RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Número Atual: 35 e-35105 DOI: https://dx.doi.org/10.5935/2238-3182.2025e35105

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Artigo Original

Perfil sociodemográfico dos pacientes e dos atendimentos médicos em um ambulatório-escola

Sociodemographic profile of patients and medical attendance in a school ambulatory

Kelcilene Azevedo de Matos1; Leandro Pinheiro Cintra*2; Rafaela Fonseca Forti2; Vivia Cristina Pires Martins2; Izabella Marques Ferreira Teixeira2; Leonardo Torres Vasconcelos3; Josiane Moreira da Costa1; Renata Aline de Andrade1

1. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Minas Gerais, Brasil
2. Unifenas-Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
3. Hospital Risoleta Tolentino Neves, Minas Gerais, Brasil

Endereço para correspondência

Leandro Pinheiro Cintra
UNIFENAS-BH, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.
E-mail: lpcintra@gmail.com

Recebido em: 22 Outubro 2024.
Aprovado em: 9 Março 2025.
Data de Publicação: 22 Julho 2025.

Editor Associado Responsável:

Nestor Barbosa de Andrade
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia.
Uberlândia/MG, Brasil.

Conflito de Interesse: Não há.

Comitê de ética: Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) envolvendo seres humanos da UFVJM sob o parecer número 4.381.944 e CAAE 37622620.6.0000.5108.

Resumo

O acesso aos serviços de saúde, inclusive a nível ambulatorial, pode ser influenciado pelas características demográficas e sociais da população de referência. É importante que a organização dos ambulatórios considere o perfil sociodemográfico e dos pacientes levantando dados a partir dos atendimentos e com isso promover uma maior compreensão das demandas da população atendida. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil sociodemográfico dos pacientes atendidos no Ambulatório Escola da Faculdade de Medicina do Campus JK da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, assim como também o seu perfil de atendimentos. Tratou-se de estudo quantitativo, descritivo e retrospectivo por meio da análise dos prontuários dos pacientes atendidos neste ambulatório e acesso ao banco de dados SPDATA referente ao cadastro desses pacientes. Em formulário próprio, foram coletados os dados sobre as consultas realizadas pelos pacientes nas especialidades médicas e os procedimentos executados (perfil dos atendimentos) e sobre sexo, idade, procedência, ocupação, estado civil e raça/cor da pele (perfil sociodemográfico). Foram analisados 2.858 prontuários, sendo que a maior parte dos pacientes era do sexo feminino (68,75%), na faixa etária de 20 a 39 anos (29,04%), estado civil solteiro (50,77%), raça/cor da pele pardo (62,74%), aposentado (15,90%), procedente de Diamantina/MG (72,11%) e residente da Zona Urbana (82,23%). Em relação aos atendimentos médicos, as especialidades de ginecologia, clínica médica e pediatria se destacam com o maior número de consultas registradas. Observou-se que 13,02% dos pacientes realizaram algum procedimento durante os atendimentos, sendo o mais frequente o exame de Papanicolau (63,35%). Este estudo contribui para melhor conhecimento sobre o funcionamento do local em estudo assim como sobre serviço sobre o perfil dos usuários. Esses resultados propiciam o planejamento de ações que visam uma melhoria na atuação do ambulatório e, consequentemente, melhoria na assistência à saúde para a população da Macrorregião de Saúde do Jequitinhonha.

Palavras-chave: Assistência ambulatorial; Estudos epidemiológicos; Demografia.

 

INTRODUÇÃO

Os ambulatórios ou clínicas-escolas das instituições de educação superior são serviços que oferecem à comunidade cuidados em saúde custeados pela sociedade. Ao mesmo tempo, eles possibilitam que o discente esteja inserido em um processo de ensino-aprendizagem que envolva a integração das ações de ensino, pesquisa e extensão, e a sua capacitação para a prática, vivência e reflexão do exercício profissional1.

