasileiro ocorrido entre 2015 e 2016, foram relatados os primeiros casos de anormalidades neurológicas associadas a infecção congênita pelo ZIKV aos neonatos. Este conjunto de sintomas foi denominado como síndrome congênita do Zika vírus, no qual a microcefalia é a principal característica1-2,10,11.

Apesar das hipóteses primariamente sugerirem que o Zika vírus foi introduzido ao Brasil durante a Copa do Mundo de Futebol, ocorrida entre 12 de junho a 13 de julho de 2014; ou no evento de canoagem Va'a no Rio de Janeiro, entre 12 a 13 de agosto daquele, estudos posteriores indicaram que o vírus já circulava no Brasil entre maio e dezembro de 2013, dois anos antes do surto12,13. Portanto, estima-se que o vírus surgiu no Brasil pelo aumento da circulação aérea de passageiros vindos de regiões endêmicas do ZIKV, ocorrida no mesmo período. Estudos mais recentes de análise filogenômica apontam que a América Central e o Caribe foram importantes rotas de entrada do vírus no Brasil13,14.

A notória associação entre as manifestações de infecções pelo ZIKV com o aumento da incidência de microcefalias, foi declarada Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) em novembro desse mesmo ano9. Com o aumento da convicção entre Zika e microcefalia, comprovada pela presença do vírus no material biológico do feto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) em 2016, que durou entre fevereiro e novembro daquele ano. O fim da emergência nacional foi anunciado em maio de 20177,10,15.

No Brasil, entre as semanas epidemiológicas notificadas de novembro de 2015 a outubro de 2019, foram notificados 18.282 casos suspeitos de microcefalia associadas ao ZIKV. Em 2015, foram relatados 4.121 casos relacionados, progredindo para 8.610 em 2016 e regredindo para 2.653 em 2017, 1.657 em 2018 e 1.241 em 2019. A maioria das notificações está localizada na região Nordeste do país (56,9%), seguido em ordem decrescente pela região Sudeste (26,1%) e Centro-Oeste (7,7%). Os cinco estados com maior número de casos notificados são Pernambuco (16,2%), Bahia (14,9%), São Paulo (10,3%), Rio de Janeiro (6,6%) e Paraíba (6,6%)16.

Dentre os casos com investigação concluída, 8.550 (46,8%) foram descartados 3.474 (19%), 743 (4,1%) confirmados e 615 (3,4%) classificados como inconclusivos. Houve predominância em recém-nascidos (RN) com microcefalia (78,3%), seguidos por crianças com microcefalia e/ou alterações do sistema nervoso central (14,9%), fetos (2,8%), natimortos (2%) e abortos espontâneos (1,9%). O maior número de casos confirmados se situou na região nordeste (1.921), seguida pelo sudeste (574), Centro-Oeste (236), Norte (164) e Sul (74) do país17.

Sintomatologia da infecção pelo Zika vírus

A infecção pelo Zika vírus geralmente se apresenta de forma assintomática ou leve, representando 80% dos casos, no qual o período de incubação da picada do mosquito até o início dos sintomas é de três a 12 dias. A sintomatologia da infecção é semelhante às outras arboviroses, mais precisamente ao da dengue, podendo apresentar febre intermitente, letargia, exantema maculopapular com prurido, hiperemia conjuntiva sem prurido, artralgia, mialgia e cefaleia1. No entanto, a infecção pelo ZIKV também está associada a formas mais graves que acarreta distúrbios neurológicos, sendo elas a síndrome congênita do Zika e a síndrome de Guillain-Barré1,18.

