RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 18. 4

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Artigo Original

Influência dos surtos de recidiva da febre reumática no desenvolvimento de valvopatia crônica em crianças e adolescentes

Acute rheumatic fever recurrences and their influence on the progress of chronic valvular disease in children and teenagers

Zilda Maria Alves Meira1; Eugênio Marques Andrade Goulart1; Fátima Derlene Rocha2; Carolina Andrade Bragança3; Cleonice de Carvalho Coelho Mota1

1. Professores Doutores do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG
2. Cardiologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da UFMG
3. Aluna do Curso de Especialização em Cardiologia Pediátrica da Faculdade de Medicina da UFMG

Endereço para correspondência

Zilda Maria Alves Meira
Rua Roquete Mendonça, 184/401 Belo Horizonte - MG
E-mail: zilda.a.m.a@terra.com.br

Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Resumo

OBJETIVOS: avaliar a freqüência de surtos de recidiva da febre reumática em Serviço de atendimento específico e sua influência no desenvolvimento de valvopatia em crianças e adolescentes portadores de febre reumática.
MÉTODOS: trata-se de estudo observacional longitudinal que englobou 258 crianças e adolescentes com diagnóstico de febre reumática, baseado nos critérios de Jones, acompanhados no Serviço entre dois e 15 anos, resultando em 1.383 pacientes-ano. A ocorrência de recidivas foi pesquisada a partir de análise de prontuários e de retornos dos pacientes ao Serviço; e os exames clínico e dopplerecocardiográfico avaliaram o grau de acometimento cardíaco. Os testes do qui-quadrado e de Fisher, α < 0,05, foram usados para comparar a ocorrência de surtos de recidiva e o desenvolvimento de valvopatia.
RESULTADOS: dos 258 pacientes, 54 (20,9%) apresentaram 74 novos episódios agudos. Cerca de metade dos surtos (47,3%) aconteceu nos primeiros dois anos de doença. Considerando-se exclusivamente o período de seguimento dos 258 pacientes após a admissão no Serviço, foram totalizados 1.383 pacientes-ano. Desses, 22 apresentaram 31 surtos de recidivas, resultando em 0,022 surto por paciente-ano. A freqüência de cardite foi maior entre os pacientes nos surtos de recidiva do que no primeiro (p=0,0001). Houve correlação estatisticamente significativa entre a ocorrência de recidivas e o desenvolvimento de valvopatia (p<0,0001).
CONCLUSÃO: o desenvolvimento de valvopatias mitral e/ou aórtica graves teve associação com a ocorrência de recidivas. A redução da morbimortalidade da febre reumática depende das estratégias de profilaxia secundária empregadas, com o controle das recidivas.

Palavras-chave: Febre Reumática; Febre Reumática/prevenção & controle; Doenças das Valvas Cardíacas; Recidiva; Ecocardiografia Doppler.

 

INTRODUÇÃO

A febre reumática (FR) continua sendo a principal causa de cardiopatia adquirida em escolares, adolescentes e adultos jovens dos países em desenvolvimento. Ao acometer pessoas jovens e em idade produtiva, provoca grande impacto emocional, socioeconômico e degradação da qualidade de vida. Além disso, grandes gastos são despendidos no tratamento dos portadores de FR, que necessitam de assistência médica de longo prazo e de abordagem cirúrgica das valvopatias graves.1-4

Em países como a Índia, Paquistão, Tailândia e nos aborígenes da Austrália, a valvopatia reumática é responsável por 25 a 40% das internações hospitalares.4,5,6 No Brasil, 35% do total das cirurgias por doenças cardiovasculares realizadas são devidos à cardiopatia reumática, que consome cerca de dois terços dos recursos gastos anualmente com cirurgia cardíaca.7 Contrapõe a esse cenário a observação da situação epidemiológica da FR nos países desenvolvidos, onde a doença está praticamente sob controle, sendo raro o relato de novos casos.1,8,9,10

Vários estudos epidemiológicos mostram que, na ausência de recidiva da doença, o aparecimento e/ou o agravamento de lesões novas ou preexistentes, respectivamente, podem ocorrer com menos freqüência e intensidade, provavelmente devido a fatores imunológicos de cada pessoa. Tomas (1961)11 observou que a corticoterapia ou a terapêutica com salicilatos teve pouca influência na evolução da FR em longo prazo, mas a sua profilaxia representou impacto de grande benefício, sendo o principal meio para a redução das suas taxas de morbidade e mortalidade.