Esses espaços, portanto, atendem a dois tipos de clientelas, os discentes e os setores da sociedade. Os primeiros necessitam adquirir conhecimentos e habilidades que os tornem aptos a exercerem a sua futura profissão, e os segundos precisam de atendimentos com qualidade que visem a proteção, promoção e recuperação de sua saúde, reforçando o quão imprescindível é a articulação entre as necessidades da formação acadêmica e as necessidades sociais2.

A forma como se dá o acesso aos serviços de saúde, inclusive o ambulatorial, pode sofrer influência das características demográficas, sociais e crenças dos usuários que os frequentam, sendo, então, importante que a organização e funcionamento dos mesmos considerem o comportamento da demanda dos pacientes a partir de seu perfil sociodemográfico3.

Dessa forma, torna-se fundamental que um ambulatório-escola conheça tanto as características do serviço ofertado quanto as características da população que o utilizará. Esse entendimento é fundamental para a compreensão do papel desse serviço para a comunidade e sua gestão4.

As informações sobre os pacientes e atendimentos são importantes para avaliar a efetividade dos serviços prestados pelo ambulatório, para refletir sobre uma melhoria na organização do serviço e na adequação das modalidades de atendimento ofertadas de acordo com o perfil do usuário4,5. Essas melhorias nas práticas do serviço se dão devido à possibilidade de poder planejar ações baseadas em informações que refletem a realidade do local. Ainda é possível criar estratégias que podem melhorar o acesso de determinados grupos que ainda tenham dificuldades de chegar até o serviço6.

Além disso, conhecer a construção do perfil do usuário e da demanda de um ambulatório permite que o mesmo seja comparado com os perfis de outros serviços, oportunizando a elaboração de políticas públicas de maior alcance7. Para isso, é importante que os resultados desses estudos sejam divulgados, pois é uma forma de contribuir no campo de atuação dos serviços ambulatoriais servindo de referência para outros estudos semelhantes, seja dentro do mesmo serviço ou em outras instituições e, ainda, podendo atrair mais discentes, docentes e pesquisadores interessados em atuar nesse dispositivo3,5.

O Ambulatório-Escola da Faculdade de Medicina do Campus JK da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (Ambulatório-Escola da FAMED/UFVJM) está localizado em Diamantina, Minas Gerais (MG), Brasil. Ele é definido como um espaço onde são realizadas consultas médicas gratuitas especializadas que estão ligadas ao ensino do curso de graduação em Medicina da referida Faculdade, cujo principal público-alvo é a população da Macrorregião de Saúde do Jequitinhonha estimada em 407.871 mil habitantes8,9. Conforme adscrição em territórios assistenciais, essa macrorregião é composta por 31 municípios, sendo Diamantina o seu município polo10.

Nesse contexto, supõe-se que o ambulatório já atendeu a uma ampla população, com necessidades de atendimentos médicos em diferentes áreas especializadas, sendo formada por pessoas com variadas características sociodemográficas e condições de saúde. Destaca-se ainda o fato de esse ambulatório ser referência para populações residentes em municípios com baixo índice de desenvolvimento humano (IDH), o que sugere a sua importância e contribuições para o cuidado em saúde na região. Assim, este estudo possui como objetivo descrever o perfil sociodemográfico dos pacientes atendidos no Ambulatório-Escola da FAMED/UFVJM, assim como o perfil de atendimentos realizados.

 

MÉTODOS

Trata-se de um estudo de demanda ambulatorial, do tipo quantitativo, descritivo, retrospectivo e com coleta de dados primários realizada no Ambulatório-Escola da FAMED/UFVJM que está localizado no município de Diamantina (MG), Mesorregião do Jequitinhonha.

Os dados deste estudo foram obtidos por meio da análise dos prontuários dos pacientes atendidos no Ambulatório-Escola da FAMED/UFVJM no período de junho de 2017 a janeiro de 2020 e do acesso ao banco de dados SPDATA da SCCD referente ao cadastro desses pacientes quando algum dos seus dados sociodemográficos não estavam presentes no prontuário físico. A utilização do SPDATA se deve ao fato de que no momento da admissão do paciente no ambulatório, além da utilização do prontuário, ocorria também o preenchimento de uma ficha ambulatorial presente nesse banco, que especificava os dados sociodemográficas dos pacientes.

