RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Número Atual: 35 e-35115 DOI: https://dx.doi.org/10.5935/2238-3182.2025e35115

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Artigo Original

Acidentes ofídicos em Minas Gerais: uma avaliação epidemiológica entre 2017 e 2022

Snakebites envenoming in the State of Minas Gerais between 2017 and 2022: an epidemiological analysis

Samir Charride Vilas Boas Késsimos de Salles1*; Lucas Morais Rodrigues de Oliveira1; Anita de Oliveira Silva2; Alda Cristina Alves de Azevedo2

1. Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Programa de Graduação em Medicina, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
2. Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais, Departamento de Extensão, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Endereço para correspondência

Samir Charride Vilas Boas Késsimos de Salles
E-mail: samirskca@gmail.com

Recebido em: 07 Maio 2025
Aprovado em: 29 Jun 2025
Data de Publicação: 09 dez 2025.

Editor Associado Responsável: Enio Roberto Pietra Pedroso
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais
Belo Horizonte/MG, Brasil.

Conflito de Interesse: Não há.

Resumo

INTRODUÇÃO: Acidentes ofídicos são ferimentos potencialmente fatais que exigem cuidados imediatos. Minas Gerais apresenta uma das maiores incidências de acidentes ofídicos no Brasil. Os principais problemas relacionados a essas ocorrências incluem a subnotificação e o atraso no tratamento.
OBJETIVO: Este estudo visa analisar dados epidemiológicos de 2017 a 2022 sobre acidentes ofídicos em Minas Gerais. Métodos: Os dados foram extraídos do "Sistema de Informação de Agravos de Notificação" (SINAN) vinculado ao "DATASUS" sobre acidentes ofídicos em MG. Os testes qui-quadrado e Mann-Whitney foram utilizados para a análise estatística.
RESULTADOS: Foram registrados 19.395 casos de ofidismo em Minas Gerais entre 2017 e 2022, com uma média de 3.333 acidentes por ano, uma incidência de 15,60 casos para cada 100.000 habitantes por ano e uma taxa de letalidade de 0,33%. Homens (74,89%) e pardos (53,18%) foram o sexo e a raça mais atacados, respectivamente. O número total de óbitos foi 64, com uma média de 9,5 por ano. Houve correlação entre o gênero da serpente e o desfecho do acidente (p=0,002), sendo Bothrops o mais frequente. Além disso, houve uma maior incidência entre outubro e março (p=0,045). O tempo para atendimento médico superior a 6 horas apresentou uma razão de chances (OR) de 6,10.
CONCLUSÃO: Os acidentes ofídicos em Minas Gerais mostraram certa estabilidade durante o período analisado, com números crescentes até 2020 e uma queda posterior. Não houve uma tendência relacionada aos óbitos relatados, mas o tempo entre o acidente e o tratamento mostrou uma correlação positiva no desfecho dos casos.

Palavras-chave: Mordedura de serpente; Medicina tropical; Epidemiologia, Descritiva.

 

INTRODUÇÃO

Os acidentes ofídicos (AO) são caracterizados pelo envenenamento causado pela inoculação de toxinas através das presas das serpentes, que podem causar impacto local e sistêmico, representando um problema de saúde pública em todo o mundo, especialmente em países tropicais e subtropicais, como o Brasil. Minas Gerais (MG) possui uma das maiores incidências de acidentes com animais peçonhentos, incluindo serpentes venenosas. De acordo com o Sistema de Informação de Notificação de Doenças1 (SINAN), em 2019, mais de 3.000 casos de AO foram registrados no estado. Além disso, em 2016, foram reportados 26.000 AO, com 109 fatalidades no Brasil2. Isso representa uma preocupação para os serviços de saúde e para a população em geral.