O prognóstico é desfavorável à medida que aumenta a gravidade da cardite, mas a cardite grave é pouco freqüente no primeiro surto, ocorrendo mais nas recidivas da FR.12,13,14 Além disso, os pacientes que apresentaram cardite no surto agudo terão mais chance de evoluir com melhora ou regressão da lesão cardíaca inicial se forem submetidos à profilaxia secundária adequada.9,15,16

Tendo em vista a grande influência das recidivas na evolução da FR, este estudo propôs-se a avaliar a freqüência de surtos de recidiva em ambulatórios especializados no atendimento a pacientes portadores de FR e avaliar a relação de sua ocorrência com o desenvolvimento de valvopatia.

 

MÉTODOS

Realizou-se um estudo observacional longitudinal com levantamento de dados retrospectivos e prospectivos de 258 pacientes com diagnóstico de FR, baseado nos critérios de Jones (1992)17, atendidos e acompanhados no Serviço por períodos entre dois e 15 anos, resultando em 1.383 pacientes-ano.

A presença e quantificação das lesões valvares foram determinadas pelas avaliações clínica e dopplerecocardiográfica tanto na fase aguda quanto na crônica. Na fase aguda, 109 pacientes foram submetidos à avaliação dopplerecocardiográfica, mas na fase crônica todos tiveram o grau de envolvimento cardíaco determinado pelas avaliações clínica e dopplerecocardiográfica.

Foram incluídos os pacientes com idade inferior a 20 anos no primeiro atendimento e cujo quadro clínico/laboratorial preenchia suficientemente os critérios de Jones para o diagnóstico de FR, identificando-se o início das manifestações clínicas e a caracterização de suas manifestações maiores e menores. Foram excluídos os pacientes em uso de medicação oral para profilaxia secundária. A fase aguda foi definida como o período compreendido entre o início dos sintomas e sinais e até a 12ª semana de doença, com a normalização dos exames laboratoriais relacionados às reações da fase aguda do soro. Os termos cardite e valvite identificam os achados de envolvimento cardíaco na fase aguda segundo as avaliações clínica e dopplerecocardiografica, respectivamente.

Os diagnósticos de cardiopatia segundo os critérios clínicos e de valvopatia reumática crônica pela avaliação dopplerecocardiográfica foram definidos a partir de dois anos de doença. O termo valvopatia aqui empregado restringe-se à análise dopplerecocardiográfica exclusiva de lesões valvares mitral e/ou aórtica, na fase crônica da FR. As lesões valvares classificadas segundo os critérios dopplerecocardiográficos como de grau leve a moderado foram incluídas no item de acometimento moderado e as classificadas como de grau moderado a grave foram analisadas como grave.16,18O termo valvopatia significativa é usado como sinônimo de valvopatia grave. A determinação de lesões das valvas tricúspide e pulmonar não foi realizada neste estudo.

A profilaxia secundária segundo o esquema adotado no Serviço19,20 foi considerada regular quando os pacientes mostraram adesão à prescrição, com atraso de até uma semana na aplicação da penicilina G benzatina (PGB).

As recidivas da FR foram identificadas a partir de sinais e sintomas clínicos incluídos entre as manifestações maiores e menores de Jones e a demonstração de ocorrência de infecção estreptocócica recente, decorrido pelo menos seis meses após o último surto agudo.

Os dados obtidos neste trabalho foram analisados utilizando-se o EPI-Info 6. Para determinar uma possível associação entre variáveis categóricas, empregou-se o teste do qui-quadrado (χ2), com correção Yates ou o teste exato de Fisher. Adotouse o nível de significância de p < 0,05.

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais.

 

RESULTADOS

Dos 258 pacientes incluídos neste estudo, 132 (51,2%) eram masculinos e 126 (48,8%) femininos, com idade no primeiro surto de FR variando entre 3,2 e 16,5 anos, média de 9,0 ± 2,6 anos e mediana de 9,0 anos. A dosagem de antiestreptolisina O (ASO) no primeiro surto apresentou-se acima de 300 UI em 79,4% pacientes e o relato de faringoamigdalite prévia ao primeiro surto foi obtido em 30,9% deles. A presença de FR em pelo menos um membro familiar foi relatada por 29,7% dos pacientes. Quanto aos indicadores de gravidade da doença, foi elevada a freqüência de internações motivadas pela doença nas fases aguda e crônica, abrangendo cerca de metade da população estudada, bem como o percentual de 4,3% de cirurgias valvares realizadas em crianças e adolescentes. Dos 11 pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico, 10 (90,1%) tinham 16 anos ou menos.