Foram incluídos no estudo todos os pacientes atendidos nesse ambulatório no período citado anteriormente, cujas consultas foram realizadas pelas especialidades médicas relacionadas ao curso de graduação em Medicina da FAMED/UFVJM.

O período avaliado na pesquisa corresponde a seis semestres letivos dos calendários acadêmicos da UFVJM, desde junho de 2017, data em que o ambulatório foi criado e que, portanto, teve o seu primeiro atendimento realizado, a janeiro de 2020, que refere ao último semestre letivo do calendário acadêmico da UFVJM encerrado antes da suspensão temporária dos atendimentos devido à pandemia de COVID-19 no Brasil.

Para a coleta de dados foi utilizado um formulário elaborado pelas autoras da pesquisa. Ele foi preenchido após análise de cada prontuário incluso no estudo, onde foram registradas as informações referentes às características sociodemográficas dos pacientes, sendo sexo, idade, estado civil, procedência (município e zona de moradia), ocupação e raça/cor da pele (perfil sociodemográfico), além das consultas médicas especializadas e os procedimentos realizados no ambulatório (perfil dos atendimentos).

Esses dados foram coletados por uma única pesquisadora e teve a duração de aproximadamente quatro meses (novembro de 2020 a março de 2021). Esses foram digitados no programa Microsoft Excel® 2007 e analisados no programa Epi InfoT versão 7.2.4.0 do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) utilizando-se das estatísticas descritivas de médias com desvio-padrão, frequências absolutas e relativas das variáveis.

Foram realizadas análises estatísticas para visualizar as tendências de atendimento das especialidades médicas e dos procedimentos oferecidos ao longo dos anos. Também foi aplicado o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis para os grupos, onde também foram observados valores de significância estatística (p<0,05). Ressalta-se que o ano de 2020 não foi incluído na análise, uma vez que apresentava muitos dados faltantes, considerando o período da pandemia e interrupção na oferta de serviços, o que poderia comprometer os resultados. Todos os testes foram realizados utilizando o software estatístico SPSS, versão 21.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) envolvendo seres humanos da UFVJM sob o parecer número 4.381.944 e CAAE 37622620.6.0000.5108.

 

RESULTADOS

Foram analisados 2.858 prontuários presentes no Ambulatório-Escola da FAMED/UFVJM. Os pacientes consultaram nas especialidades médicas de ginecologia, clínica médica, pediatria, dermatologia, infectologia, geriatria, reumatologia, neurologia, psiquiatria, mastologia, endocrinologia, cardiologia e oftalmologia.

Em relação ao perfil sociodemográfico dos pacientes atendidos, houve um predomínio do sexo feminino (68,75%), na faixa etária de 20 a 39 anos (29,04%), estado civil solteiro (50,77%) e raça/cor da pele pardo (62,74%) (Tabela 1). A média da idade foi de 37,47 ± 23,70 e variação de 0 a 101 anos. Por sexo, a média da idade foi de 39,05 ± 22,25 para o feminino e de 34 ± 26,29 para o masculino, ambos variando de 0 a 101 anos.

 

 

Quanto à procedência, os pacientes eram residentes de 32 municípios de Minas Gerais. Houve um predomínio dos pacientes oriundos de Diamantina (72,11%), seguidos por Gouveia (4,41%), Congonhas do Norte (3,01%), Datas (2,62%), Couto de Magalhães de Minas (2,38%), Serro (1,82%), Carbonita (1,68%), Coluna (1,61%), São Gonçalo do Rio Preto (1,40%) e Minas Novas (1,05%), todos pertencentes à Macrorregião de Saúde do Jequitinhonha. Os outros 22 municípios representaram menos de 1% cada um, sendo dezoito pertencentes à Macrorregião de Saúde do Jequitinhonha, três da Macrorregião de Saúde do Centro e um da Macrorregião de Saúde do Nordeste. Ainda em relação à residência, a maior parte dos pacientes era proveniente da Zona Urbana (82,23%) (Tabela 1).

