Open-access | Creative Commons Attribution License
ISSN: 0103-880X eISSN: 2238-3182
Home / Vol. 22 Num. 1 / Caso 5
Imagem

Caso 5

Case 5

Nikole Nascimento de Albuquerque1; Bruno Freitas Lage1; Marcos Guimaraes Silva1; Rafael Mattos Tavares1; Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues2; Armando Pinto Monteiro Neto3

Rev. Méd. Minas Gerais, 22(1), 1-128

27585 VISUALIZAÇÕES
Crossmark

 

Imagem do Caso 5

Paciente feminino, 29 anos de idade, natural de Monte Siao (MG), há cerca de 10 anos começou a apresentar nódulos de tamanhos variados, principalmente na regiao do tórax e abdome, que vêm aumentando em número. Nega dor e sinais de inflamação. Afirma que o pai possui lesões semelhantes e que ambos nunca procuraram atendimento médico para seu esclarecimento.

Após análise da imagem e do caso apresentado, pôde-se concluir que o diagnóstico mais provável é:

Clique para expandir
esclerose Tuberosa

síndrome de McCune-Albright

síndrome do Nevo Basocelular

neurofibromatose tipo 1

 

ANALISE DA IMAGEM

Fotografia da regiao do abdome evidenciando lesões nodulares subcutâneas, endurecidas, de tamanhos variados e com manchas café-com-leite, a maior delas com aproximadamente 1,5 cm de diâmetro.

 

DIAGNOSTICO

As manchas café-com-leite e as nodulações, que representam a expressão cutânea de neurofibromas, constituem dois critérios para se sugerir o diagnóstico de neurofibromatose tipo 1. Somando-se à história familiar positiva de sinais semelhantes em parentes de primeiro grau e a clínica da paciente (crescimento lento a partir da puberdade), é muito provável que se estabeleça clinicamente esse diagnóstico.

 

DIAGNOSTICOS DIFERENCIAIS

esclerose tuberosa: apesar de ser também doença genética com aparecimento de neoplasias benignas em vários órgaos, as manifestações dermatológicas incluem nódulos de cor vermelha, geralmente na regiao facial.

síndrome de McCune-Albright: doença genética que, apesar exibir manchas café-com-leite (além de puberdade precoce e displasia óssea), não apresenta nodulações cutâneas como o aspecto visibilizado e considerado com expressão de neurofibromas.

síndrome do nevo basocelular: síndrome genética caracterizada pelo surgimento de carcinomas basocelulares múltiplos. As lesões, ao contrário do caso apresentado, têm centro ulcerado e bordas elevadas.

 

DISCUSSÃO DO CASO

A neurofibromatose tipo 1 (NF1) é doença genética autossômica dominante e consiste na síndrome neurocutânea mais comum (cerca de 80 mil brasileiros são portadores da doença). As mutações são responsáveis por 50% dos casos novos. Sua incidência é de um caso a cada 3.000 nascidos vivos e possui distribuição idêntica entre os sexos. A NF1 é resultante de defeito no gene localizado no cromossomo 17 que produz a proteína neurofibromina, envolvida no controle do crescimento celular. A doença pode estar evidente ao nascimento, mas frequentemente manifesta-se tardiamente, especificamente durante a puberdade, na gravidez ou na menopausa, e tem progressão crônica.

Clinicamente, a NF1 caracteriza-se por lesões cutâneas, oftalmológicas, músculo-esqueléticas e neurológicas, sendo as duas primeiras as mais frequentes. Os critérios de diagnóstico (pela Health Consensus Development Conference on Neurofibromatosis) para essa forma de neurofibromatose incluem dois ou mais dos seguintes:

seis ou mais manchas café-com-leite com mais de 0,5 cm no seu maior diâmetro em pré-púberes e 1,5 cm em pós-púberes;

dois ou mais neurofibromas cutâneos ou mais de um neurofibroma plexiforme;

duas ou mais sardas axilares ou inguinais (esfélides);

glioma do nervo óptico;

dois ou mais nódulos de Lisch (hamartomas pigmentados de íris);

deformidades esqueléticas congênitas (principalmente displasia esfenoide e da tíbia);

um parente de primeiro grau com neurofibromatose.

Obs: nódulos de Lisch e sardas axilares ou inguinais são considerados patognomônicos de NF1. (Figuras 1 a 5).

