ISSN (on-line): 2238-3182
ISSN (Impressa): 0103-880X
CAPES/Qualis: B2
Hipertensão portal idiopática e suas alterações ultrassonográficas
Idiopathic portal hypertension and related ultrasound findings
João Paulo Kawaoka Matushita1; José de Laurentys-Medeiros2; Julieta Sebastião Matushita3; Cristina Sebastião Matushita4; João Paulo Kawaoka Matushita Jr.5
1. Professor Associado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Médico Radiologista do CDI Dr. Matsushita Ltda. Belo Horizonte, MG - Brasil
2. Professor Titular de Semiologia Médica da Faculdade de Ciências Médicas de Belo Horizonte. Belo Horizonte, MG - Brasil
3. Médica Radiologista. CDI Dr. Matsushita Ltda. Belo Horizonte, MG - Brasil
4. Médica Nuclear. CDI Dr. Matsushita Ltda. Belo Horizonte, MG - Brasil
5. Médico. Mestrando em Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro-FM-UFRJ. Rio de Janeiro, RJ - Brasil
João Paulo Kawaoka Matushita
E-mail: jpauloejulieta@gmail.com
Recebido em: 23/08/2012
Aprovado em: 21/01/2013
Instituição: CDI Dr. Matsushita Ltda Rua dos Caetés 530/216, Centro Belo Horizonte, MG - Brasil. CEP 30120-080
Resumo
OBJETIVO: caracterizar clínica e pela ultrassonografia (US) a hipertensão portal idiopática.
PACIENTES E MÉTODOS: foram avaliados, retrospectivamente, por US com doppler colorido, 60 pacientes com diagnóstico clínico de hepatopatia crônica e hipertensão portal, de janeiro de 1996 a janeiro de 2006, em clínica privada, encontrando dois casos de hipertensão portal idiopática.
COMENTÁRIOS: em jovens com esplenomegalia, hematêmese recorrente, anemia, ascite, funções hepáticas normais e hipertensão portal sem evidência de cirrose, foram observados à US fígado de tamanho usual, textura heterogênea e superfície lisa, ausência de deformidades das ramificações das veias portais intra-hepáticas, espessamento da parede da veia porta maior ou igual a 3 mm e estreitamento abrupto das veias portais secundárias intra-hepáticas acompanhado de esplenomegalia.
Palavras-chave: Hipertensão Portal; Hepatopatias; Ultrassonografia Doppler em Cores.
INTRODUÇÃO
A hipertensão portal idiopática (HPI), também conhecida como síndrome de Banti, foi descrita pela primeira vez por Banti, em 1889,1 e pesquisada por Ramalingaswami et al.2 , em 1962, na Índia. Várias sinonímias são utilizadas para identificá-la, como: esclerose hepatoportal,3 fibrose portal não cirrótica,4 venopatia portal obliterativa do fígado,5 hipertensão portal intra-hepática não cirrótica,6 hipertensão portal intra-hepática benigna,7 hipertensão portal presinusoidal idiopática.8
Sua etiopatogenia é pouco conhecida. Sherlock8 acreditou que os fatores predisponentes seriam as lesões nas ramificações do sistema venoso portal intra-hepático e das células endoteliais sinusoidais. Sua etiologia pode ser infecciosa, tóxica, imunológica9 e, na maioria das vezes, desconhecida.8
A HPI é mais frequente em mulheres, na proporção de 2:1 a 4:1,10-12 e a idade média do comprometimento varia de 25 a 35 anos.9
Este trabalho objetiva apresentar as características clínicas da HPI à US.
PACIENTES E MÉTODOS
Foram avaliados retrospectivamente, por meio de US com doppler colorido, 60 pacientes com diagnóstico clínico de hepatopatia crônica e hipertensão portal, de janeiro de 1996 a janeiro de 2006, em uma clínica privada, encontrando dois casos com HPI.
O aparelho usado para realizar a US foi da marca Toshiba, modelo Power Vision 6000 com sondas de banda larga, multifrequencial de 3-5 mHz convexo e 7-10 mHz linear com doppler colorido.
As documentações dos exames foram realizadas com base no sistema de captura de imagens da SISMED.
RESULTADOS
Os resultados estão apresentados nas Tabelas 1 a 3 e Figuras 1 a 4.
DISCUSSÃO
A HPI pode ser caracterizada principalmente pela esplenomegalia prolongada, hematêmese recorrente, anemia, ascite pequena ou moderada, que facilmente responde a diuréticos,12 funções hepatocelulares próximas do normal e hipertensão portal sem evidência de cirrose ou obstrução da veia porta (Tabela 4).10
A fibrose hepática não cirrótica deve ser diferenciada da cirrose na medida em que a função hepática está conservada.
Os achados à US que diferenciam a HPI da cirrose incluem: fígado de tamanho usual, textura heterogênea e superfície lisa, ausência de deformidades das ramificações das veias portais intra-hepáticas, espessamento da parede da veia porta maior ou igual a 3 mm e estreitamento abrupto das veias portais secundárias intra-hepáticas,13 acompanhado de esplenomegalia.
A história natural da HPI é desconhecida e parece ter evolução benigna, desde que sejam controladas as recorrências das varizes esofágicas, mas a fibrose hepática progressiva pode levar à deterioração hepática e morte.11
CONCLUSÃO
A doença hepática da HPI é caracterizada pelas variações dos graus da fibrose portal e alterações fibroescleróticas do sistema venoso portal. No entanto, as alterações patológicas dessa síndrome no fígado não são patognômonicas e a maioria das alterações vistas pode ser o resultado de longa insuficiência circulatória venosa portal.
REFERÊNCIAS
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