As cinco ocupações mais encontradas nos prontuários foram aposentado (15,90%), dona de casa (8,02%), discente (6,55%), empregada doméstica (5,85%) e trabalhador rural (4,61%), que juntas totalizam 40,93% dos pacientes. Em sexto lugar aparece desempregado (3,50%), que embora não seja considerada uma ocupação, optou-se por mantê-la na lista por ser um dado importante em relação ao perfil da população atendida no ambulatório. É importante frisar que essa variável sofreu algumas interferências: a população analisada foi composta por pacientes com idade igual ou superior a 16 anos (n=2.258), que é a idade considerada para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como uma população economicamente ativa (IBGE, 2021), quase um terço dos prontuários não continha essa informação (29,45%) e, ainda, foram descritas 102 ocupações distintas, motivo pelo qual foram apresentadas as mais prevalentes (Tabela 1).8

No que se refere ao perfil de atendimentos, a maioria dos pacientes consultou em uma única especialidade médica (92,16%, n=2.634). Os que consultaram em mais de uma especialidade foram: 7,00% (n=200) em duas especialidades, 0,74% (n=21) em três especialidades e 0,1% (n=3) em quatro especialidades, tendo, portanto, 224 (7,84%) pacientes consultando em mais de uma especialidade. As especialidades médicas que tiveram um maior número de pacientes atendidos foram a ginecologia (24,18%), clínica médica (22,50%) e pediatria (16,45%) (Tabela 2).

 

 

Em relação ao número de atendimentos médicos realizados, houve o registro de 5.002 consultas, com média de 1,75 ± 1,35 por paciente e variação de 1 a 13 consultas. As especialidades médicas que tiveram um maior número de atendimentos foram a clínica médica (21,61%), ginecologia (21,33%), pediatria (13,83%) e infectologia (10,04%), que juntas representaram 67,17% de todos os atendimentos (Tabela 3).

 

 

Além disso, o ano de 2018 foi o que teve um maior número de consultas atingido: 38,66% das consultas realizadas. Nesse mesmo ano, também foi registrado o maior número de consultas na pediatria, infectologia, geriatria, dermatologia e reumatologia (Tabela 3).

No que diz respeito aos procedimentos realizados durante os atendimentos, 13,02% dos pacientes (n=372) sofreram algum tipo de intervenção, totalizando 483 procedimentos registrados (um mesmo paciente realizou o mesmo procedimento mais de uma vez e/ou mais de um tipo de procedimento). Houve um predomínio da realização do exame de Papanicolau (63,35%) na área da ginecologia, seguidos pela infiltração intralesional de antimoniato de meglumina (AM) (14,91%) na infectologia e inserção de dispositivo intrauterino (DIU) (7,87%) também na ginecologia (Tabela 4).

 

 

Na análise de associação, foram observados valores p superiores a 0,05, o que indica que não há significância estatística nos atendimentos entre os anos avaliados.

 

DISCUSSÃO

Em geral, as mulheres procuram mais os serviços de saúde no Brasil do que os homens11. O presente estudo obteve que 68,75% dos pacientes que frequentaram o Ambulatório-Escola da FAMED/UFVJM eram mulheres. Esse resultado é corroborado pelas pesquisas, realizadas em serviços de consultas médicas especializadas no Brasil, e outra realizada em um ambulatório de saúde na Índia, que também apresentaram uma frequência maior de pacientes do sexo feminino, sendo, respectivamente, 83,50%, 66,27%, 63,67% e 57,20%12-15.

As mulheres têm uma maior preocupação em relação à sua saúde procurando tratamentos em Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS) do que os homens, fato esse que pode contribuir para que elas também frequentem mais os serviços de atenção secundária uma vez que os encaminhamentos para esse nível são gerados principalmente a partir da Atenção Primária à Saúde (APS)14,16. Já a menor utilização dos homens pelos serviços de saúde pode ser entendida por meio da análise do processo histórico-cultural da sociedade, onde eles são vistos como um ser forte que dificilmente é acometido por uma doença17.