A SGB consiste em uma polineuropatia aguda autoimune rara, rapidamente progressiva que afeta o sistema nervoso periférico de adultos. É ocasionada por modificações epigenéticas ou por gatilhos ambientais em um hospedeiro geneticamente suscetível, desencadeadas após infecções virais, bacterianas e parasitárias18,19. Normalmente, a síndrome se manifesta dentro de seis a oito semanas, com a duração dos sintomas entre 10 a 14 dias, provocando acometimentos ascendentes de fraqueza muscular e arreflexia. Porém, aproximadamente um terço desses pacientes podem desenvolver agravamentos, tais como paralisia motora, desordens sensitivas ou disautonomia, esta última responsável pela desregulação do sistema autônomo, atingindo os músculos auxiliares da respiração (como o diafragma), o que resulta na insuficiência respiratória neuromuscular, sendo a principal causa de morte desta síndrome18,19.

A SCZ ocorre pela transmissão de forma vertical da gestante (infectada pelo vírus) ao feto. Devido ao intenso neurotropismo do vírus, o vírus passa pelo cordão umbilical e quebra a barreira hematopoiética, causando um padrão de anormalidades neurológicas congênitas ao feto, sendo mais expressivos quando infectados durante o primeiro trimestre de gestação8,20-21. A microcefalia é a principal característica da síndrome, apresentando um caráter singular comparação às causadas por outros tipos de infecções congênitas, como o citomegalovírus e sífilis. A microcefalia é apresentada o formato "gaveta", no qual a calota craniana é colapsada, com suturas invertidas e ossos predominantes na região occipital22.

Entretanto, os bebês que possuem a SCZ podem desenvolver a microcefalia após o nascimento ou não a apresentar23,24. De acordo com Aragão et al. (2017), os bebês que já nascem com microcefalia apresentam malformações e anormalidades mais graves, seguidos pelos que desenvolveram a microcefalia pós-natal e pelos que não possuem microcefalia. Quando comparados os achados neurológicos em RN acometidos pela SCZ, não são encontradas diferenças significativas, apenas entre os que nasceram sem microcefalia com os que desenvolveram microcefalia pós-natal23,25.

Diagnóstico laboratorial do Zika vírus

Devido à sintomatologia da infecção ser semelhante ao de outras arboviroses, somente a avaliação clínica não é confiável para o diagnóstico da infecção pelo ZIKV. Portanto, para a confirmação da doença são necessários exames laboratoriais específicos, divididos como testes moleculares e sorológicos padrões aprovados pela Emergency Use Authorization (EUA) pela Food and Drug Administration (FDA)26-28.

De acordo com o CDC, os testes para o ZIKV são recomendados para os indivíduos sintomáticos exposto a áreas endêmicas e gestantes assintomáticas, desde que o seu feto tenha apresentado achados de ecografia pré-natal sugestivos da síndrome congênita do Zika. Para as gestantes assintomáticas que obtiveram contato com as áreas de risco, mas o feto não apresenta anormalidades neurológicas sugestivas da SCZ, a necessidade da realização do exame é discutida de acordo com cada caso e protocolo da região28.

Para confirmação da SCZ, é necessária a utilização do exame STORCH (sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes) nas gestantes cujo feto apresente características sugestivas desta síndrome. O exame tem o intuito de diferenciar a SCZ destas infecções congênitas que também podem provocar degenerações no sistema nervoso central do feto19,23.

O primeiro procedimento para a confirmação do ZIKV ocorre por meio dos testes moleculares de RT-PCR em tempo real (ou KIT NAT), sendo o principal meio de confirmação da doença devido a sua sensibilidade e especificidade, diferenciando-se das outras arboviroses29-30. São testes de amplificação que se baseiam na detecção do RNA do Zika vírus em líquidos biológicos, como soro, urina e sêmen, colhidos durante a fase aguda da infecção (até 5 dias após o início dos sintomas) devido à grande quantidade de antígeno viral19,31. No entanto, são limitados devido ao curto intervalo de detecção da fase aguda, restritos ao início da infecção29,30.