A análise dos AO no Brasil demonstra uma tendência que se manteve estável ao longo do último século3. Esses incidentes são mais frequentes no início e no final do ano, afetando predominantemente indivíduos do sexo masculino envolvidos em atividades rurais, com idades entre 15 e 49 anos1. As extremidades inferiores são comumente as mais afetadas4. Notavelmente, aproximadamente 85% das notificações de acidentes com AO relatadas ao Ministério da Saúde estão associadas ao gênero Bothrops, enquanto apenas 8,9% são atribuídas ao gênero Crotalus5. No entanto, nas regiões norte e central do estado de São Paulo, a proporção de acidentes causados por serpentes do gênero Crotalus aumenta para 20%, a maior taxa do país3.

Os AO têm uma maior prevalência em populações mais pobres que vivem em áreas rurais, principalmente homens que trabalham no campo e pescadores6. Essas áreas geralmente estão distantes de um centro de saúde qualificado, dificultando o atendimento e tratamento das vítimas, bem como a notificação desses casos ao sistema de saúde2. É importante destacar que um atraso de 6 horas ou mais no atendimento médico está diretamente relacionado a um pior prognóstico do paciente7, o que torna essencial a preparação e organização do sistema de saúde para atender a população afetada.

É importante destacar que os AO são considerados uma doença tropical negligenciada8. A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou algumas estratégias com o objetivo de reduzir o número de mortes e incapacidades decorrentes desses acidentes até 20309. Portanto, é necessária uma análise periódica do cenário atual no país e no estado para verificar se as políticas atuais estão sendo eficazes para atingir a meta da OMS. O objetivo deste estudo é analisar a epidemiologia da ocorrência de AO em MG e identificar padrões e tendências nos dados dos acidentes.

 

MÉTODOS

Neste estudo transversal e ecológico, a coleta de dados foi realizada no Sistema de Informação de Notificação de Doenças (SINAN-NET)1, vinculado ao DATASUS, de todos os acidentes causados por serpentes entre 2017 e 2022, associados a dados demográficos obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)10, usados para o cálculo dos coeficientes de incidência. Os dados estudados, em relação aos acidentes ocorridos no estado de MG, incluíram sazonalidade (variáveis epidemiológicas); etnia e sexo (variáveis sociais); assim como o tempo entre a picada e o atendimento médico. Foram investigados acidentes envolvendo Bothrops, Crotalus, Micrurus e Lachesis separadamente, assim como serpentes não identificadas e não peçonhentas. Também foram coletados dados sobre a presença ou ausência de soroterapia, relação com acidente de trabalho e desfecho do caso (variáveis clínicas).

Análise estatística

A análise estatística foi realizada utilizando calculadoras disponíveis no siteSocial Science Statistics11. O teste Qui-Quadrado foi usado para testar a associação entre as variáveis categóricas, a saber, as variáveis sociais, as variáveis clínicas e o tempo entre a picada e o atendimento médico. O valor de p utilizado foi 0,05. Após encontrada uma associação, a razão de chances, ou Odds Ratio (OR), foi calculada utilizando um valor de p de 0,05. O OR é uma medida de quão fortemente um evento está associado à exposição. O teste de Mann-Whitney foi utilizado para analisar a sazonalidade dos acidentes, dividindo os casos entre os meses de outubro a dezembro e abril a setembro. O teste de Mann-Whitney compara as médias entre dois grupos independentes com a suposição de que os dados não seguem uma distribuição normal.

 

RESULTADOS

Visão geral

O número total de AO entre 2017 e 2022 foi de 19.395. A taxa de incidência levando em consideração os dados parciais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)12 de 2022 foi de 94 casos para cada 100.000 habitantes de 2017 a 2022, ou 15,60 casos para cada 100.000 habitantes por ano. Entre os casos, houve 64 óbitos, resultando em uma taxa de letalidade de 0,33%. Os 19.331 casos restantes foram distribuídos da seguinte forma: 17.592 curas, 1.732 casos ignorados ou deixados em branco, e 7 óbitos por outras causas.

Observou-se um número maior de casos no período de outubro a março (60,88%), em comparação com o período de abril a setembro (39,12%), com uma associação positiva pelo teste de Mann-Whitney (p=0,045).