A ocorrência de novos episódios agudos foi observada 74 vezes em 54 (20,9%) pacientes, totalizando 332 surtos agudos. Os surtos de recidiva nos 54 pacientes foram um em 40; dois em 10; três em três; e cinco em um paciente, totalizando 74 surtos. Entre os 258 pacientes incluídos neste estudo, 116 foram atendidos após o sexto mês de doença. A ocorrência de surtos de recidiva antes e após à admissão do paciente no Serviço foi de 33,6% (de 116 pacientes) e 8,5%, respectivamente (p < 0,0001). Considerando-se exclusivamente o período de seguimento dos 258 pacientes após a admissão no Serviço, foram totalizados 1.383 pacientes-ano. Desses, 22 apresentaram 31 surtos de recidivas, resultando em 0,022 surto por paciente-ano. Cerca de metade dos eventos (47,3%) aconteceu nos primeiros dois anos de doença (Tabelas 1 e 2, Figura 1). Os casos agudos acometeram 332 vezes os 258 pacientes. A freqüência de cardite foi maior entre os pacientes nos episódios de recidiva do que no primeiro surto (p < 0,05): entre os 74 surtos de recidiva, 63 (85,1%) foram com cardite (Tabela 3), sendo 22 (34,9%) de grau leve e 41 (55,4%) de graus moderado ou grave. O desenvolvimento de valvopatia crônica significativa foi observado em 21 (35%) dos 54 com recidiva e em 20 (9,8%) dos 204 sem evidências de recidivas (Tabela 4), com p < 0,0001. O óbito ocorrido entre os 258 pacientes estudados foi o de uma paciente que teve cinco recidivas. Todos aqueles que evoluíram com cardite na fase aguda também a apresentaram nos surtos subseqüentes (Tabela 5). Em 23 pacientes com envolvimento cardíaco clinicamente evidente no primeiro surto (cardite), ocorreram 33 surtos de recidiva, dos quais 26 (78,9%) com cardite moderada ou grave. Por outro lado, de 31 pacientes sem evidência clínica de cardite no primeiro surto, 23 (74,2%) mostraram algum grau de cardite nos surtos subseqüentes, a maioria de grau leve (64,5%).

 

 

 

 

 


Figura 1 - Distribuiçao de freqüência do número de surtos de acordo com a duraçao da febre reumática

 

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

As valvopatias reumáticas mitral e/ou aórtica significativas indicam prognóstico reservado, porque evoluem com agravamento progressivo, e necessidade de tratamento clínico e/ou cirúrgico em curto ou a médio prazo e com possibilidade de óbito, conforme observado neste trabalho. Dos 41 pacientes com valvopatias mitral e/ou aórtica significativas, 11 (26,8%) necessitaram de tratamento cirúrgico e um evoluiu para o óbito. A freqüência de história familiar de FR de 29,7% encontrada neste trabalho confirma os relatos da literatura, que indicam propensão familiar para esta enfermidade.14,21 A influência de fatores genéticos vem sendo sugerida pelas constatações5,22de que: a) apenas 0,1 a 3% das pessoas desenvolvem FR após faringoamigdalite por estreptococoβ-hemolítico do grupo A de Lance-field; b) a taxa de recidiva da doença alcança índice de 50% nas pessoas que apresentaram surto anterior de FR. Vários estudos vêm comprovando a associação entre marcadores genéticos relacionados aos antígenos HLA classe II na suscetibilidade à FR, devido à influência dessas moléculas nos fenômenos que desencadeiam a resposta imune.23,24

A comprovação de infecção por estreptococo β-hemolítico do grupo A antecedendo o quadro de FR tornou-se um pré-requisito para seu diagnóstico, desde a revisão dos critérios de Jones feita em 1965. Não constitui evidências adequadas de infecção estreptocócica recente a história de dor de garganta e de escarlatina sem confirmação laboratorial, devido ao fato de que apenas 10 a 20% das faringoamigdalites são causadas pelo estreptococoβ-hemolítico do grupo A e o diagnóstico clínico de faringoamigdalite ou de escarlatina não é seguro.8,25,26 No presente estudo aproximadamente dois terços dos pacientes negaram a ocorrência de faringoamigdalite prévia ao primeiro surto, diferentemente das informações registradas na literatura de que apenas um terço dos casos resulta de infecção estreptocócica inaparente.26, 27