Em relação à idade, o ambulatório atendeu pessoas de todas as faixas etárias, o que mostra a importância desse serviço no atendimento à população, uma vez que a assistência à saúde oferecida abrangeu cuidados voltados para todos os ciclos da vida desde os recém-nascidos até os idosos (variação de idade 0 a 101 anos). Para o aprendizado do discente é de grande valia compreender todo processo de saúde-doença que envolve o indivíduo, família e comunidade, englobando o diagnóstico, prognóstico e conduta terapêutica, em todas as fases do ciclo biológico18.

Ainda sobre esse dado demográfico, as faixas etárias de 20 a 39 anos e 40 a 59 anos tiveram o maior número de pacientes atendidos, totalizando 54,62% dos pacientes. Essas faixas etárias equivalem ao público considerado adulto que, conforme censo IBGE, representou 50,50% da população brasileira, o que poderia explicar o predomínio dos adultos na utilização desse serviço de saúde19. Esse resultado também foi encontrado em estudos onde a maior parte dos pacientes que frequentaram os ambulatórios tinham de 20 a 59 anos16,20. Esse resultado dialoga com o aumento das preocupações com a senilidade futura20. Porém, por outro lado, mostra que o ambulatório está para esta população como um local de assistência à saúde onde ela pode se prevenir e tratar doenças crônicas e degenerativas, o que segundo UFMA pode reduzir bastante o número de hospitalizações, melhorar as complicações agudas e crônicas dessas doenças e impedir ou retardar o aparecimento dessas enfermidades21. Cabe destacar que o ambulatório é de cuidados especializados de livre acesso, próximo à atenção primária.

Quanto ao estado civil dos pacientes, houve um predomínio daqueles que se declararam solteiros. Outras pesquisas realizadas em serviços médicos especializados também obtiveram resultados semelhantes a esse15,22. Porém, quando na análise desses dados são excluídos os pacientes menores de 18 anos, que por leis brasileiras é vetado o ato de casar-se, o estado civil predominante passa a ser o casado, com 42,79% dos pacientes, enquanto o solteiro apresenta 36,51%. Esse dado é corroborado por pesquisas que mostraram que o estado civil predominante dos pacientes maiores de 18 anos que frequentaram os serviços de saúde ambulatoriais foi o casado23,24.

A etnia que representou a maior parte dos pacientes atendidos foi a parda. Já quando analisada a população negra (pardos e pretos), esta representou 75,79% dos pacientes. Semelhante a este dado, outros estudos também apresentaram a etnia pardo/preto como predominante nos pacientes internados em um serviço de saúde que é referência para a população pertencente à Macrorregião de Saúde do Jequitinhonha, sendo 69,50% e 83,60% respectivamente25,26.

Existe uma desigualdade expressiva na situação econômica entre a população branca e negra, com esta última tendo uma menor renda média per capita26. A fim de melhorar as condições de saúde da população negra, os gestores e profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) devem compreender que as situações de iniquidades e vulnerabilidades que afetam a saúde dessa população, como os indicadores negativos de morbimortalidade, são resultados de injustos processos socioeconômicos e culturais, inclusive o racismo27.

Em relação à procedência, a maioria dos pacientes era de Diamantina, município sede do ambulatório. Há pesquisas que traçaram o perfil dos usuários que frequentaram serviços de atenção secundária, demonstraram que houve um predomínio dos pacientes oriundos dos municípios onde estão localizados os serviços de saúde estudados13,15,28. Desse modo, acredita-se que a localização do ambulatório em Diamantina, aliada ao fato de o município ser sede da macrorregião e o que possui maior população, pode explicar o uso mais frequente desse serviço por pacientes provenientes desse local. Outro fator importante que deve ser considerado é que o número de consulta que é distribuído pelo setor de regulação da Secretaria de Saúde de Diamantina para cada município da macrorregião segue os valores financeiros pactuados na Programação Pactuada e Integrada (PPI), o que pode refletir em uma maior ou menor utilização do ambulatório por cada município, reforçando também o acesso dependente do modelo de financiamento.