A principal espécie causadora de acidentes foi Bothrops (jararaca), com 11.929 casos, representando 61,51% do total. Em segundo lugar, o gênero Crotalus teve 3.688 acidentes, com 19,02%. Acidentes com serpentes não peçonhentas totalizaram 1.246 casos, representando 6,42% do total. Os outros acidentes foram causados por serpentes do gênero Micrurus (168) e Lachesis (22), somando menos de 1%. Os casos ignorados ou deixados em branco somaram 2.342 do total.

O principal sexo afetado foi o masculino, com 74,89% do total. Em relação à raça, parda (53,18%) e branca (31,06%) foram as mais prevalentes. Esses dados estão resumidos na Tabela 1.

 

 

Mortes

Entre os óbitos, a visão geral não diferiu significativamente, conforme resumido na Tabela 1. Houve um total de 64 óbitos entre 2017 e 2022. Apesar da consistência no número de casos por ano, o número de mortes apresentou um pico em 2019 (15 mortes) e em 2021 (17 mortes).

A principal serpente envolvida pertencia ao gênero Bothrops, com 34 casos, representando 53,13%. Em segundo lugar, o gênero Crotalus participou com 23 casos, representando 35,94%. Também se observou que 37 (57,81%) receberam atendimento médico antes de 6 horas, 53 (82,81%) receberam soroterapia e apenas 11 (17,19%) estavam relacionados a acidentes de trabalho.

Analisando as variáveis sociais, o sexo masculino foi o mais afetado, com 48 óbitos, representando 75,00% do total. A raça mais prevalente foi a parda, com 38 óbitos, representando 59,38%, seguida pela raça branca, com 22 óbitos, representando 34,38%, e a raça negra, com 3 óbitos, representando 4,69%.

Associação de variáveis

Os resultados mostraram que houve uma associação entre o tempo para o atendimento médico após o AO e o desfecho do caso (p<0,001), conforme mostrado na Tabela 2, mas não com a presença ou ausência de soroterapia e o desfecho (p=0,295). Para atendimento médico após 3 horas, o OR foi de 3,849 (Intervalo de Confiança (IC) de 95% = 2,287 a 6,478 e p<0,001), tomando como referência o atendimento médico em menos de 3 horas. Em comparação, para atendimento médico após 6 horas, o OR foi de 6,10 (IC de 95% = 3,560 a 10,4419 e p<0,001), tomando como referência o atendimento médico em menos de 6 horas.

 

 

Após excluir casos e óbitos devido a serpentes não peçonhentas, a associação entre o tempo de picada e o atendimento médico e o desfecho do caso permaneceu significativa (p<0,001), assim como a falta de associação entre a soroterapia e o desfecho do caso (p=0,637).

O número de casos e óbitos nos anos antes da pandemia de COVID-19 (2017, 2018, 2019) foi comparado com os dados durante a pandemia (2020, 2021, 2022). Não houve associação estatística entre a pandemia e o desfecho do caso (p=0,188).

Houve uma associação entre o tipo de serpente e o desfecho do caso. Uma associação positiva foi encontrada entre o gênero Crotalus e o desfecho do caso, com OR = 7,81 (IC 95% 1,054 a 57,916 e p=0,044) em comparação com acidentes com serpentes não peçonhentas. Comparado aos acidentes com o gênero Bothrops, o OR foi de 2,196 (IC 95%: 1,292 a 3,732 e p=0,004).

Por fim, houve associação entre a presença ou não de soroterapia e o tempo entre a picada e o atendimento. Os pacientes tinham um OR de 0.83 para receber soroterapia se fossem atendidos antes de 6 horas, se comparado com os pacientes atendidos após 6 horas.

Não houve correlação entre sexo ou raça e o desfecho do caso (p=0,902 e p=0,385, respectivamente).

 

DISCUSSÃO

O perfil de AO em MG no período estudado é semelhante ao encontrado no Brasil, onde a maioria dos casos ocorre com indivíduos do sexo masculino e pardos, e a taxa de incidência é de 15,60 casos por 100.000 pessoas por ano em MG e 14,70 casos por 100.000 pessoas por ano no Brasil6. A maioria dos casos recebeu atendimento médico em menos de 6 horas, o que provavelmente impactou o alto percentual de desfechos favoráveis.