Nos países em desenvolvimento, a esperança de redução da incidência da FR baseia-se no tratamento adequado das faringoamigdalites estreptocócicas27,28, pois as condições de vida da população não têm perspectivas de melhora em curto e médio prazos.3,29 Em concordância com esta hipótese, na Costa Rica, após a implantação de uma simples medida de tratamento padronizado para as crianças com faringoamigdalite, em um programa de atenção primária à saúde da criança, houve a quase erradicação da FR na década seguinte.9,30 A população em geral, os agentes de saúde e as pessoas que trabalham com crianças escolares e adolescentes devem estar conscientizados dos riscos da faringoamigdalite não tratada ou tratada inadequadamente (antibiótico inadequado, tempo insuficiente) para erradicação do estreptococo β-hemolítico do grupo A.32 Os surtos de FR que ocorreram nos Estados Unidos nas décadas de 80 e 90 serviram para lembrar que a abordagem e o tratamento adequados das faringoamigdalites continuam sendo essenciais para o controle da FR também nos países desenvolvidos.8,29,31,32

A interpretação das alterações laboratoriais ainda provoca grande confusão na determinação do diagnóstico da FR, em especial os níveis altos de antiestreptolisina O (ASO). Diagnósticos errôneos são realizados frente a quadro incaracterístico de artrite ou, mais freqüentemente, de dor nos membros inferiores, associada a altos níveis de ASO. A elevação dos níveis de ASO identifica 80 a 85% dos pacientes que tiveram contato prévio com o estreptococo21, percentual semelhante ao constatado na presente investigação. Como nenhum outro anticorpo estreptocócico além da ASO foi dosado, a infecção estreptocócica prévia foi suspeitada, mas não pôde ser comprovada em cerca de 20% dos casos, incluindo os pacientes que apresentaram coréia como única manifestação.

Nos surtos de recidiva, a FR aguda geralmente mimetiza as manifestações do primeiro episódio.31 Entretanto, no presente estudo, de 31 pacientes sem evidência clínica de cardite no primeiro surto, 23 (74,2%) mostraram algum grau de cardite nos surtos subseqüentes, a maioria de grau leve (64,5%). Esse fato deve ser valorizado quanto ao diagnóstico da valvite subclínica, uma vez que a cardite despercebida no primeiro surto será provavelmente mais grave nos surtos subseqüentes. A FR possui caráter recorrente e quanto mais surtos agudos prévios, maior a tendência a novos episódios, por inadequada adesão à profilaxia secundária.14 Dos 54 pacientes que apresentaram recidivas, 14 (25,9%) exibiram dois ou mais surtos. As recidivas foram também mais freqüentes nos cinco primeiros anos de doença, quando ocorreram 58 (78,4%) dos seus 74 surtos. Confirmando essas observações, Spagnuolo et al. 33 já haviam constatado que elas são mais freqüentes no período citado. É sabido que os surtos de recidiva relacionam-se diretamente com a morbimortalidade e a evolução. A cada recidiva há possibilidade de surgimento de lesões valvares novas ou agravamento das preexistentes.3,34,35 Em acordo com esses autores, todos os pacientes que apresentaram envolvimento cardíaco na fase aguda apresentaram-no também nos surtos subseqüentes, com mais gravidade. A ocorrência de recidivas constituiu, neste trabalho, fator importante para o desenvolvimento de valvopatia significativa: 21 (35%) dos 54 pacientes que tiveram recidivas versus 20 (9,8%) dos 204 sem evidência de recidivas evoluíram para valvopatia significativa. Sendo assim, em países como o Brasil, a opção de controle da FR é representada pelas profilaxias primária e secundária.28 Serviços especiais de atenção à saúde precisam ser implantados para atender ao paciente que tenha apresentado um episódio de FR, com os objetivos de acompanhar a evolução das lesões valvares, proporcionar orientação, a cada consulta, aos pacientes e aos seus familiares a respeito da doença e da importância da profilaxia secundária no seu prognóstico e, por fim, universalizar o acesso à medicação.36,37

 

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