O segundo método de diagnóstico se dá pelo teste sorológico, utilizando o ensaio de captura dos anticorpos IgM (MAC-ELISA) específicos do Zika vírus, no qual o soro do paciente é colhido na fase de convalescência da infecção (5-12 dias após o início dos sintomas), período no qual o IgM pode ser detectado19,32. Este teste é qualitativo, sensível, simples e rápido, podendo processar um alto volume de amostras, além de ser menos subjetivo comparado ao teste sorológico imunofluorescente33,34.

A principal limitação do MAC-ELISA é a baixa especificidade devido à extensa reatividade cruzada dos flavivírus, podendo levar a resultados falso-positivos, especialmente quando o paciente já foi previamente infectado por outra arbovirose (mais precisamente a DENV) ou já recebeu alguma vacinação contra outro flavivirus31-34. Uma forma de reduzir esta reatividade e aumentar a especificidade consiste na utilização de antígenos das proteínas virais não estruturais (NS), como a NS1, NS3 e NS530,35.

Além disso, o resultado de IgM negativo não descarta a infecção pelo vírus se o exame for realizado antes do desenvolvimento desses anticorpos ou após a sua diminuição. Já os resultados positivos devem ser confirmados com teste de neutralização por redução de placas (PRNT), considerado teste padrão dentro da sorologia para arboviroses. Entretanto, por ser um teste caro, demorado e de difícil execução, o PRNT é restrito a grandes laboratórios e exige uma mão de obra qualificada, necessitando de 10 dias para o resultado31-34.

Os exames laboratoriais inespecíficos são realizados de forma complementar, com o intuito de parametrizar o estadiamento e investigação da doença, a saber: hemograma, bilirrubina direta e indireta, dosagens séricas para AST/ALT, lactato e desidrogenase e marcadores de atividade inflamatória; e ureia e creatinina. As alterações típicas associadas à infecção pelo Zika vírus ao decorrer da doença são: leucopenia; trombocitopenia leve e moderada; ligeira elevação da desidrogenase láctica sérica, gama glutamil transferase e de marcadores de atividade inflamatória, sendo elas a proteína C-reativa, fibrinogênio e ferritina. A contagem sanguínea completa geralmente é normal. Não há relatos de infecção secundária pelo fato de o vírus apresentar um único sorotipo19.

Diagnóstico da síndrome de Guillain-Barré

O diagnóstico da SGB costuma ser direto, baseada na análise clínica pela apresentação de sua sintomatologia típica, descrita neste trabalho. Contudo, em alguns casos o diagnóstico pode ser difícil, especialmente quando já apresenta dor antes do início da fraqueza, ou quando a fraqueza inicialmente está presente apenas nos membros inferiores. Nestes casos, realiza-se uma extensa investigação baseada em exames de detecção de anticorpos antigangliosídeos, dissociação proteíno-citológica no líquido cefalorraquidiano (LCR) e eletroneuromiografia (ENMG) para avaliação das alterações neurofisiológicas37. A partir de 2014, motivados pela falta de disponibilidade destes exames mais complexos em algumas regiões do mundo, principalmente em contexto epidêmico, a GBS Classification Group propôs uma nova forma de diagnóstico clínico a partir de um sistema de classificação de suas manifestações, sendo simples de aplicar e útil no reconhecimento da SGB e de síndromes variantes, como a síndrome de Miller Fischer36-37.

Achados radiológicos da síndrome congênita do Zika

Os exames radiológicos possuem a função de avaliação estrutural do cérebro fetal para um diagnóstico diferencial, levando em consideração as anormalidades neurológicas causadas pelo vírus24,28,36,38. Esse diagnóstico contribui na detecção dos bebês que terão o desenvolvimento neurológico normal e no auxílio às formas de tratamento aos que terão problemas neurológicos, possibilitando uma estimulação precoce que resultará em um melhor prognóstico no desenvolvimento cognitivo e motor dos pacientes acometidos pela síndrome39-40.