Dos trinta e um municípios que fazem parte da Macrorregião de Saúde do Jequitinhonha, o ambulatório teve pacientes procedentes de vinte e oito deles, o que demonstra que o serviço vem cumprindo com seu objetivo de atender à população-alvo, abrangendo quase a totalidade dos municípios dessa macrorregião, enquanto sugere que há uma demanda reprimida na região pelo modelo de financiamento e outros limitadores de acesso10. Por outro lado, seria importante que o ambulatório conseguisse atender a todos os municípios da macrorregião a fim de proporcionar assistência à saúde a toda a população proposta.

O fato de o serviço analisado receber pacientes de diferentes procedências, também chama a atenção para a necessidade de maior investimento na atenção primária, destacando-se a Estratégia de Saúde da Família. A maior prevalência de atendimentos relacionados à clínica médica e ginecologia chama atenção e aponta para uma possível fragmentação na oferta de cuidado nos locais de procedência dos pacientes. A lógica de cuidado pautada no SUS preconiza o acesso integral aos serviços, respeitando a individualidade dos sujeitos assim como aspectos socioculturais que podem interferir na oferta e recebimento do cuidado em saúde29.

Acrescenta-se ainda que, em relação à moradia dos pacientes atendidos, houve um predomínio dos residentes da Zona Urbana, sendo que apenas 17,77% dos pacientes vieram da Zona Rural. As populações rurais, quando confrontadas com as urbanas, apresentam obstáculos e desafios geográficos, econômicos e culturais mais complexos para acessarem os serviços de saúde30. Devido a essas barreiras, incluindo o transporte para o deslocamento, essas pessoas tendem a frequentar principalmente as instituições de saúde localizadas na própria Zona Rural onde moram, as UAPS31. Os autores ainda acrescentam que, por outro lado, a procura por atendimento na sede do município ocorre principalmente devido à ausência do profissional de saúde nas UAPS e/ou necessidade de atenção especializada. A demanda do serviço estudado pode também estar fortemente influenciada pelo modelo assistencial da região e não refletir efetivamente a necessidade da demanda da população do seu entorno, implicando em questões de equidade.

Quanto à ocupação, a maior parte dos pacientes do estudo era aposentado, seguido por dona de casa, discente, empregada doméstica e trabalhador rural. Em conformidade com esse resultado, outro estudo apontou os pacientes aposentados, do lar e discentes, respectivamente, como os mais prevalentes entre os que utilizaram um serviço ambulatorial universitário em uma capital brasileira20. Outro estudo também indicou os discentes, do lar, agricultores e aposentados como as ocupações mais frequentes entre os pacientes que foram atendidos em uma clínica-escola localizada em Cajazeiras/PB15.

Acredita-se que uma maior presença de aposentados, do lar e discentes poderia ser explicada pelo fato de os mesmos possuírem uma maior disponibilidade de tempo para irem aos serviços de saúde20. Por outro lado, essas ocupações mais frequentes estão associadas aos estratos econômicos de ausência, baixa ou médio-inferior de renda. Esse fato reforça o papel social do ambulatório na região, ao aproximar universidade, serviço de saúde e comunidade32.

Ainda é importante ressaltar que esse dado de ocupação foi o único do estudo que apresentou a ausência da informação em uma quantidade considerável (29,45%) de prontuários, o que pode ter prejudicado na análise do perfil da ocupação dos pacientes que frequentaram esse serviço ambulatorial, sendo, portanto, uma das limitações do presente estudo.

No que se refere ao perfil de atendimentos, foram encontrados registros de consultas em treze especialidades médicas, sendo ginecologia, clínica médica e pediatria as que tiveram um maior número de pacientes atendidos e consultas realizadas. Esses resultados podem ser justificados pelo fato de essas especialidades terem funcionado em todos os semestres acadêmicos desde que o ambulatório foi criado e realizada uma maior carga horária prática por semestre. Ainda, esses dados reforçam a importância da oferta pelo ambulatório dessas áreas na assistência à saúde, e corroborado por outro estudo que afirma que o bem-estar da criança e da mulher tem sido, há muito tempo, prioridade na assistência à saúde das populações33. Todavia, essa questão demonstra fragilidade da atenção primária, uma vez que são especialidades com grande potencial de solução de demandas na atenção primária, devendo então, a princípio, ser menos procuradas em outros serviços.