A distribuição de AO também é similar: Bothrops foi o principal gênero responsável pelos acidentes, seguido por Crotalus, enquanto Micrurus e Lachesis foram responsáveis por menos de 2% dos casos em MG e no Brasil. No entanto, MG mostrou uma menor prevalência do gênero Bothrops, 61,51% em MG comparado a 70,89% no Brasil, e uma maior prevalência do gênero Crotalus, 19,02% em MG comparado a 8,04% no Brasil6. Houve também uma prevalência muito menor de Lachesis (0,11% em MG comparado a 1,10% no Brasil), provavelmente devido à natureza da serpente, que vive em áreas com maior cobertura florestal13.

Uma razão provável para esse cenário é o fato de que o gênero Bothrops é um dos mais abundantes no país e em MG, assim como o fato de que a maioria da população é masculina e parda, o que contribui para os números observados5,14. No entanto, ainda há uma parte significativa dos casos sem informações registradas, o que indica a necessidade de melhorias no registro e monitoramento desses acidentes14.

As taxas de letalidade encontradas neste estudo foram menores que a média brasileira. Enquanto o Brasil tem uma taxa de letalidade geral de 0,44%, MG tem uma taxa de letalidade de 0,33%. Isso também pode ser dito para as taxas de letalidade de Bothrops (0,41% no Brasil versus 0,29% em MG) e Crotalus (1,03% no Brasil versus 0,62% em MG)6. Ainda assim, o OR para o Crotalus é muito superior ao do Bothrops em ambas as análises.

Um aumento significativo no número de AO foi observado entre outubro e março. Esse fenômeno pode ser atribuído à prevalência de meses chuvosos e quentes durante esse período, em contraste com o período de abril a setembro. Como seres ectotérmicos, as serpentes mostram maior atividade em condições de calor e umidade15. Além disso, a sazonalidade das atividades agrícolas, que são mais intensas durante os meses de outubro a março, também contribui para o aumento dos casos16. Portanto, a combinação desses fatores provavelmente justifica o maior número de AO durante essa época do ano.

Não houve diferença significativa no número de óbitos e na raça dos afetados. Embora o censo de 2010 tenha apontado uma maior predominância da raça branca (45,4%), seguida por parda (44,3%) e preta (9,2%)10, há uma prevalência muito menor de acidentes na população branca, mesmo sendo uma população expressiva no total da população do estado. O censo de 2022 não possui informações sobre a distribuição racial por estados12. No entanto, há um maior número de casos e óbitos em pacientes da raça parda, seguida pela branca e preta, mas, curiosamente, isso não se traduziu em uma maior taxa de letalidade.

Há uma certa consistência no número de casos por ano, com um aumento no número de casos de 2017 a 2020 e uma subsequente queda em 2021 e 2022. Essa queda pode ser devido à grande subnotificação de algumas doenças durante a pandemia de COVID-19. Um fenômeno semelhante foi observado com a dengue, na qual os casos foram extremamente subnotificados durante esse período17.

Não foi observada nenhuma tendência de diminuição ou aumento no número de óbitos ao longo dos anos. Além disso, como encontrado nos resultados, não foi observada associação entre o número de óbitos e os anos da pandemia na análise estatística.

A única variável que teve uma correlação positiva significativa com o desfecho do caso foi o tempo entre a picada e o atendimento médico. Excluindo os casos ignorados, o valor de p foi menor que 0,001. Essa análise está de acordo com outros registros na literatura, que mostram a importância de um rápido atendimento médico para a gravidade dos casos e a sobrevivência do paciente7,18.