São direcionados aos fetos que desenvolveram a microcefalia durante o período de pré e pós-natal; e naqueles que mesmo não a apresentando, possuem anormalidades do sistema nervoso central (SNC) sugestivas da SCZ25. Durante a gestação, são indicados os exames de ultrassonografia obstétrica e ressonância magnética fetal. A ultrassonografia transfontanelar é indicada para os recém-nascidos com microcefalia cujo perímetro cefálico (PC) seja inferior a -2 desvios padrões abaixo da média, enquanto a tomografia computadorizada cerebral e ressonância magnética de crânio (encéfalo) sem contraste são dirigida para os que apresentam microcefalia severa, havendo o PC inferior a -3 desvios padrões25,39-41.

Embora os achados radiológicos da SCZ não sejam patognomônicos, alguns são mais frequentemente encontrados nos fetos e RN com a síndrome, a saber: microcefalia, calcificações entre ou fora da junção corticomedular da substância branca, má-formação no desenvolvimento cortical, padrão giral simplificado e predominância de polimicrogíria ou paquigiria (número expressivo e alargamento dos giros, respectivamente) no lobo frontal. Também são encontrados alargamento da cisterna magna, hipoplasia ou disgenesia do corpo caloso (desenvolvimento incompleto e ausência do corpo caloso, respectivamente), ventriculomegalia (aumento dos ventrículos), diminuição da mielinização e hipoplasia do cerebelo e tronco encefálico22-23-38.

A microcefalia causada pela SCZ apresenta um caráter singular em comparação às formadas por outros tipos de infecções congênitas. Possui como característica um padrão de formato "em gaveta" (ver Figura 1), na qual a calota craniana é colapsada, com suturas invertidas e ossos predominantes na região22. Os bebês que possuem a SCZ podem desenvolver a microcefalia após o nascimento ou não a apresentar, no qual os que já nascem com microcefalia apresentam malformações e anormalidades mais graves, seguidos pelos que a desenvolveram pós-natal e pelos que não possuem23-25,38. Quando comparados os achados em recém-nascidos acometidos pela SCZ, não são encontradas diferenças significativas, apenas entre os que nasceram sem microcefalia com os que a desenvolveram no pós-natal23,25.

 


Figura 1. Exame de ressonância magnética realizado em paciente com 3 meses de idade, demonstrando a microcefalia com padrão "em gaveta" associada à síndrome congênita do vírus Zika.
Fonte: Ribeiro et al. (2017)23

 

Os RNs sem microcefalia possuem volume cerebral preservado, diferente dos com microcefalia, apresentando apenas polimicrogíria assimétrica preferencialmente no lobo frontal, calcificação na junção corticomedular da substância branca, ventriculomegalia leve e mielinização retardada. Aos que nasceram com microcefalia, todos os achados descritos na literatura são presentes, com exceção da polimicrogíria, sendo o padrão giral simplificado uma característica exclusiva desse grupo. Aos que desenvolveram a microcefalia pós-natal comparadas aos que já nasceram, observa-se apenas a ausência de calcificações fora da junção corticomedular e padrão giral simplificado, mas com a presença de polimicrogíria25.

Dentre os exames radiológicos, a ressonância magnética se destaca na avaliação desses pacientes39. Este exame é capaz de demonstrar alterações que foram imperceptíveis nas outras modalidades de exame (ultrassonografia e tomografia computadorizada) e/ou permite uma melhor avaliação das malformações encontradas, especificamente por possibilitar um estudo mais detalhado das alterações corticais e uma melhor avaliação da substância branca23,25,39. Isso é possível devido à capacidade de gerar aquisições em T1 e T2, que permitem a melhor diferenciação entre as substâncias cinzas e brancas do córtex cerebral. A aquisição em T1 é a mais utilizada para a avaliação da maturação cerebral da criança até o seu sexto mês de vida, pois fornece com mais relevância as estruturas anatômicas23,25,39.