Por sua vez, a endocrinologia, cardiologia e oftalmologia tiveram baixos números de pacientes e atendimentos realizados quando comparadas com as demais especialidades médicas. Esses resultados podem ser explicados, durante o período avaliado pelo estudo, devido a essas especialidades estarem ligadas às práticas das disciplinas eletivas, sendo assim, ofertados os atendimentos médicos por um curto período e apenas em alguns semestres letivos. Desse modo, seria interessante que tais especialidades passassem a ser ofertadas nos módulos longitudinais ou internatos do curso a fim de garantir uma assistência à saúde de forma contínua à população e impedindo assim a fragmentação e descontinuidade do cuidado nessas áreas médicas, pois a impressão é que o ambulatório funciona mais segundo a organização curricular do curso do que segundo a necessidade assistencial da população.

Em relação aos procedimentos realizados durante os atendimentos, houve um predomínio da coleta do exame de Papanicolau na área da ginecologia. Este exame é de competência da atenção primária, também conhecido popularmente como "preventivo do colo do útero", é uma tecnologia simples, efetiva, indolor e de baixo custo realizado nas células do colo uterino com a principal finalidade de detectar precocemente o câncer e as lesões precursoras dele neste local34.

Conforme INCA, a APS deve desenvolver ações de prevenção do câncer do colo uterino, incluindo nelas a realização do exame de Papanicolau35. Ele ainda acrescenta que a APS deve encaminhar para o ponto de atenção secundária, seguindo protocolos, as mulheres com resultados de exames alterados a fim de confirmar o diagnóstico e tratar ambulatorialmente as lesões precursoras do câncer. Portanto, é importante que o Ambulatório-Escola da FAMED/UFVJM e as UAPS, juntamente com a atenção terciária, estejam organizados, a fim de garantir a integralidade das ações de saúde e o fluxo de atendimento no controle do câncer do colo do útero.

Nesse contexto, pressupõe-se que alguns fatores podem ter contribuído para que o exame de Papanicolau tenha sido o procedimento mais realizado nesse serviço. Entre eles, o fato de a ginecologia ter sido a especialidade médica com o maior número de pacientes atendidos e a segunda em quantidade de consultas realizadas, de o exame ser considerado seguro, de baixo custo, rápido e de fácil realização. Além disso, o exame já é bem popular entre as mulheres, uma vez que a importância da sua realização é amplamente divulgada nos serviços de saúde, em especial na APS, inclusive com realização de campanhas governamentais como Outubro Rosa.

Dentro das limitações deste estudo, relata-se a ausência de um cabeçalho padrão no prontuário da Instituição que contenha os dados sociodemográficos dos pacientes e, ainda, de estudos semelhantes realizados nos serviços de assistência à saúde da atenção secundária, voltados à população da Macrorregião de Saúde do Jequitinhonha, para que eles fossem comparados e discutidos. Sugere-se assim, que esse serviço ambulatorial construa uma ficha de evolução que contenha um cabeçalho com as principais características sociais, demográficas e econômicas dos pacientes, dados esses que geralmente são analisados em estudos epidemiológicos, a fim de facilitar a obtenção deles em futuras pesquisas.

Para o Ambulatório-Escola da FAMED/UFVJM, é muito importante que a população rural esteja inserida no público-alvo uma vez que um dos objetivos do curso de medicina da FAMED é formar profissionais médicos que tenham vivência aprofundada nas realidades e necessidades locais e com competência para desenvolver suas atividades profissionais em todos os cenários, incluindo o contexto rural, mesmo que a abordagem seja levando os serviços até as pessoas35. Entretanto, também se destaca a inviabilidade de se analisar a competência cultural nos processos de atendimentos realizados, ou seja, a análise da capacidade do oferecimento do cuidado afetivo, com especificidades que possam ser incorporadas no plano de cuidado36. Desse modo, apesar de os resultados apontarem para o fato de o ambulatório favorecer a formação médica no contexto do SUS, recomenda-se a realização de estudos mais amplos que identifiquem a capacidade de esse ambulatório contribuir para desenvolvimento de habilidades nos estudantes de medicina no que tange ao oferecimento de práticas mais integrais, equitativas, humanizadas e resolutivas para a APS.