 

Clique para expandir

Figuras 1 a 5 - Sinais clínicos da Neurofibromatose tipo I.

 

A avaliação clínico-ambulatorial geralmente é suficiente para o diagnóstico e todos os pacientes devem ser submetidos a ela com o objetivo não só do diagnóstico, mas da identificação de possíveis complicações. Os estudos laboratoriais auxiliares devem ser individualizados, determinados pelas manifestações clínicas. Não há tratamento específico para a neurofibromatose, mas as complicações podem ser melhoradas pelo reconhecimento precoce e intervenção terapêutica imediata. O aconselhamento genético e psicoterapia com aconselhamento familiar são importantes.

 

ASPECTOS RELEVANTES

a NF1 é doença genética autossômica dominante relativamente comum (1:3.000 nascidos vivos), resultante de defeito no cromossomo 17;

possui progressão crônica e pode aparecer ao nascimento ou se manifestar tardiamente;

caracteriza-se clinicamente por lesões cutâneas, oftalmológicas, músculo-esqueléticas e neurológicas;

o diagnóstico é baseado nos critérios clínicos estabelecidos pelo Health Consensus Development Conference on Neurofibromatosis;

todos os pacientes devem ser submetidos à avaliação clínica para diagnóstico e identificação das complicações possíveis;

não há tratamento específico para a neurofibromatose, mas as complicações podem ser melhoradas pelo reconhecimento precoce e intervenção terapêutica imediata.

 

REFERENCIAS

1. Ferner RE, Huson SN, Thomas N, et al. Guidelines for the diagnosis and management of individuals with neurofibromatosis 1. J Med Genet. 2007;44:81-8.

2. Souza, JF Neurofibromatose Tipo 1 [manuscrito]: mais comum e mais grave do que se imagina. Belo Horizonte: Juliana Ferreira de Souza; 2008.

3. Centro de Referencia de Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG. O que são as neurofibromatoses? NF tipo 1. Manual para pacientes, familiares e profissionais da área de saúde. [Citado em 2011 out. 15]. Disponível em: www.amanf.org.br/NF1_pacientes_10out2007.pdf

4. Minossi JG Anefalos A, Spadella CT, Mendes EFGonçalves Junior I. Neurofibromatose: relato de caso. Acta Cir Bras. 2000;15(3). [Citado em 2012 abr 23]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jbpml/v44n2/a11v44n2.pdf

5. Minossi JG, Anefalos A, Spadella CT, Mendes EF Gonçalves Jr I. Neurofibromatosis: case report. Acta Cir Bras [serial online] 2000 Jul-Sept;15(3). [Citado em 2011 out. 15]. Disponível em: http://www.scielo.br/acb.

Nikole Nascimento de Albuquerque

Afiliação: Acadêmicos do Curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Belo Horizonte, MG - Brasil

Bruno Freitas Lage

Afiliação: Acadêmicos do Curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Belo Horizonte, MG - Brasil

Marcos Guimaraes Silva

Afiliação: Acadêmicos do Curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Belo Horizonte, MG - Brasil

Rafael Mattos Tavares

Afiliação: Acadêmicos do Curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Belo Horizonte, MG - Brasil

Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues

Afiliação: Coordenador Clínico do Centro de Referência em Neurofibromatoses do Hospital das Clínicas da UFMG. Belo Horizonte, MG - Brasil

Armando Pinto Monteiro Neto

Afiliação: Cirurgião Geral e Preceptor do Hospital de Pronto Socorro João XXIII. Belo Horizonte, MG - Brasil

Instituição: Faculdade de Medicina da UFMG Belo Horizonte, MG - Brasil

Endereço para correspondência

Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues
Av. Alfredo Balena, 190 Bairro: Santa Efigênia
Belo Horizonte, MG - Brasil CEP: 30130-100
E-mail: rodrigues.loc@gmail.com

Altmetrics, Dimension e PlumX ficam disponíveis quando o artigo tiver um DOI.

Nenhum parecer disponível para este artigo.

Como citar este artigo

Albuquerque, NN, Lage, BF, Silva, MG, Tavares, RM, Rodrigues, LOC, Neto, APM. Caso 5. Rev. Méd. Minas Gerais. 22(1):1-128.

Indexadores e Buscadores