Além disso, foi constatado que quanto maior o tempo para o atendimento, maior a letalidade. Para atendimento em menos de 3 horas, a letalidade foi de 0,19%. As outras taxas de letalidade foram progressivamente mais altas, chegando a 2,22% para atendimento acima de 24 horas. Isso reforça ainda mais a importância do atendimento precoce para o melhor prognóstico do paciente. A importância do atendimento antes de 6 horas é destacada para maximizar o prognóstico do paciente, já que o OR após 6 horas é maior que 6, muito superior em comparação com o OR para atendimento antes de 6 horas. Vale também ressaltar que o fato de os pacientes atendidos antes de 6 horas receberem menos soroterapia do que os pacientes atendidos após 6 horas, reforça a importância do atendimento rápido para uma boa avaliação do caso. Um provável motivo para tal situação, seja que o médico consegue ter uma avaliação melhor do prognóstico do paciente quando há um acompanhamento desde o acidente, facilitando a tomada de decisão para aplicação da soroterapia. Tal fato não acontece quando o atendimento é atrasado, o que pode levar o médico à utilização de soroterapia de forma desnecessária.

Esse valor de corte de 6 horas também é usado em outros estudos. Feitosa et al. (2015)19 encontraram um OR de 1,73 para gravidade em pacientes tratados após 6 horas da picada, além de um OR de 2,01 para óbito. Além disso, Souza et al. (2018)20 analisaram casos de AO na Amazônia, de 2007 a 2015, e também identificaram um risco maior de óbito e gravidade do caso após 6 horas, aumentando ainda mais após 24 horas. Nesse estudo, o OR para atendimento após 3 horas foi de 3,85 e para atendimento após 6 horas foi de 6,10. Esses números podem ser maiores devido ao perfil dos casos relatados, com maior prevalência de Crotalus e casos mais graves.

É crucial investir no treinamento de profissionais de saúde para que eles sejam capazes de identificar corretamente os casos de AO e fazer notificações precisas. Isso inclui treinamento para identificação de espécies e reconhecimento de sintomas, bem como treinamento específico sobre a importância da notificação, critérios de classificação e formas apropriadas de preenchimento de formulários, que são essenciais para garantir a qualidade dos dados coletados, já que o sistema de vigilância epidemiológica de AO é fundamental para identificar falhas no atendimento, corrigir problemas e melhorar a qualidade dos dados relatados. O treinamento na identificação correta do gênero da serpente também deve ser estendido à população geral, por meio de programas educativos e publicidade.

A análise de indicadores epidemiológicos e a realização de auditorias internas contribuem para a melhoria da vigilância e do atendimento, e podem ajudar a estruturar políticas públicas específicas para cada área de atuação. O foco deve ser melhorar a vigilância epidemiológica e o fluxo de atendimento em casos de AO, especialmente nas áreas onde esses acidentes são mais comuns, pois a análise dos dados também destacou a relação direta entre o tempo de atendimento e a letalidade dos casos, enfatizando a necessidade de intervenção rápida e eficaz para melhorar a sobrevivência dos pacientes afetados por AO.

No entanto, é essencial reconhecer as limitações do estudo, como o cenário atual de subnotificação de casos e a grande quantidade de informações ignoradas ou deixadas em branco no banco de dados do SINAN, o que pode mascarar a verdadeira extensão do problema e dificultar a associação de variáveis socioeconômicas e demográficas. Além disso, o número total de casos e óbitos ainda é pequeno para realizar uma análise estatística realmente forte, limitando a precisão da análise estatística

Com base na análise dos dados epidemiológicos de AO em MG entre 2017 e 2022, foi possível identificar padrões e tendências significativas. A correlação positiva significativa entre o tempo do AO e o atendimento médico e o desfecho do caso destaca a relevância do tempo de resposta no prognóstico do paciente. Essa relação direta entre o tempo de atendimento e a letalidade dos casos ressalta a importância da agilidade na prestação de cuidados médicos adequados, destacando a necessidade de estratégias eficazes para reduzir o tempo de espera e melhorar a sobrevivência dos pacientes afetados por AO.

 

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CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: As contribuições dos autores estão estruturadas de acordo com a taxonomia (CRediT)descrita abaixo:
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