Terapêutica e prevenção

Até o momento, não existem medicamentos específicos contra o ZIKV. A terapêutica utilizada para os pacientes infectados consiste no uso de medicamentos paliativos com propriedade antipirética e analgésica, como o acetaminofeno (paracetamol) para aliviar a febre e a dor, hidratação e descanso. De acordo com o CDC, é aconselhável não tomar medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como a aspirina. Para os casos em que o indivíduo esteja tomando medicamentos para outra condição médica, ou em que as manifestações clínicas se agravem, deve-se seguir o conselho do profissional de saúde capacitado42-44.

Em relação a busca de fármacos anti-Zika, uma vez que os flavivírus dependem da maquinaria de síntese proteica da célula hospedeira para a sua replicação, os antivirais dirigidos pelo hospedeiro é a alternativa mais realista para o tratamento da infecção, tendo como alvo os componentes celulares necessários para o ciclo de vida viral45. Portanto, as proteínas flavivirais NS1 e NS5, bem como a protease NS2B-NS3, responsáveis pela replicação viral, montagem dos vírions e evasão dos mecanismos de defesa do hospedeiro, se apresentam como alvos ideais para o desenvolvimento de fármacos antivirais45-47. Estudos in vitro, in silico e in vivo apontam grande potencial para o uso clínico de drogas, inclusive aprovadas pela FDA, como o sofosbuvir usado no tratamento do HCV, inibindo a proteína NS5; o antimalárico hidroxicloroquina, o antibiótico novobiocina e o peptídeo de ácido borônico, composto do bortezomibe usado no tratamento de mielomas múltiplos, inibindo a protease NS2B-NS33,45,47-49.

Com base nos sintomas e pela disposição dos flavivírus promoverem ADE (do inglês, Antibody-dependent enhancement), o que aumenta a infectividade celular pela facilitação da entrada de vírus nas células hospedeiras, não foi aconselhada a criação de uma vacina específica ao ZIKV. Para isso, seria necessária uma avaliação cuidadosa dos parâmetros de segurança e análise de risco-benefício, elevando não só o risco, mas o custo42-45.

A medida e o controle preventivo dependem principalmente da redução dos locais de reprodução dos mosquitos e diminuição do contato com humanos. Para isso, devem ser utilizados certos procedimentos e cuidados, sendo eles: iniciação do programa de controle de vetores com o intuito de evitar uma rápida disseminação da infecção pelo ZIKV; uso de inseticidas recomendados pela OMS como larvicidas para o tratamento de compartimentos de água extensos; uso de repelentes de mosquitos e redes mosquiteiras; uso de teste rápido para infecção por ZIKV durante a transfusão de sangue; evitar viagens para regiões endêmicas da doença; evitar a automedicação se houver sintomas da doença, devendo procurar uma consulta médica; devido às anormalidades neurológicas ao feto causadas pela SCZ, recomenda-se para as mulheres o uso de métodos anticoncepcionais para evitar a gravidez até que o ZIKV seja erradicado44.

 

CONCLUSÃO

A rápida disseminação da infecção pelo Zika vírus associado a distúrbios neurológicos graves produziu uma necessidade urgente na produção de estudos voltados ao vírus, ressaltando a necessidade no desenvolvimento de um medicamento anti-Zika. Devido ao fato de que o Brasil possui condições que contribuem na proliferação ZIKV, é de fundamental importância o entendimento dos aspectos abordados nesse trabalho, servindo como base para a elaboração e atualização de protocolos eficientes que atuem tanto no combate a possíveis novos casos de surto, como no diagnóstico eficiente. A combinação do quadro clínico somado ao diagnóstico laboratorial e radiológico de forma eficaz, voltado a confirmação da doença e detecção dos achados da síndrome congênita do Zika, constituem as peças fundamentais para o tratamento adequado do paciente. A identificação precoce pode evitar ou amenizar o surgimento de complicações, permitindo uma melhor evolução do prognóstico dos indivíduos acometidos por essas condições, seja em períodos endêmicos ou não.

 

COPYRIGHT

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