O estudo também apresenta limitações no que tange à ausência de avaliação da efetividade dos atendimentos realizados. O perfil sociodemográfico da população em estudo, associado ao fato de o ambulatório ser referência para municípios de baixo IDH, sugere reflexões não respondidas: o aumento dos atendimentos está relacionado à ocorrência de fragilidades na estruturação de programas como o da saúde da família ou reflete uma maior articulação entre os municípios e fortalecimento de convênios intermunicipais? Os atendimentos contribuíram para resolução dos problemas sensíveis à atenção primária e contribuíram para diminuição de hospitalizações? O processo de contrarreferenciamento ocorreu de forma a garantir a longitudinalidade do cuidado?

Logo, o Ambulatório-Escola da FAMED/UFVJM assume dois papéis importantes para a Macrorregião de Saúde do Jequitinhonha: como estabelecimento de ensino e prestador de serviço de assistência à saúde no nível secundário. Conhecer esse cenário torna-se fundamental para a melhoria dos processos de trabalho, subsidiar ações efetivas entre gestores de saúde e universidade e melhorar a integração ensino-serviço-gestão-comunidade, fato esse que reforça o papel da Universidade na região uma vez que o curso assume o compromisso e responsabilidade social com a atenção à saúde da população por meio da inserção dos docentes e discentes na rede de atenção à saúde da região32,35. Também se destaca a importância de esse ambulatório se posicionar como um termomêtro no que tange à realização de contrarreferenciamentos e apontamentos às gestões municipais que propiciem o fortalecimento da atenção primária e da lógica de cuidado pautada nos princípios do SUS.

Em relação à ausência de significância estatística, não foi identificada uma associação relevante entre as variações ao longo dos anos, sugerindo que o fator temporal não exerce influência significativa. Recomenda-se a condução de estudos mais abrangentes que possam investigar a interferência potencial de outros fatores, como clínicos ou demográficos, na variação do número de atendimentos ao longo do tempo.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio deste estudo, foi possível identificar o perfil sociodemográfico dos pacientes e dos atendimentos médicos realizados no Ambulatório-Escola da FAMED/UFVJM. Os pacientes que mais buscaram esse serviço de saúde foram mulheres, na faixa etária adulta de 20 a 39 anos, solteiros, pardos, aposentados, procedentes de Diamantina/MG e residentes da Zona Urbana. Em relação aos atendimentos, as especialidades médicas que tiveram o maior número de pacientes atendidos e de consultas realizadas foram a ginecologia, clínica médica e pediatria. Além disso, o exame de Papanicolau, coletado nas consultas ginecológicas, foi o procedimento mais realizado.

Desse modo, conseguiu-se ampliar o conhecimento sobre o perfil de usuários e atendimentos desse ambulatório, o que possibilitará planejamento de ações que visam melhoria e resultado nos processos de trabalho.

Acredita-se que este estudo também contribuirá com a literatura, servindo de referência para outros ambulatórios-escola do país, subsidiando outras análises e estudos para uma melhoria na assistência à saúde da população e no fortalecimento da integração ensino, serviço e comunidade.

 

Contribuição dos Autores:

As contribuições dos autores estão estruturadas de acordo com a taxonomia (CRediT) descrita abaixo:

Conceptualização, Investigação, Metodologia, Visualização & Escrita - análise e edição: RAA; JMC; KAM; LPC; RFF; VCPM; IMFT; LTV. Administração do Projeto, Supervisão & Escrita - rascunho original: RAA; JMC; KAM; Cintra LPC. Validação, Software: RAA; JMC; KAM. Recursos & Aquisição de Financiamento: RAA; JMC. Curadoria de Dados & Análise Formal: RAA; JMC; KAM; LPC; RFF; VCPM; IMFT; LTV.

 

COPYRIGHT

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